ELIZABETH CHANDLER

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#ELIZABETH CHANDLER

Destinos Cruzados
O quarto volume da srie BEIJADA POR UM ANJO

#Para Puck, colega de trabalho que palpitou em todos os captulos.

#Prlogo

D

epois de acordar, ele passou um bom tempo pensando. No havia esperana. E quando no h esperana, h apenas duas alternativas: desespero ou vingana. O desespero
era covarde e impotente. Ele se vingaria. Vingana. Ouvir essa palavra lhe dava foras. No entanto, tinha de ser cuidadoso, esperto. Havia coisas que no conhecia, 
coisas das quais no conseguia se lembrar. Lembrou-se das palavras, mas no de sua procedncia, talvez um velho livro. No tinha importncia; apropriou-se das palavras 
mesmo assim: "A vingana  minha". Se ainda tivesse um corao, l estaria escrito: "A vingana  minha." "A vingana  minha." "A vingana  minha."

#Captulo 1

O

uam,  to estranho. A nvoa da noite, exalando um aroma salobro como o mar, rodeava Ivy e sua melhor amiga. O velho balano onde estavam sentadas no quintal no 
parava de ranger.  Oua  disse Dhanya novamente.  Est... gemendo.  Se liga, Dhanya  retrucou Kelsey, que estava esparramada na espreguiadeira entre o balano 
e a escada de entrada do chal na qual Dhanya estava sentada.  Voc nunca ouviu uma buzina de nevoeiro?  Claro que j. Mas hoje o som est to melanclico, como 
se...  Gemendo... lamentando... murmurando... suspirando, esperando, esperando por sua amada que nunca mais vai retornar do mar  disse Beth, enfiando a mo no 
bolso para pegar um pequeno bloco de anotaes e caneta para escrever uma contribuio para o seu prximo romance pico.

#Kelsey jogou a cabea para trs e assobiou.  Voc no mudou nada, Beth. At continua trazendo a velha "caneta de clique". Por que no escreve no seu iPhone?  
Aqui?  perguntou Beth.  Os escritores famosos sempre escreveram em papis  luz de lampies ardendo em leo de baleia, vendo a chuva chicotear os telhados das 
cabanas sem perdo e o vento uivar nas chamins, e ali, bem perto, ondas violentas quebrando em interminveis...  T, t. J entendi  disse Kelsey, balanando 
as pernas com impacincia. Ivy riu. Beth olhou de canto de olho e riu tambm. Desde que haviam chegado em Cape Cod, h quatro dias, Ivy sentia que Beth e Will, o 
namorado de Ivy, estavam o tempo todo prestando ateno em suas reaes. Suspeitava no ser a nica a pensar no aniversrio da morte de Tristan no fim de junho. 
Ivy amara Tristan mais do que qualquer pessoa ou qualquer coisa no mundo. Nunca tinha sentido tanta alegria como a vivida ao lado dele. O amor de Tristan por ela 
parecia um milagre. Em 25 de junho, porm, completaria um ano que o pesadelo do vero passado havia comeado; um ano da noite em que o irmo adotivo de Ivy, Gregory, 
havia tentado mat-la, e acabou acidentalmente matando Tristan.  A nvoa  to assustadora  disse Dhanya, continuando a conversa.  A forma como invade o lugar, 
a forma como esconde as coisas. A tarde de outono em que Gregory morreu fora de muita nvoa. No fim, seu desejo de destruir Ivy era to intenso que ele menosprezou 
o prprio perigo que corria. Quando mergulhou para a morte na ponte da ferrovia, Ivy e Will mal conseguiam ver as pedras e o rio l embaixo. Um rudo ameaador fez 
com que Beth olhasse por detrs dos ombros.  Isso foi um trovo? Kelsey suspirou.  Queria que chovesse de uma vez para acabar logo com isso.  Onde est o Will? 
 Beth perguntou a Ivy, preocupada.

# Est pintando  respondeu, olhando para o celeiro em que Will estava. O celeiro reformado, parte da Seabright Inn, ficava a apenas 50 metros do chal. A noite 
estava escura. O celeiro tinha trs sutes para hspedes, mas, naquela segunda semana de junho, Will era o nico ocupante do prdio, e a janela do quarto dele ficava 
de frente para o chal das meninas. As luzes da sede, que ficava em frente ao jardim do chal e do celeiro, pareciam manchas amarelas no meio da nvoa.  Odeio este 
tipo de tempo  disse Kelsey, alisando os longos cabelos castanhos. Jogou-os para trs dos ombros e disse:  Meu cabelo est ficando muito frisado. O seu tambm, 
Ivy. Ivy sorriu e deu de ombros. Sua cabeleira loira sempre a acompanhava.  No acredito que a tia Cindy no instalou Tv a cabo neste chal  disse Kelsey, ainda 
reclamando.  No vou assistir  Tv em uma "sala de estar" coletiva, com tapetes de arraiolo, porcelana antiga e flores! Ela no pode me culpar por querer ir para 
a balada em Chatham.   quase meia-noite e voc no vai conseguir ver nada na estrada com o seu jipe, no com essa neblina  disse Dhanya a sua melhor amiga, acrescentando: 
 Tem Tv a cabo no celeiro em que Will est.  Se ele estiver pintando,  melhor o deixarmos sozinho  disse Beth. Raios de luz cor-de-rosa iluminavam o cu a oeste. 
O trovo parecia soar mais alto, mais prximo. Kelsey sorriu.  Este tipo de noite no serve para nada a no ser para ir a um barzinho ou fazer uma sesso esprita. 
 Uma sesso esprita, que tima ideia!  exclamou Dhanya.  Vou pegar meu tabuleiro Ouija. Ivy percebeu que Beth se movimentava de maneira desconfortvel no balano. 
 Vou ficar fora dessa  disse Beth.  Eu tambm  acrescentou Ivy, solidarizando-se com o desconforto da amiga. Imaginava que, para Kelsey e Dhanya, comunicar-se 
com espritos no passava de um jogo, mas Beth no pensava dessa forma, pois tinha

#mediunidade e durante o ano anterior, frequentemente, sentira o perigo que Ivy estava correndo.  Ficar fora? Por qu?  indagou Kelsey desafiadoramente.  Sesses 
espritas so infantis demais para as garotas de Connecticut?  No, so reais demais  retrucou Beth. Kelsey arqueou a sobrancelha, mas no disse nada. Dhanya ficou 
de p. Era bonita e franzina, com longos cabelos sedosos e olhos exticos quase negros.  Sou boa em sesses espritas e nesses lances medinicos. A galera da escola 
sempre me pede para ler o tar.   mesmo  disse Kelsey.  Dhanya sempre foi a estrela das minhas noites do pijama  Kelsey aproximou-se do balano e puxou Ivy. 
 Vamos. Voc tambm, Beth. No seja "estraga-prazer". Assim que Kelsey e Dhanya entraram no chal, Ivy virou-se para Beth e disse baixinho:  Vai dar tudo certo. 
 No contei nada sobre o vero passado a elas, sobre Tristan ou Gregory... ou sobre qualquer outra coisa nesse sentido. Ivy concordou com a cabea. Dava para imaginar 
a surpresa de Kelsey se tivesse contado que Tristan se tornara um anjo para proteg-la de Gregory e que Beth fora a primeira a se comunicar com ele.  Elas s esto 
brincando.  Voc no se incomoda?  disse Beth analisando o rosto de Ivy, franzindo a testa de preocupao. Quando se conheceram, h dois anos, Ivy achou que Beth 
se parecia com uma coruja de rosto doce. O rosto de Beth esta-va mais magro agora, e a espessa cabeleira castanho-clara estava mais longa, na altura do queixo, mas 
os olhos azuis ainda eram grandes e redondos como os de uma coruja, especialmente quando ficava preocupada. Vrios meses atrs, Ivy percebeu que a amiga desejava 
passar o vero em Cape Cod. De acordo com Beth, l poderia ver a tempestade perfeita: uma chance de morarem, brincarem e trabalharem juntas, antes da faculdade, 
alm de ser uma forma de ajudarem a tia de Beth e Kelsey.

#Recm-divorciada, tia Cindy, como era chamada por todos, administrava sua pousada com um oramento apertado. Em troca da ajuda, ela lhes ofereceu um lugar para 
ficar bem perto do mar, da baa, da vegetao salobra, das trilhas de bicicleta... mas seria um vero longe de Connecticut, o que Beth mais queria para Ivy, Will 
e ela mesma, Ivy sabia disso. Beth estava determinada a lev-los para longe das lembranas sombrias do ltimo vero.  Vocs vm ou no?  Kelsey perguntou.  Quanto 
mais relutantes ficarmos, mas insistentes elas ficaro  Ivy sussurrou para Beth.  Vamos entrar no jogo. Entraram no chal de dois cmodos no andar de baixo: uma 
sala de estar e, bem atrs dela, a cozinha onde Kelsey esperava por elas. A escada que levava para o nico quarto no andar superior era bem inclinada e saa da cozinha 
para abraar a enorme lareira. Ivy e Beth tiraram tudo de cima da mesa no centro da cozinha enquanto Dhanya tirava o tabuleiro Ouija que estava embaixo da cama. 
Kelsey procurou velas nos armrios e nas gavetas da cozinha.  A-ha!  exclamou, segurando um pacote com seis velas vermelhas escuras que tinham aroma de cranberry. 
 Seria melhor usarmos velas brancas  aconselhou Beth.  O branco atrai bons espritos. Vou buscar algumas na pousada.  No, essas servem  insistiu a teimosa 
Kelsey. Dhanya ps o tabuleiro e o ponteiro na mesa.  Sentem-se  ordenou Kelsey enquanto arrumava as velas em um crculo ao redor da mesa. Ivy olhou para Beth 
do outro lado da mesa e sorriu, esperando diminuir a tenso percebida nos ombros rgidos da amiga. Beth balanou a cabea negativamente, depois franziu a testa ao 
olhar para o tabuleiro no meio delas. As trs fileiras com as letras do alfabeto, a fileira de nmeros na parte inferior, a palavra "adeus" virada de forma que Dhanya 
 quem tinha maior

#facilidade em l-la. A palavra "sim" adornava o canto prximo a Ivy, e a palavra "no" estava no canto ao lado de Beth.  Tentem no atear fogo em ns, meninas 
 disse Kelsey, fechando a porta dos fundos do chal para cortar a corrente de vento. Ela acendeu as velas, depois apagou as luzes da sala e da cozinha, sentando-se 
de frente para Dhanya.  Ento, a quem vamos invocar?  perguntou.  Quem morreu recentemente, uma pessoa famosa, uma pessoa irada... Algum tem alguma ideia?  
Que tal aquela garota de Providence que foi assassinada h alguns meses?  sugeriu Dhanya.  Que garota?  perguntou Kelsey.  Voc se lembra. Aquela que foi estrangulada 
pelo ex-namorado. Caitlin? Karen?  Acho que  Corinne  Kelsey concordou com a cabea dizendo:  Amor, cime, no d para vencer isso.   melhor conhecer a pessoa 
com quem se faz contato  aconselhou Beth.   preciso ter certeza do nome e, o mais importante,  ter certeza de que se est entrando em contato com um esprito 
benevolente. Kelsey revirou os olhos ao dizer:  Todo mundo  especialista. Beth insistiu:  Com um tabuleiro Ouija, estamos fazendo muito mais do que simplesmente 
conversar; estamos abrindo um portal para que o esprito entre no nosso mundo. Dhanya mostrou que achava a ideia insignificante, abanando uma das mos.  Pela minha 
experincia, podemos ter mais sucesso ao abrir um canal de comunicao com qualquer esprito que esteja disponvel e bem disposto  e continuou com as instrues. 
 Mo esquerda por cima da direita. Beth seguiu as orientaes de forma relutante, depois Dhanya jogou a cabea para trs e invocou:  Esprito errante, nos d a 
graa de sua presena. Voc viu o que no podemos ver, ouviu o que no podemos ouvir. Pedimos humildemente que voc...

# Isso est parecendo missa  interrompeu Kelsey.  Vamos acabar recebendo a visita da Virgem Maria.  Na verdade  disse Beth -, antes de comear, todas ns devamos 
fazer uma orao para nossa proteo.  Uma orao para quem?  retrucou Kelsey.  Para aquela estatueta de anjo que fica no meio da sua cama e da de Ivy?  No 
rezo para esttuas  Beth respondeu rispidamente, depois acrescentou em um tom mais gentil -, a orao  para qualquer anjo ou guardio que voc quiser.  No  
necessrio  insistiu Dhanya.  Estamos sentadas em crculo, isso vai nos proteger. Beth mordeu os lbios e balanou a cabea. Quando fechou os olhos como se estivesse 
rezando, Ivy mentalizou sua prpria orao em silncio. Ivy disse a si mesma que a prpria falta de f de Kelsey proibiria que qualquer coisa, alm dos cinco sentidos, 
ocorresse, mas estava comeando a ficar preocupada.  Posicionem os dedos indicador e mdio em cima do ponteiro  disse Dhanya, que continuou a invocar:  Esprito, 
estamos convidando-o a se reunir conosco hoje  noite. Temos muitas perguntas a voc e suas percepes sero bem-vindas. Por favor, avise-nos de sua presena  e 
se dirigiu aos demais dizendo:  Esperaremos em silncio. Elas esperaram. E esperaram. Ivy conseguia ouvir Kelsey batendo os ps por debaixo da mesa.  Ento, t 
 disse Dhanya.  Vamos mover o ponteiro em movimentos circulares, de forma lenta, sobre o tabuleiro. Isso ajuda o esprito a conseguir a energia necessria para 
se comunicar. Elas moveram o pequeno pedao de madeira triangular no sentido horrio, passando por todo o alfabeto e pelos nmeros.  No movam to rpido  disse 
Dhanya. Repetiram o movimento circular vrias vezes, com crculos suaves e estveis, assim como o gemido de uma buzina de nevoeiro. Subitamente, o

#ponteiro parou. Parecia que tinha ficado preso a alguma coisa. Ivy levantou o olhar no mesmo momento que Beth, Dhanya e Kelsey. Seus olhares se encontraram acima 
do tabuleiro.  No empurrem  Dhanya aconselhou.  Deixe o esprito assumir. Deixe o esprito guiar. O ponteiro comeou a se mover novamente. Era forte, como se 
estivesse empurrando os dedos de Ivy com ela. Ivy examinou as mos de Dhanya e Kelsey, procurando um tendo flexionado ou um dedo tensionado, algum mnimo sinal 
de que fosse alguma delas movendo o ponteiro que novamente se movia em crculos, e percebeu que estava rodando no sentido anti-horrio agora. Os olhos de Ivy se 
ergueram para examinar os rostos ao seu redor. Os olhos amendoados de Kelsey brilhavam, mais de surpresa do que de preocupao. Dhanya olhava para baixo, mordendo 
os lbios. O flamejar da vela mostrava a palidez de Beth. O ponteiro fez outro crculo no sentido anti-horrio. E mais um. Ivy contou os crculos: seis.  Temos 
de parar com isso  disse Beth, inclinando-se para frente. O ponteiro moveu-se mais rpido.  Pare com isso  disse Beth, erguendo o tom de voz de forma rspida. 
O vento l fora estava cada vez mais forte. Ivy ouviu-o pela chamin.  Pare com isso agora  gritou Beth.  Mova o ponteiro para a palavra "adeus". Um trovo retumbou. 
 Mova o ponteiro para "adeus". No entanto, parecia que uma fora poderosa, inexorvel, no permitia que isso acontecesse. O ponteiro movia-se cada vez mais rpido, 
ainda circulando em sentido anti-horrio, como se sua fora fosse cavar um buraco no tabuleiro. Os olhos de Dhanya arregalaram-se de medo. Kelsey xingou. As pontas 
dos dedos de Ivy que tocavam o ponteiro pareciam estar pegando fogo.

# Estamos abrindo um portal. Temos de... As palavras de Beth foram interrompidas pelo rudo do trovo e por um feixe de luz. A porta no parava de bater. O copo 
se estilhaou. A boca de Beth se abriu abafando um grito. Kelsey fez meno de ficar em p, sem tirar as mos do ponteiro. Dhanya jogou o corpo para trs, presa 
 cadeira. Ivy viu as trs garotas ficarem paralisadas na frao de segundos do feixe de luz azul. "Anjos, anjos, nos protejam", rezou, esperando que a orao no 
tivesse sido feita tarde demais.

#Captulo 2

elsey correu para acender a luz. No momento em que tocou no interruptor, a escurido tomou conta do lugar novamente. A chuva batia nas janelas. A corrente de vento 
que vinha da lareira trazia um cheiro de queimado. Com as mos trmulas, Dhanya tentou acender novamente as velas que haviam sido apagadas. Kelsey pegou o isqueiro 
das mos de Dhanya e conseguiu acender.  Tem algum em casa?  perguntou uma voz masculina. Ivy suspirou de alvio.  Estamos aqui. A luz acabou. O que aconteceu? 
 perguntou quando Will entrou na cozinha.  Que barulho foi aquele?  Acho que foi o gato. Estava vindo para c quando a tempestade comeou. Assim que cheguei ao 
chal, a porta da frente se abriu de repente, e o Dusty veio voando para cima de mim.

K

#As meninas levaram as velas para a sala de estar. O enorme gato laranja estava todo encolhido no canto da sala.  Seu bobo!  disse Kelsey a Dusty.  Olha a baguna 
que voc fez. Um abajur, vrios copos quebrados e uma pilha de conchinhas estavam ao lado da mesa de canto prxima ao sof. Kelsey pegou o abajur e tentou arrumar 
a cpula. Will pegou os pedaos maiores do copo quebrado.  Vou pegar uma vassoura  disse Beth, falando pela primeira vez desde que havia gritado com elas para 
acabarem com a sesso esprita.  Cuidado!  Ivy disse a Will quando ele tentou pegar fragmentos menores. Ele se virou para ela na mesma hora, os cabelos negros 
estavam desalinhados por causa da tempestade, os olhos castanhos brilhavam suavemente  luz das velas. Dhanya sentou-se no sof e levou as mos ao colo. Ivy sentiu-se 
tentada a colocar o brao ao redor do ombro dela, mas no sabia como ela reagiria.  A tempestade j est indo embora  disse Ivy de modo reconfortante. Dhanya concordou. 
Ivy pegou o gato e o ps de volta no sof. Ele pesava quase 40 quilos, um carnvoro de Maine, com sedosos tufos de pelo atrs das orelhas. Ivy fez carinho no queixo 
de Dusty, depois enterrou os dedos em seu pescoo leonino. Dhanya olhou para o gato, mas no parecia ter vontade de acarici-lo. Beth voltou com uma vassoura, uma 
p e uma sacola descartvel presa debaixo do brao. Will segurou a p e ela varreu os pedaos de vidro. Ivy no conseguia ver o rosto de Beth, mas percebeu que Will 
ficou olhando para ela por um tempo, bem onde sua mo esquerda segurava o cabo da vassoura. Depois colocou sua mo sobre a dela e perguntou:  Voc est bem?  Sim. 
A expresso facial de Beth no deve ter sido muito convincente, pois Will manteve sua mo sobre a dela e insistiu:  Tem certeza?  Tenho  disse Beth, segurando 
a vassoura mais acima e continuando

#a varrer. Ivy franziu a testa, incomodada consigo mesma por ter concordado com a sesso esprita. Com tantas pessoas observando-a por meses, tinha interpretado 
a preocupao de Beth como mais um exemplo da superproteo da amiga. Devia ter percebido que Beth tambm precisava de proteo em relao s lembranas e aos medos 
do vero passado. Haviam acabado de limpar tudo quando a tia Cindy chegou, vestindo sua capa de chuva amarela: nem a chuva ou a neve, nem a calada da noite conseguem 
parar tia Cindy. Foi assim que Beth a descreveu uma vez. Ela tinha 30 e poucos anos e uma espessa cabeleira na altura dos ombros que exibia o mesmo tom ruivo apagado 
de Dusty.  J fazia tempo que queria deixar isto com vocs  disse tia Cindy, abrindo uma embalagem com trs lanternas  pilha. Entregou uma a Will e ento percebeu 
o gato:  O que houve com voc, Dusty?  A tempestade o assustou  respondeu Ivy.  Voc nunca teve medo de tempestade antes  disse tia Cindy ao gato, com reprovao. 
 Acho que voc est fingindo. Voc descobriu uma coisa boa, no ? Com as garotas aqui para te dar comida e carinho  e acrescentou, olhando para Will -, no se 
anime. Voc tem a sua prpria casa. Will deu uma risada e disse:  E  para l que eu estou indo.  Certo, algum precisa de mais alguma coisa?  perguntou tia Cindy. 
 No  respondeu Kelsey.  Ento, vejo vocs s 6h30 amanh, na cozinha. Vocs trabalharam muito bem esta semana, mas amanh, quando os hspedes do fim de semana 
chegarem, teremos nossa primeira experincia de uma pousada cheia. Por isso, durmam um pouco. Will olhou para Ivy como se estivesse mandando a ela um doce beijo 
 distncia. Depois, olhou novamente para Beth para ver se estava mesmo tudo bem com ela e seguiu tia Cindy debaixo da chuva.  O que a Kelsey falou para tia Cindy? 
 Ivy exclamou na noite

#seguinte, quando ela, Beth e Will se sentavam em uma mesa na Olivia's, uma sorveteria no vilarejo de Orleans.  Que ela e Dhanya nos encontrariam aqui. Eu disse 
a ela que, se alguma pergunta fosse feita, no daria cobertura a elas.  Esses rapazes de Chatham  disse Will.  Como Kelsey os conheceu?  Ela no os conhece  
respondeu Beth.  A Kelsey  assim. Acreditem, ela no tem limite. Aprendi da forma mais difcil durante nossos veres, juntas, no ensino fundamental.  Bem,  melhor 
que ela aparea para o trabalho ama-nh  disse Will enquanto arrastavam as cadeiras pelo cho de madeira.  No vou dar cobertura para preguiosos. O dia havia 
sido longo para eles. Limparam a sujeira da tempestade e tiveram de trabalhar em um ritmo apertado por conta das constantes chegadas de hspedes com as mais diversificadas 
solicitaes. Kelsey disse que no estava se sentindo bem, por isso voltou mais cedo para o chal, mas se recuperou milagrosamente na hora do jantar. Beth e Dhanya 
tambm estavam com dor de cabea, mas resolveram o problema com aspirina e ch. Ivy tinha trocado o ch por um pouco de caf bem forte, feito por tia Cindy, o que 
ficava no bule da cozinha, e no o que era servido aos hspedes. No conseguia se lembrar dos sonhos que a fizeram rolar e virar na cama na noite anterior, s se 
lembrava de ter sonhado com Tristan. Quando se sentaram na sorveteria, Will abriu um bloco de anotaes e comeou a desenhar.  Seu amigo est atrasado.  Ns  
que estamos adiantados  Ivy garantiu a Beth, que acabou ficando nervosa por ter um encontro e pediu para Will e Ivy virem com ela.  Voc est to bonita. Beth 
arrumou o cabelo, envergonhada. Por Beth gostar de todos os tipos de tecidos estampados, Ivy, s vezes, achava que ela parecia vestir algum tipo de papel de parede 
que no combinava com nada. Hoje, porm, seguindo a orientao de Dhanya, Beth estava simples. O pingente de

#ametista, que Ivy e Will deram a ela no ltimo aniversrio, acentuava o tom violeta de seus olhos azuis.  Ento, quando foi a ltima vez que voc viu esse cara? 
 No ensino fundamental. A famlia dele tem uma casa de veraneio aqui. No o reconheci na tera-feira quando minha me parou para abastecer na vinda para c. Acho 
que ele tambm no me reconheceu, mas reconheceu a minha me, ela no muda. No sei como ele ficou to alto  continuou Beth.  E to bonito.  como se um dos meus 
personagens tivesse ganhado vida.  Ento, como ele ?  perguntou Ivy ao olhar para as pessoas ao redor.  Ele tem cabelos pretos cacheados, muito cacheados. Uma 
expresso forte. J falei que ele  lindo?  Vrias vezes nos ltimos trs dias  respondeu Will.  No sei como ele ficou com aqueles ombros largos. Sabe, um trax 
bem estruturado e ombros  disse Beth com as mos, mostrando o que queria dizer. Ivy sorriu e disse:  Parece que ele daria uma boa capa de romance.  Com os ombros 
e o trax, ele tem crebro?  perguntou Will.  Sim. Ele entrou na Universidade de Tufts.  Ento, no sei por que voc precisa de ns  resmungou Will.  Bem,  
s porque pode ser que eu no consiga pensar em nada para falar. Will parou de desenhar e ficou olhando para ela.  Beth, voc escreve dilogos romnticos, h anos! 
 E o que isso tem a ver com falar com um garoto de verdade?  perguntou.  Voc fala comigo o tempo todo. No sou um garoto de verdade? Ivy riu e disse:  No liga 
para ele, Beth. Ele no entende nada. O olhar de Will passou de Ivy para Beth e ele acabou caindo na risada com Ivy.  , acho que no entendo mesmo  admitiu, virando 
a pgina do bloco de anotaes, voltando para a que ele e Beth haviam rascunhado

#algumas ideias. Estavam criando um romance grfico, Beth como escritora e Will como ilustrador, sobre Ella, a Gata Anjo, e sua companheira, Lacey Lovitt, um anjo 
humano lutando contra as foras do mal. Philip, o irmo de Ivy, de 10 anos de idade, havia feito esse pedido.  O novo vilo  disse Will.   uma serpente  continuou 
Beth.  Uma serpente  repetiu Will concordando com a cabea.  Isso  bom, meio bblico.  Uma serpente com ps  acrescentou Beth.  Excelente  disse, desenhando 
rapidamente.  Isso nos d mobilidade. Estou exagerando na cabea, para assim poder desenhar vrias expresses diferentes. Beth e Ivy inclinaram o corpo para frente, 
observando a criatura surgir em meio as hbeis rabiscadas de Will.  No, a cabea  grande, mas no  assim  disse Beth de sbito.  Tem um rosto humano. Tem olhos 
com plpebras e uma boca humana, apesar de conseguir abri-la totalmente daquela forma horrvel que as cobras conseguem  disse, balanando a ametista para l e para 
c no colar.  E orelhas pequenas, ouve vibraes pela barriga. Pode ouvir emoes e palavras.  isso o que faz dela um ser perigoso. Will ergueu o olhar ao mesmo 
tempo que Ivy. Parecia que ela estava descrevendo algo que via ao invs de inventando uma descrio.  Os olhos so cinza  Beth continuou, puxando o pingente.  
Estava pensando em olhos amarelados ou mbar  disse Will.  Tipo cor de fogo.  So cinza  insistiu.  Tenho certeza disso.  Elizabeth! Ivy e Will viraram-se 
rapidamente para ver um rapaz de cabelos negros cacheados e olhos acinzentados. Embora seu tom de voz exigisse ateno, Beth s respondeu depois de levar uma cotovelada 
de Ivy.  Oi, Chase  disse, colocando o cabelo atrs da orelha.

# Voc veio com amigos  comentou Chase.  Legal. Will levantou-se e estendeu a mo dizendo:  Will O'Leary.  E eu sou Ivy.  Meus dois melhores amigos  disse 
Beth a Chase.  Legal  ele disse novamente. Ivy examinou Chase, tentando interpretar a palavra "legal". Ser que aprovava os amigos de Beth ou estava irritado por 
ela t-los trazido? Suspeitava que fosse a segunda opo. Os quatro sentaram-se e um minuto de silncio desconfortvel se seguiu. Will voltou a desenhar, aparentemente 
sem interesse em contribuir com o dilogo romntico de Beth.  Beth nos contou que a sua famlia tem uma casa de veraneio aqui  disse Ivy para puxar conversa.  
Que sorte!  Aqui, em Florida Keys e em Jackson Hole  disse.  Na gua ou na neve, no importa onde, contanto que estejam esquiando.  Sei, eu costumava ser assim 
 disse Will. Ivy pestanejou de surpresa. Will detestava a neve, e suas viagens dos sonhos sempre foram a Big Apple e Paris.  Srio  disse Chase, mas aparentemente 
no demonstrando interesse.  Mas isso foi antes das minhas trs cirurgias. Ivy sabia que o nico registro no histrico mdico de Will eram vacinas. Parte dela queria 
chut-lo por debaixo da mesa, lembrando-o de ser educado; a outra parte queria rir.  Oh  Chase respondeu sem entusiasmo algum.  Os mdicos disseram que, se eu 
continuar a esquiar, pode ser que nunca mais ande. Beth olhou para Will. Chase tinha uma expresso de quem no sabia se acreditava nele ou no. Ivy balanou a cabea. 
Will olhou para Ivy com um sorriso travesso e voltou a desenhar.

# De que praias e trilhas voc gosta mais em Cape?  Ivy perguntou a Chase.  Se voc vem aqui todo ano, deve conhecer todas.  Adoro Billingsgate Island. Vou levar 
Elizabeth l, amanh.  Voc vai?  perguntou Beth, surpresa.  Na baa, a aproximadamente nove quilmetros do Rock Harbor. Costumava ser habitado, tinha um farol, 
casas, uma escola e uma fbrica, mas a mar levou tudo anos atrs. Agora a ilha s tem uma mar mansa  virou-se para Beth e disse:  Vamos de caiaque e faremos 
um piquenique por l.  Parece maravilhoso  ela disse baixinho.  Mas tenho de trabalhar.  No sbado? Ela fez que sim com a cabea.  Os fins de semana so os 
dias mais cheios em uma pousada.  Ningum pode cobrir o seu lugar?  perguntou, olhando para Ivy para ver se ela se voluntariava.  A tia Cindy precisa de todos 
ns  Ivy disse a ele. Will ergueu o olhar e perguntou  E voc, Chase, que tipo de emprego de vero voc tem? Ele pareceu nem ouvir a pergunta de Will e continuou 
falando:  Tinha esperana de que voc fosse me surpreender com um almoo fantstico, Elizabeth. Algo que voc tivesse preparado s para ns dois. Talvez o modo 
como ele dizia "Elizabeth"  que tivesse chamado a ateno de Ivy, como se fosse algum que achasse que, por dizer o nome de uma garota, pudesse lanar um feitio 
sobre ela.  Voc adoraria a ilha  ele continuou falando.  E h um barco afundado l por perto. Quando a mar est baixa, seu velho casco emerge da gua.  uma 
viso bem misteriosa. Servir de inspirao para uma das suas histrias.  Sinto muito mesmo, Chase. Que tal irmos no meio da semana?  Estarei ocupado. A expresso 
de Beth revelava sua decepo, mas ela sorriu e balanou a

#cabea dizendo:  Oh, pois . Obrigada por me convidar. Uma garonete se aproximou deles com um sorriso.  Ei, Chase, h quanto tempo no o vejo. Voltou para o 
vero? Chase se esticou todo, deixando uma das mos sobre a cadeira de Beth, e disse:  Voltei at o vento me levar para outro lado. Will prendeu os lbios como 
se fosse assobiar, mas o "vento" no saiu, pois Ivy lhe deu um chutezinho.  Sorvete de morango e chocolate com cobertura dupla  Ivy disse  garonete.  E voc, 
Beth? O pedido veio rapidinho, mas aquele foi o encontro de sorveteria mais longo da vida de Ivy. Uma das coisas que adorava em Will era que, sem contar hoje, ele 
sempre estava entre os amigos e familiares dela. Quando ele e Ivy estavam com outras pessoas, ele apreciava as pessoas de quem Ivy gostava. No entanto, Chase era 
diferente, era o tipo de pessoa que isolava uma garota com sua ateno. Mesmo assim, Beth parecia gostar dele, e Ivy fez o melhor que pde para evitar que Will expressasse 
sua opinio depois que saram da sorveteria. Assim que Beth se sentou no banco de trs do carro de Ivy, essa virou-se para ele e disse baixinho:  Sem comentrios. 
No  voc que quer namorlo.  Com certeza!  respondeu, e os dois riram. Quando retornaram  pousada, Ivy e Beth ficaram surpresas em ver o jipe de Kelsey. Dhanya 
estava na cozinha, comendo bolachas.  Pedi para Kelsey me trazer para casa  explicou.  Ela voltou com os rapazes. Beth sentou-se  mesa e tirou trs bolachas 
da embalagem plstica.  A sua dor de cabea est atacando seu estmago? Dhanya concordou com a cabea, mastigando devagar.  Era assim que estava me sentindo hoje 
cedo  disse Beth -, meio tonta.  Quer que eu v procurar a tia Cindy?  perguntou Ivy.  Pode ser que ela tenha algum remdio para ajud-la.

# No, ela vai querer saber onde est a Kelsey. Ivy foi com Beth e Dhanya at o andar de cima carregando uma bandeja de bolachas e canecas com ch descafeinado, 
deixando o lanche ao lado das camas. O segundo andar do chal era composto de um enorme cmodo e as escadas emergiam ao lado de uma enorme chamin de tijolos no 
centro do ambiente. Um pequeno banheiro havia sido construdo do outro lado da chamin. As quatro camas ficavam nos cantos do chal, sob o teto inclinado. As camas 
de Ivy e Beth ficavam  esquerda da escada, as de Kelsey e Dhanya,  direita.  Igual na minha casa  disse Dhanya ao tirar o iPod e o fone de ouvido da bolsa e 
entrar debaixo das cobertas.  Obrigada, Ivy. Um pouco antes de Dhanya colocar os fones no ouvido, Ivy percebeu um trecho da cano Aladdin, e sorriu para si mesma, 
imaginando se a Disney seria sua forma de encontrar algum conforto retr. Beth se aninhou em sua prpria cama, cobrindo-se com um leve cobertor. As noites em Cape 
eram frescas. Ao virar-se de lado, Beth esticou o brao em direo  cmoda que ficava entre sua cama e a de Ivy, deixando seus dedos descansarem sobre a estatueta 
do anjo. Ela viu que Ivy a observava e sorriu um pouco, fechando os olhos. Ivy deitou-se de barriga para cima, olhando para a janela baixa que ficava entre a sua 
cama e a de Beth. A lua nova havia comeado na noite anterior, e hoje um pequeno rastro prateado iluminava o cu. O perfume de Cape naquela noite, sal e pinho, era 
mais forte do que as plidas formas ao redor dela, fazendo com que os objetos cotidianos parecessem menos reais. O amor que ela havia compartilhado com Tristan era 
assim, mais forte do que qualquer emoo de sua vida atual, at mesmo do que seus sentimentos por Will. Ainda sentia a intensidade dessa dor. Apesar de no admitir 
isso a ningum, Ivy duvidava que um dia essa ferida fosse sarar. Por razes que no entendia, sua vida tinha sido poupada no vero passado, mas no tinha sido poupada 
da saudade que sentia de Tristan, era isso o que pensava ao enxugar a face molhada no travesseiro.

#O modo como Tristan a fazia rir, como ele a havia atrado para sua vida, como a apreciava quando ela tocava... como  que poderia deixar de sentir saudades de Tristan, 
um dia? Ivy virou-se de lado e esticou a mo para tocar o anjo entalhado em pedra. S muito tempo depois  que conseguiu adormecer.

#Captulo 3

N

a manh seguinte, enquanto Ivy, Beth e Dhanya se arrumavam para o trabalho, Kelsey dormia, com os lenis cobrindo-a at a cabea e os ps saindo da cama. Todas 
concordaram que, se no a tirassem da cama, o vero seria bem longo com elas trabalhando e Kelsey indo para a balada. Ela foi arrastada da cama, entrando na cozinha 
da pousada, s 6h33. As meninas e Will serviram o caf da manh, na animada sala matinal da pousada que possua uma enorme varanda, depois limparam os quartos e 
lavaram toalhas e lenis. No domingo, por volta do meio-dia, os hspedes do fim de semana fizeram o check-out e Beth e tia Cindy foram at a igreja em Chatham. 
Beth voltou com uma expresso de satisfao consigo mesma  Achei um piano para voc praticar, Ivy!  um modelo baby grand!  O padre John disse que voc  bem-vinda 
para usar o da igreja 

#explicou tia Cindy.  Apenas ligue antes para certificar-se de que haver algum para abrir a porta. Will sorriu para Ivy e disse:  Temos um vero todo de piqueniques 
aos domingos a nossa frente  sabendo como ela estava ansiosa para tocar novamente.  Podemos mudar nossos planos de caminhada  tarde, fazendo isso no fim do dia, 
perto do farol de Chatham, e nos encontramos na igreja. O sol estava se pondo no interior da madeira branca da Igreja de So Pedro; brilhava pelas janelas de vitral 
que percorriam as laterais do lugar, colorindo as paredes de vermelho e dourado. Uma janela acima do altar mostrava um barco no meio da tempestade, com Jesus estendendo 
a mo, convidando Pedro a atravessar as ondas. A me de Ivy escolhia as igrejas por causa do padre, e no por causa de crenas pessoais, ento Ivy frequentou uma 
variedade delas. No tinha como no se sentir em casa naquela igreja com anjos desenhados nas pequenas janelas laterais e um anjo guardando um pescador na janela 
redonda acima da entrada. Ela se aqueceu no piano, tocando escalas, procurando centrar-se a cada progresso, adorando o tom crescente e decrescente das notas. Como 
tinha esperanas de encontrar um piano, havia pedido  professora que lhe desse uma msica para trabalhar durante o vero. Comeou com Chopin, adorando as teclas 
suaves sob seus dedos, feliz por estar focada em seus esforos em aprender o primeiro movimento do concerto. Uma hora mais tarde, alongou-se e se levantou, movimentando 
os ombros enquanto andava pela pequena igreja. O ngulo do sol havia mudado, e o vermelho e dourado das janelas queimavam como fracas chamas em meio  crescente 
escurido da igreja. Ivy sentou-se e tocou a msica predileta de Philip, "To where you are". Philip tinha certeza de que a msica falava de Tristan. A primeira vez 
que Ivy ouviu a voz juvenil de Philip cantando a msica de Josh Groban, ela chorou. Ser que Tristan estava, como dizia a msica, a apenas um "suspiro de distncia"? 
Ser que, de alguma forma, ele a observava?

#Ivy sempre rezou para os anjos, mas os anjos no eram pessoas que havia conhecido e amado de verdade. Olhou para as janelas de vitral ao redor da igreja e continuou 
pensando. Os catlicos rezam para os santos e tambm para os anjos, e os santos foram pessoas da vida cotidiana. Quando chamava por Tristan em seus sonhos, estaria 
rezando para ele? Ou estaria simplesmente sentindo falta dele? No vero passado, quando Tristan voltou na forma de um anjo, ele conseguia ouvir Ivy. E Ivy, assim 
que voltou a acreditar em anjos novamente, conseguia ouvi-lo sempre que entrava em sua mente. Entretanto, assim que ela se safou de Gregory, Tristan partiu. Ele 
disse que a amaria para sempre, mas que no poderia ficar com ela. Daquele momento em diante, ela no conseguiu mais ver o brilho dele ou ouvir sua voz em sua mente. 
Ser que ele ainda a ouvia? Ser que ele tinha ao menos conscincia da existncia dela?  Se voc puder me ouvir, Tristan, essa  para voc  e comeou a tocar a 
"Sonata ao luar", de Beethoven, o movimento que havia tocado para ele na primeira vez em que ficaram juntos. No final, ficou parada por vrios minutos e as lgrimas 
rolaram em seu rosto.  Estou aqui, Ivy. Ela se virou e disse:  Will. Ele estava sentado no ltimo banco da igreja. Ela no o ouviu entrar. No profundo crepsculo 
do ambiente, no dava para ver o rosto dele. Ele se levantou devagar e caminhou em direo a ela, que rapidamente enxugou as lgrimas. Quando chegou at Ivy, havia 
tanta tristeza em seu olhar que ela teve de desvi-lo. Ele enxugou sua face gentilmente com as mos.  Essa foi a msica que voc tocou no festival  disse baixinho. 
 Era a msica do Tristan.  Sim.  Sinto muito por voc ainda sofrer. Ela concordou com a cabea em silncio, com medo de que a voz soasse

#trmula quando comeasse a falar.  O que voc quer que eu faa?  ele perguntou com a fala repleta de emoo.  Quer que eu saia? Fique? Posso esperar do lado 
de fora da igreja at voc se sentir pronta, se isso ajudar.  Fique, fique, Will. Estou pronta para ir. Venha comigo devolver a chave  sacristia e depois vamos 
caminhar. Will ficou perto dela, caminhando ao seu lado at o carro, mas no pegou em sua mo como de costume, nem mesmo a tocou. Ele dirigiu em silncio at o estacionamento 
do farol de Chatham. " apenas uma data", queria dizer a ele. " apenas aquela poca do ano em que as lembranas se remoem. Vai ficar tudo bem". Mas no conseguia 
dizer nada disso, pois no tinha certeza de que era verdade. O cu acima do oceano estava azul-escuro, as primeiras estrelas comeavam a surgir no cu. No cu a 
oeste, os ltimos respingos laranja desapareciam rapidamente, fazendo com que o longo trecho de praia, ao sul do farol, parecesse uma pintura prpura. Caminharam 
pela praia, bem perto da gua, segurando as sandlias na mo.  Recebemos um e-mail do Philip  disse Will finalmente.  Voc, Beth e eu. Ele quer que a gente d 
uma olhada no blogue dele.  No blogue dele!  Ivy exclamou.  Ei, d para respeitar? Eu li. Tem um comentrio interessante sobre o acampamento de vero. S espero 
que o monitor a quem ele chama de "braos de tarntula" no fique sabendo disso. Ivy riu.  Acho que o monitor  meio peludo.  E bem malvado, pelo menos para um 
menino de 10 anos. Ele designou os colegas de quarto aos rapazes. O colega de Philip vomitou nele.  Oh!  Isso foi depois que os outros garotos apostaram que o 
colega no conseguiria comer quatro cachorros-quentes em quatro minutos.  Entendi. Acho que o acampamento de vero funciona como um treinamento para viver em repblicas 
mais tarde.

#Will sorriu para ela, e ela entrelaou sua mo  dele.  O grupo de Philip se chama "Os Texugos". Ele  o melhor batedor e apanhador do grupo.   claro que  o 
melhor. Ele  meu irmo. Will riu e continuou.  Ele gosta de remar. No vejo a hora que venha nos encontrar. Quero lev-lo para andar de caiaque na Pleasant Bay. 
Ivy virou-se para olhar para Will. Seus cabelos negros esvoaavam com a brisa. Seus clios eram muito compridos e isso trazia suavidade aos seus intensos olhos castanhos. 
 Se bem me lembro, voc prometeu a ele que se vestiriam de pirata  disse Ivy.  Certo, bem, pode ser que ele se esquea dessa parte. Ivy balanou a cabea sorrindo 
e disse:  Philip no se esquece desse tipo de promessa. Espero que vocs dois no aterrorizem as garotas que estiverem se bronzeando na praia. Will riu e colocou 
o brao ao redor do ombro dela. Continuaram caminhando, conversando sobre Philip e desviando a conversa para falar de alguns hspedes esquisitos do ltimo fim de 
semana.  O pessoal no quarto da estrela-do-mar  disse Will, referindo-se  sute decorada com o tema de estrelas-do-mar -, a mulher era me ou esposa dele?  A 
nica coisa que sei  que ela no era a jovem amante dele.  Talvez ele seja o jovem amante dela. Ivy deu uma gargalhada e disse:  A Beth vai encher seus cadernos 
de personagens. Novamente encontraram o ritmo descontrado que os acompanhava nos ltimos oito meses, caminhando e conver-sando juntos. Ao voltar para o carro de 
Will, Ivy olhou para o alto do farol e para o feixe duplo iluminando o cu estrelado.   bonito  disse.  Assim como voc  respondeu Will com doura, puxando-a 
para perto dele. Os braos dela escorregaram por entre os dele. Ele abaixou a cabea.

#Mesmo de olhos vendados, j imaginava seus beijos: gentis, apaixonados, vidos e cheios de entrega. Conhecia a curva do lbio superior dele; o lugar entre o pescoo 
e o ombro em que aninhava a cabea; o espao entre os dedos dele que gostava de acariciar e a forma como sua mo se encaixava na dele. Ivy sabia dessas coisas e 
as amava e da mesma forma amava os beijos de Will. Entretanto, no conseguia parar de pensar em Tristan. Uma hora e meia depois, Ivy estava de p na soleira do chal, 
vendo Will voltar para o quarto no celeiro, reformado, assobiando, com esperana de pintar alguma coisa. Precisando de espao para pensar, Ivy foi dar uma volta 
pela parte da pousada que dava para o mar. Como s havia dois casais hospedados at segunda-feira, as espreguiadeiras na varanda e no gramado estavam vazias. Os 
arbustos margeavam o gramado e abriam caminho para pequenas rvores que cobriam o lado em que o declive era muito alto e caa no mar. No fim do jardim, um local 
coberto de videiras levava at os degraus de madeira, 52 exatamente, Ivy havia contado, chegando at uma passarela estreita que ligava a trilha s dunas cobertas 
de grama. No meio da escadaria havia uma pequena plataforma repleta de bancos ornamentais. Ivy sentou-se, olhando para o norte. Durante o dia, a vista era espetacular; 
as ondas do mar quebrando sobre um banco de areia formavam uma piscina natural onde os pescadores de lagosta e outros navegantes atracavam. Em uma noite sem luar 
como aquela, os limites da terra, da gua e do cu eram quase indistintos; as dunas e a praia eram to profundas que no dava para Ivy ouvir as ondas quebrando. 
O mar, porm, se fazia presente pelo forte cheiro de sal e pela brisa mida. Era dessa forma que Ivy pensava em Tristan, no conseguia v-lo nem ouvi-lo, mas, mesmo 
assim, sentia sua proximidade. Ivy engoliu em seco. O que havia de errado com ela? Estava namorando Will h muito mais tempo do que o que passara com Tristan, ento 
por que no conseguia parar de pensar nele? Lembrou-se do que a me de Tristan lhe dissera certa vez: "Quando se

#ama algum, no acaba nunca. Voc supera porque tem de superar, mas o leva consigo em seu corao para sempre". Ivy achou que tivesse conseguido superar. O que 
mais a afligia era que Will tambm achava que sim. Ivy amava Will. Mas ser que o amava o suficiente, j que no o amava da mesma forma que amava Tristan? Talvez 
sua ideia de amor fosse muito exigente; talvez esperasse demais de si mesma e de Will. Ivy desceu at a areia, depois caminhou pela beira do mar, encontrando liberdade 
nos movimentos incessantes e repetitivos da gua. No fazia ideia de quanto tempo havia se passado, mas, quando finalmente voltou ao chal, viu que Beth estava de 
p na varanda, com o celular em mos.  Ivy! Graas a Deus voc voltou!  Aconteceu alguma coisa?  Temos de buscar Kelsey, antes que ela faa uma besteira. Quer 
dizer, mais besteira  Beth se corrigiu, sorrindo.  Pegue a chave do seu carro. Eu tenho o endereo, quer dizer, mais ou menos.  Onde est Dhanya?  Com a Kelsey. 
E s um pouquinho mais sbria do que ela.  Onde est tia Cindy?  perguntou Ivy.  Ainda no voltou. O telefone de Beth tocou.  L vamos ns novamente  depois 
de ouvir por um momento, disse:  Dhanya, j te disse antes. Tire as chaves do alcance dela. Jogue-as no mar se for preciso. No, no! Dirigir no  uma boa ideia 
para voc.  J volto  disse Ivy.   melhor chamar o Will?  perguntou Beth.  No, ele est pintando, e vai levar muito tempo para se limpar. Ivy voltou com as 
chaves e a carteira, e elas entraram correndo no carro.  Para onde vamos?  perguntou Ivy ao ligar o carro.  Para uma rua que fica em algum lugar perto da 28.

# Beth, trs quartos de Cape Cod ficam perto da 28.  Ela disse Marsala Road. Mas nunca ouvi falar nessa rua. Ivy inseriu o nome no GPS, com Orleans como cidade, 
depois Brewster e depois Harwich.  No tem nada com esse nome.  Ela disse que passaram por um farol. Tente Eastham ou Chatham, h faris por l. Primeiro Chatham. 
Minha prima sempre vai aonde o dinheiro est.  Marsala Road, aparea, Marsala Road  disse Ivy.  Morris Island Road  exclamou Beth de sbito.  Aposto que  l. 
Ela no estava se expressando direito. Acho que tem um lugar em Chatham que se chama Morris Island. Ivy digitou.  Acabei de ter uma ideia para um novo aplicativo. 
Um que interprete orientaes dadas por garotas bbadas no meio da balada  disse, apontando para a rota que apareceu na tela.  L est, ao sul do farol. Ivy saiu 
da estrada de cascalho e foi em direo a Cockle Shell Road.  Sei o caminho at o farol. Will e eu caminhamos pela praia hoje  tarde. Ivy fez a volta com o carro. 
Quando chegaram  estrada 28, aumentou a velocidade, feliz por j ser 23h50 e por isso no estar to cheio.  Tenho vontade de estrangular Kelsey  disse Beth.  
Tenho vontade mesmo.  Tente falar com ela pelo celular.  Tentei. No consegui.  Ento tente falar com a Dhanya novamente. Precisamos de um endereo. Conforme 
Ivy dirigia, pensava em Will. Ele ficaria chateado por no terem pedido a ajuda dele. Mas Ivy no podia pedir mais um favor, sabendo o que j tinha feito por ela, 
sabendo que, enquanto ela o beijava, tudo em que conseguia pensar era...  Ela no est atendendo  disse Beth.  Continue tentando.

#Elas dirigiram pela rea comercial de Chatham e passaram pelo farol. As casas de praia alinhavam-se pelos dois lados da rua, a maioria das janelas estava apagada. 
 Devemos estar nos aproximando do Stage Harbor  disse Beth ao olhar para a tela do GPS.  L est. A rua em que estamos vai dar direto na Morris Island. Um minuto 
mais tarde, entraram na comunidade reflorestada da ilha. Os faris do carro de Ivy mostravam uma rua estreita e cheia de curvas e rvores.  Quer que eu continue 
indo? No  um lugar muito bom, s tem algumas ruas  disse, olhando o mapa.  Talvez possamos ir mais devagar e tentar ouvir o barulho de festa. Elas abaixaram 
os vidros dos carros. Ivy foi bem devagar, ouvindo atentamente. A rua terminou em uma bifurcao. Enquanto Ivy virava o carro, Beth tentou ligar para Dhanya novamente. 
 Consegui! Dhanya, oua-me. Estamos perto. Qual  o endereo? Ento, pergunte para algum! Quem  que est dando a festa? A pessoa deve saber onde mora! Beth virou-se 
para Ivy e disse:  Inacreditvel! Ela est tentando achar o dono da bebida. Ivy balanou a cabea negativamente e dirigiu bem devagar pela estrada em que estavam. 
No seria um retorno to legal at a pousada, pensou.  Ivy, cuidado! Luzes de faris vieram do nada. A pessoa dirigia como louca, como se no houvesse ningum mais 
na estrada. Ivy pisou no breque e ento percebeu que parar no ajudaria. Tinha de desviar, mas a estrada era estreita demais. Acelerou, tentando encontrar um acostamento 
para estacionar.  Ah, meu Deus!  Beth gritou. Ivy virou a direo para a direita com muita fora. Em um minuto, dava para sentir a estrada sob o carro; no minuto 
seguinte, no havia mais nada. Duas rodas foram erguidas no ar enquanto o carro rolava e um mundo

#de rvores e escurido girava ao redor delas.  Beth? Beth?  a voz de Dhanya parecia to fraca e distante no telefone que pulava do carro. O lado do motorista 
bateu em algo slido. Ao se amassava para a parte de dentro. Antes que pudesse gritar, o mundo de Ivy entrou em um buraco negro.

#Captulo 4

P

or um momento, Ivy no tinha conscincia de nada alm da escurido. Parecia que o peso da noite havia recado sobre ela, e, ento, de forma inesperada, a presso 
se foi.  Beth? Beth, voc est bem? Os olhos de sua amiga se abriram de uma vez.  Beth. Graas a Deus  disse Ivy, aliviada.  Temos de sair deste carro. O meu 
lado est todo amassado. Vamos ter de usar o seu, certo? Beth olhava para ela sem dizer nada.  Voc est me entendendo?  perguntou Ivy, incerta. Beth continuou 
a olhar para Ivy.  Vou ajud-la  disse Ivy, tentando levantar sozinha, mas sem conseguir sair do lugar.  Pensando bem, acho melhor voc me ajudar. Estou presa.

#Beth olhava para ela como se no conseguisse entender o que estava vendo.  O que foi?  Ivy perguntou. Beth comeou a tremer.  Beth. Responda. No entanto, era 
como se a amiga no pudesse ouvir ou entender o que ela estava dizendo.  Responda, Beth, por favor! Beth abriu a boca. E no parou mais de gritar.  Est tudo bem, 
est tudo bem  disse Ivy, tentando acalm-la. Mas Beth comeou a soluar.  Vamos ficar bem. Ah, anjos, nos ajudem. Tristan, ajude. Tristan, precisamos de voc 
 clamou Ivy. Finalmente, viu-se livre do que a prendia.  Tudo bem agora  disse, tocando Beth, mas recuando, surpresa. No conseguia sentir o ombro de Beth. Tocou-a 
novamente e olhou sem acreditar na prpria mo que passava pelo corpo da amiga. Ento Ivy comeou a entender por que Beth estava gritando, por que estava soluando. 
Livre de seu corpo, Ivy estava leve, to leve quanto um raio de luar flutuando para o alto. Olhando para baixo, via seu prprio corpo no carro capotado, o airbag 
acionado, e as ferragens do para-brisa entortadas para dentro. Ela viu a prpria cabea batida nas ferragens, o sangue escuro escorrendo. A nica dor que Ivy sentiu 
foi uma intensa saudade daqueles que amava. Abaixo dela, a nvoa da noite encobria Beth e o carro batido. Pela estreita rua, um outro carro vinha em alta velocidade. 
A terra e o mar se uniam na escurido. A sensao de nostalgia da despedida era a nica coisa que a impedia de seguir noite adentro. Falou os nomes daqueles que 
amava, pedindo aos anjos que olhassem por eles: "Philip, mame, Andrew, Beth, Will, Suzanne... Tristan. Tristan.  Meu amor.

#Ivy ficou de p, suspensa dentro de uma catedral de estrelas. O velho mundo aos seus ps ficou imvel, como se o tempo tivesse parado.  Tristan?  Meu amor.  
Tristan!  Ivy fechou os olhos para que a voz dele ficasse mais forte.  Eu posso mesmo ouvir voc? Isso  possvel? Oh, Tristan, mesmo na morte, quero voc perto 
de mim.  Mesmo na morte, meu amor.  Para sempre, Tristan.  Para sempre, Ivy  um brilho dourado cobria seu corpo.  Voc me disse que eu tinha de seguir adiante 
 disse Ivy, chorando pela lembrana de t-lo perdido, rindo pela alegria de t-lo encontrado.  Voc disse que eu estava destinada a outra pessoa, mas no consegui 
me entregar.  Nem eu.  Todos os dias, todas as horas, era voc quem estava em meu corao.  E voc no meu.  No me deixe, Tristan  implorou.  Por favor, no 
me deixe novamente  disse, sentindo o calor que a envolvia.  Preciso de voc.  Sempre estarei com voc, Ivy. Ela sentiu o beijo dele em seus lbios e disse:  
No me solte!  Prometo, Ivy, sempre estarei com voc  ele repetiu. Seu amor se estendia por todo o corpo dela, a pureza do calor que emanava dele a queimava por 
dentro. Subitamente, ela sentiu seu corao batendo, batendo forte em seu peito, como um pssaro engaiolado. Ento, ele a soltou.

#Captulo 5

D

o que mais voc se lembra?  a policial perguntou. Ivy olhou para as nuvens plidas do amanhecer pela janela do quarto do hospital.  Somente disto. O carro, o veculo 
 corrigiu-se, j que era assim que se referiam a ele  veio na direo contrria para cima de ns. Ele vinha rpido demais. Tive de desviar dele.  Dele?  Ou dela. 
Ou deles. Assim de frente, e no escuro, tudo o que dava para ver eram os faris  lembrou-se de ter olhado para um veculo e de ter suposto que se tratava de um 
carro. Mas a perspectiva de algum flutuando sobre o carro dela na estrada em que o acidente ocorreu, no fazia sentido algum para a polcia. Quase no fazia sentido 
para Ivy, ela mais sabia, do que entendia, o que havia acontecido. No momento em que Ivy recuperou a conscincia, seu esprito parecia

#extremamente leve, mas seu corpo estava pesado e desengonado. Ela se prendeu  memria de ter estado com Tristan, com medo de que fosse se esvair por entre seus 
dedos.  Voc se lembra de algum som emitido pelo veculo?  perguntou a policial. Perdida em seus pensamentos, Ivy ficou olhando para a mulher sem entender nada, 
at ela repetir a pergunta.  No  disse Ivy.  Beth estava gritando, pedindo para que eu tomasse cuidado. Isso  tudo de que me lembro. J tinham conversado sobre 
o motivo de estarem na estrada naquele horrio. Ivy sabia que ela e Beth haviam passado por exames toxicolgicos. Naquela altura, o enfermeiro entrou no quarto. 
O rosto genial de Andy foi a primeira coisa que Ivy se lembrou de ter visto aps dar entrada no Hospital Cape Cod, h seis horas. No se lembrava de nada do prontosocorro, 
mas ficou sabendo que Beth, Will e tia Cindy tinham se dividido em turnos para ficar com ela, dormindo nos sofs da sala de espera, e que sua me estava a caminho. 
 Ivy teve uma noite difcil  disse Andy.  J acabei  disse a policial, levantando-se.  Se aparecerem mais perguntas, entrarei em contato. Cuide-se. Andy verificou 
o registro dos sinais vitais de Ivy no computador do quarto e balanou a cabea.  Nossa "garota milagre"! Gosto de comear uma semana de trabalho com um milagre 
 disse o enfermeiro bronzeado, de cabelos ruivos, com seus 40 e poucos anos. As linhas ao redor dos olhos enrugavam-se quando sorria.  Seus sinais esto bons. 
Como voc se sente?  tima.  Voc no fingiria, no  mesmo?  No. Bem... talvez um pouco  admitiu.  Isto  todo o meu caf da manh? Ele levantou a tampa e 
viu que o prato, assim como a bandeja, estavam vazios.  Acho que voc no est fingindo. Sabe, se ficarem sabendo disso,

#logo vai haver religiosos fanticos se reunindo por aqui, querendo tocar sua cabea. No fao a mnima ideia de como essa ferida na cabea parou de sangrar, ou 
de como, dada a quantidade de sangue no seu carro, de acordo com a descrio do ambulatrio, os hematcritos esto normais. Mas esto. O mdico disse que j viu 
um caso como o seu, mas, entre ns  disse Andy, abaixando o tom de voz -, o cara se acha. Ele s no quer admitir que h algumas coisas que nem ele, nem a medicina, 
conseguem entender. Como os anjos, pensou Ivy. Ser que Tristan a havia curado? Ser que ele a salvara?  Voc tem visitas. Mame e irmozinho primeiro?  perguntou 
o enfermeiro.  Por favor. Andy se dirigiu para a porta, mas voltou para abrir a gaveta ao lado da cama de Ivy. Colocou mais uma caixa de lenos de papel em cima 
da mesa  Pode ser que voc precise disso.  Ah, querida!  disse a me, entrando apressada com Philip bem atrs. Andy tinha razo. Vrios lenos de papel depois, 
Ivy disse:  Que bom que voc no est usando delineador, mame.  Nem batom  acrescentou Philip. Os olhos dele, verdes como os de Ivy, estavam bem vermelhos.  
Nem aquilo que ela usa nas bochechas. Ela deixou essas coisas em casa. Maggie raramente se afastava de seu kit de maquiagem.  Sinto muito por t-la chateado, mame. 
 Ela at esqueceu o pente  disse Philip.   por isso que o cabelo dela est desse jeito. Maggie ajeitou o cabelo, constrangida.  Minha cabea est focada em 
voc, querida. Mas no se preocupe. Lembrei-me de trazer algo para voc vestir enquanto estiver aqui. "Uh-oh", pensou Ivy.  Felizmente, a camisola e o roupo que 
dei a voc no Natal passado, mal foram usados.

#Principalmente porque no foram usados. A amiga de Ivy, Suzanne, que estava passando o vero na Europa, havia sugerido que ela usasse o traje no baile de formatura, 
ou em uma festa de halloween. Claro que no era nada comparado ao traje de dama de honra que sua me havia escolhido para ela usar quando se casou com Andrew. Scarlett 
O'Hara em um balde de glitter, era o que Ivy pensava toda vez que via as fotos do casamento. Mas isso a fazia sorrir, pois, no meio de vrias fotos informais do 
casamento que ficavam no fim do lbum, havia uma foto de Tristan, com uniforme de garom, derrubando uma bandeja de legumes frescos em cima dos noivos...  Ivy, 
voc est ouvindo?  perguntou Maggie.  Quer que eu a ajude a se vestir?  Vou usar s o roupo  disse Ivy. Como a camisola, o roupo era rosa, transparente e 
cheio de plumas.  Viu s? Deixa seu rosto mais corado  disse a me. Philip brincou um pouco com as plumas, depois abriu sua mochila e disse:  Trouxe duas coisas 
para voc.  Um bon dos Yankees! Obrigada  disse Ivy, colocando-o.  Isso vai me deixar bem popular com os mdicos e os enfermeiros da nao Red Sox. Ele mostrou 
seu segundo presente, uma moeda, que ps na palma da mo dela. A pea dourada, com 2 centmetros de dimetro, tinha a imagem de um anjo com as asas abertas, estampada 
nos dois lados.  Veio pelo correio.  Parte de um pedido de ajuda de uma entidade beneficente religiosa  explicou a me.   bonita. Obrigada, Philip. Vou deix-la 
bem do lado da minha cama.  Esqueci! O papai me disse para mandar um abrao. Ele est em uma conferncia em Washington  disse Philip, divertindo-se por abraar 
Ivy levemente, da mesma forma que Andrew teria feito. Fazia alguns meses que Philip havia comeado a chamar Andrew de "papai". O irmo era jovem o bastante para 
se adaptar a isso, especialmente por no conseguir se lembrar de quem era seu pai verdadeiro.

# E como vai o "braos de tarntula"?  perguntou Ivy.  Ele no vai sentir sua falta no acampamento, hoje?  Amanh, tambm  disse Philip todo alegre.  Vamos 
passar a noite aqui.   srio, mame?! No h necessidade. Olhe para mim, estou bem!  Mas eu no estou  respondeu Maggie.  E Philip e eu j reservamos um quarto 
na Seabright.  Will vai me levar para andar de caiaque  disse Philip.  Ele vai?  E vai arrumar umas varas de pescar.  Que bom!  E ele disse que viu uma loja 
de pipas, incrvel, na estrada 28. Ivy sorriu e engoliu em seco. Philip amava Will, como havia amado Tristan. Se ela e Will terminassem... Ivy no queria pensar 
nisso.  Vamos deixar Will v-la agora  disse a me de Ivy.  Ele est bem chateado. Viu o seu carro antes de ser guinchado. Acho que, de alguma forma, isso foi 
mais assustador para ele do que para voc.  , posso entender. Voc pode pedir a ele e Beth que entrem?  Juntos?  perguntou a me em um tom surpreso.  Claro. 
Assim que Maggie e Philip saram, Beth entrou correndo no quarto e se jogou em cima de Ivy. Depois recuou, perguntando:  Estou machucando voc? Ivy abraou-a e 
disse:  No tem nada para machucar. Will entrou quietinho atrs de Beth. Ivy sorriu para ele, ainda abraada a Beth.  No acredito que voc esteja bem  disse 
Beth, tocando suavemente a tmpora de Ivy.  No carro, quando olhei para voc...  estremeceu.  Queria poder tirar essa imagem da minha mente. Eu no sei como fui 
imaginar aquilo. Ivy olhou nos olhos de Beth, querendo saber o que Beth tinha visto,

#desejando falar com ela sobre a experincia que tinha vivido. Ser que Beth, que era mdium, havia sentido alguma coisa? Ivy queria que Beth confirmasse que o abrao 
de Tristan fora mais que um sonho, mas os olhos de Beth estavam cobertos de confuso e preocupao.  Beth, voc parece estar pior que eu. Voc est bem?  perguntou 
Ivy.  Sim. Claro.  No me lembro de nada do pronto-socorro. Eles a examinaram, certo? Beth concordou com a cabea e disse:   s uma pequena batida na cabea. 
 Mas uma enorme dor de cabea  falou Will, finalmente.  Estou tentando faz-la pegar leve. Ele estava de p atrs de Beth, olhando para Ivy por cima dos ombros 
da amiga. Ser que conseguia perceber nos olhos dela? Ser que sabia que, mais do que nunca, ela estava pensando em Tristan? Talvez no, pensou Ivy, tentando segurar 
a mo de Will. Ele aconchegou a mo dela por entre as suas. Ivy conhecia as mos de Will de cor, dedos alongados e fortes, quase sempre manchados de tinta. Ela adorava 
as mos dele.  Voc me matou de susto  disse Will, com a voz trmula.  Ah, Will. Sinto muito. Ele deu um passo  frente para abra-la, segurando-a com todo cuidado. 
 Ei, no vou quebrar. Acho que j provei isso  disse, abraando-o com fora. Ela comeou a chorar, sem saber direito todos os motivos do choro. Will limpou suas 
lgrimas com o carinho de sempre. "Sempre estarei com voc", Tristan lhe dissera. E era verdade, sentia que a promessa estava gravada em seu corao. No entanto, 
Tristan a curou s para mand-la de volta para Will com sua beno? Ivy pegou a caixa de lenos de papel.  O enfermeiro Andy sabe das

#coisas. Sirvam-se.  Vou mesmo  disse Beth, enxugando o rosto. Ela e Ivy assoaram o nariz ao mesmo tempo, o que fez com que os trs cassem na risada.  Vi que 
sua me trouxe o roupo. Os trs riram novamente. Uma batida na porta seguiu-se por Andy mostrando a cabea na abertura da porta, parcialmente fechada, do quarto 
de hospital.  Muito bem, "mulher maravilha"  disse, empurrando a cadeira de rodas para dentro do quarto.  Tenho de mandar seus fs para casa.  Voc est sendo 
chamada no mundo das tomografias  disse, batendo com a mo no assento da cadeira. Ivy abraou Beth e Will mais uma vez.  Depois que vocs descansarem, se quiserem 
me fazer um grande favor, passeiem com Philip.  Se  isso que voc quer  respondeu Will, parecendo um pouco magoado.  Obrigada, Will. Quando eles saram, Ivy 
virou-se para Andy, que apontava para a cadeira de rodas, e disse:  Prefiro andar.  Sinto muito,  contra as regras.  Mas eu me sinto tima. Poderia caminhar 
e andar de bicicleta por quilmetros de distncia  insistiu.  Ento, se ningum estiver olhando, vou deixar voc empinar a cadeira. Ivy riu e disse:  Est certo, 
vamos passear.

#Captulo 6

empre estarei com voc... sempre estarei com voc... sempre...  J atendo voc  Ivy ouviu uma enfermeira dizer a um paciente. Abriu os olhos rapidamente, viu que 
horas eram no relgio do hospital, 16h12, e ento deixou a cabea cair em suas mos. Estava acontecendo novamente: por vrios meses, aps a morte de Tristan, toda 
vez que Ivy acordava de um sonho feliz com ele, sentia uma dor como se o estivesse perdendo pela primeira vez. Naquele momento, estava sonhando, Ivy sabia disso. 
Mas ontem  noite no foi sonho, pensou. Na noite anterior tinha sido diferente, parecia real.  Ei, "mulher maravilha"! A porta do quarto de Ivy se abriu.   assim 
que esto te chamando  disse Kelsey, entrando no quarto,

S

#seguida de Dhanya, que carregava uma sacola de compras.  Oi, Ivy  o tom de voz de Dhanya era mais meigo e mais preocupado.  Ai, meu Deus!  exclamou Kelsey ao 
ver o roupo cor-de-rosa de Ivy pendurado na cadeira de rodas ao lado da cama.   um presente da minha me  explicou Ivy. Kelsey pegou o roupo e o olhar de preocupao 
de Dhanya se transformou em uma risadinha abafada. Ivy sorriu.  No armrio tem uma camisola para combinar  disse, virando os ps para a lateral da cama.  Vou 
pegar  ofereceu Dhanya rapidamente.  Vai ser bom dar uma caminhada  disse Ivy.  Ah, Ivy. Eu sinto muito. Nunca devia ter telefonado para Beth para pedir ajuda. 
Sou responsvel pelo que aconteceu com voc. Foi culpa minha. Se eu no tivesse...  Espere um pouco. Escute  Ivy interrompeu Dhanya.  Voc agiu bem em ligar para 
Beth. Voc e Kelsey...  fez uma pausa, forando Kelsey a olhar em seus olhos para admitir que tinha uma enorme participao nisso  so responsveis por terem bebido 
e por terem ficado bbadas, mas no pelo acidente. Vocs no causaram o acidente. Certo? Dhanya concordou com a cabea. Uma lgrima enorme rolava em seu rosto.  
Dhanya, melhor voc guardar isso para hoje  noite  disse Kelsey.  A tia Cindy nos colocou de castigo  Kelsey explicou a Ivy.  E marcou uma conversa com nossos 
pais pelo Skype. Ela abriu o armrio e assobiou.  Dhanya, isso supera as suas camisolas das princesas da Disney. Dhanya enrubesceu.  Voc viu os vestidos de noiva 
da Disney, no viu, Ivy?  perguntou Kelsey.  Dhanya no tem namorado, mas fica o tempo todo pensando em qual vestido vai usar quando se casar.  D um tempo, Kelsey 
 disse Dhanya baixinho.

#Kelsey tirou a camisola do cabide e perguntou, provocando a amiga:  Quer experimentar? Kelsey tirou a camiseta e abaixou os shorts, estava de biquni por baixo 
e vestiu a camisola. Com a mesma constituio da Serena Williams, ela parecia incrvel e engraada ao mesmo tempo.  Vamos at o solrio. Coloque o roupo e podemos 
fingir que somos gmeas.  Ou vista este aqui  disse Dhanya, abrindo a sacola e pegando o roupo verde-claro de Ivy.  Obrigada  respondeu Ivy, agradecida, e rapidamente 
vestindo o roupo. Kelsey pegou o celular do bolso dos shorts que havia acabado de tirar e disse:  Estou pronta. Ivy sentou-se na cadeira e Dhanya a empurrou. Kelsey 
caminhava ao lado delas de biquni e camisola transparente, acenando para as pessoas nos quartos, e depois acenando tambm para os funcionrios de planto como se 
fosse a rainha do desfile dos veteranos de guerra. Ivy no conseguia evitar o riso. O solrio, atrs das portas do fim do corredor, era um osis tranquilo, longe 
do barulho do hospital e dos rudos dos aparelhos; iluminado pelo sol em vez da fria luz fluorescente das reas mdicas. Havia cadeiras de vime, samambaias e vasos 
com gernios vermelhos que faziam com que Ivy se sentisse sentada em alguma varanda.  O lugar  s nosso  disse Dhanya.  Perto da janela?  Perfeito. Dhanya parou 
a cadeira de rodas e puxou uma cadeira de balano para perto de si, ajeitando-se to elegantemente quanto uma gata. Kelsey se esticou em uma cadeira de vime, olhando 
para a tela do telefone.  Ento, deixe-me contar sobre os caras que conhecemos  disse Kelsey a Ivy logo em seguida.  Pense em lindo e rico.  Pensei.

# Mais rico do que lindo  corrigiu Dhanya. Kelsey deu de ombros.  Os carros deles so lindos. Os barcos so lindos.  Isso se eles realmente tm aqueles carros 
e barcos, e no estavam contando umas mentirinhas, como voc  retrucou Dhanya. Kelsey deu de ombros novamente e disse:  O que tem exagerar um pouco?  A festa 
foi em uma casa fantstica  Dhanya disse a Ivy.  Ento algum tem dinheiro  virou-se para Kelsey e disse -, mas vai saber quem  quem. Kelsey bufou para expressar 
seu desgosto.  D para ver ao conversar com eles. Mas voc no conversava. Voc  to esnobe, Dhanya! Voc quer dinheiro, aparncia e classe. Voc passa muito tempo 
com os seus pais. Ivy tentou se lembrar do que Beth havia falado sobre os pais de Dhanya. A me dela era de uma rica famlia indiana. Veio para os Estados Unidos 
para fazer faculdade e se apaixonou por um americano. O pai dela era... advogado?  T, eu nivelo por cima  rebateu Dhanya.  Se posso ter o que quero, por que 
vou me contentar com menos?  ela perguntou, olhando para Ivy, que sorriu e continuou discretamente quieta, mas mentalmente marcando o "ponto" para Dhanya.  Ento 
 disse Kelsey de uma maneira forada, desviando o olhar de Ivy para a porta de entrada do solrio -, agora j sei qual praia todos eles frequentam.  Ivy no est 
disponvel para arrumar namorado  Dhanya lembrou Kelsey, depois virou-se para ver o que estava chamando a ateno da amiga.  Eu sei, mas no h problema algum 
em olhar  respondeu Kelsey, aproximando-se de Ivy, dando a entender, de um jeito no to sutil, que Ivy deveria se virar.  E se eu no quiser?  provocou Ivy. 
 Qual , Ivy? Voc ainda no se casou!  disse Kelsey, sentando-se na

#espreguiadeira novamente e erguendo um dos joelhos para permitir uma boa vista da sua perna bem torneada. Ivy perguntou-se para quem seria o show de provocao, 
mas mesmo assim no se virou.  Ei, no seja tmido  disse Kelsey  pessoa que havia acabado de entrar no solrio.  Venha at aqui.  Eu estava de sada. A pessoa 
que chamou a ateno de Kelsey e Dhanya tinha uma voz profunda.  Mas voc acabou de chegar  respondeu Kelsey, sorrindo. "Coitado", pensou Ivy, "devia estar procurando 
paz e sossego".  No se assuste com a minha roupa  insistiu Kelsey.   da minha colega de quarto  disse, apontando para Ivy.  Se voc acha que isso  sexy, 
voc tem de ver a roupa de praia dela!  Kelsey!  Ivy virou na cadeira, pronta para se defender. Entretanto, quando olhou para o rapaz, todas as palavras fugiram 
de sua boca. Seus intensos olhos azuis pareciam queimar diante dos comentrios provocativos e das explicaes tolas. O olhar dele parecia ao mesmo tempo assombrado 
e desdenhoso, como se tivesse vivido algo e soubesse de algo terrvel que Ivy e suas amigas jamais entenderiam. Ivy no conseguia desviar o olhar dele, e ele no 
parava de olhar para ela. O rosto dele, marcado pela barba por fazer h vrios dias, era mais impressionante do que belo. Barbeado e iluminado por um sorriso, seria 
um rosto capaz de partir o corao de qualquer garota, pensou Ivy. Sem dizer mais nada, ele virou a cadeira de rodas e saiu. Ivy ouviu a voz de Andy no corredor: 
 J? Tudo bem, amigo.  Aposto que  ele  Dhanya sussurrou para Kelsey.  O cara de quem estavam falando quando paramos para perguntar onde era o quarto de Ivy. 
 Voc est dizendo que ele  aquele cara que foi tirado do mar em Chatham?  indagou Kelsey. Dhanya franziu o cenho e disse:  Achei que ele tivesse sido encontrado 
inconsciente na areia, perto da gua.

# Tanto faz. Deve ter sido uma festa e tanto. Mais pesada do que a nossa  comentou Kelsey, virando-se para Ivy.  Ele no fala para ningum o que aconteceu ou 
como ele chegou naquele lugar. Ele nem mesmo quer falar quem ele .  No  que ele no quer, ele no pode  corrigiu Dhanya.  Ele no consegue se lembrar de nada. 
  o que ele diz  apontou Kelsey.  O que ele tem?  perguntou Ivy.  Pelo que eu sei, nada  disse Kelsey.  Ele  grosso, mas eu o perdoo. Que rosto! Ivy reformulou 
sua pergunta.  Mas por que ele foi internado? Foi por algum outro motivo alm de amnsia? Kelsey olhou para Dhanya para que ela respondesse. Dhanya deu de ombros. 
 De qualquer forma  disse Kelsey -,  bvio que Chatham  onde devemos estar.  Temos nossa prpria praia na pousada  salientou Ivy.  Ivy, voc precisa parar 
de pensar s em si e pensar um pouco em Beth.  O qu?  perguntou Ivy, chocada.  Voc conhece a minha prima, ela s ir para Chatham se voc e o Will forem. Ela 
precisa arrumar um namorado. Ela est muito presa a voc. Ivy franziu a testa, perguntando-se se havia alguma verdade naquilo. Kelsey olhou para o telefone novamente. 
 Uma grande chance!  disse, em resposta  mensagem de algum.  Apaga. Apaga. Apaga... Pronta, Dhanya? Dhanya levantou-se e se preparou para empurrar a cadeira 
de Ivy.  Posso voltar sozinha. Vou ficar mais um pouco no sol. Dhanya enfiou a mo na bolsa e pegou um pequeno bastonete de manteiga de cacau, entregando-o a Ivy. 
 Passe perto dos olhos e finja estar na praia.

#Ivy tirou a tampa para cheir-lo.  Mmm... Muito melhor do que o desinfetante do hospital. Obrigada.  Tenho de pegar minha camiseta e os shorts, ento vou deixar 
esta camisola maravilhosa em cima da sua cama  disse ao levantar e dar uma pirueta para sair danando pela porta.  Obrigada por terem vindo  Ivy disse enquanto 
elas saam. Dhanya deu um leve abrao em Ivy e disse:  Volte logo para casa  e depois seguiu Kelsey para fora do solrio. Ivy empurrou a cadeira at uma outra 
janela que servia de abrigo para uma ilha de plantas. Ela ficou ali sentada por um bom tempo, olhando para as rvores e para os edifcios ao redor do hospital, pensando 
na distncia. Como  que podia se sentir como se tivesse sido beijada por algum que estava em outro mundo e como se estivesse perdendo contato com algum que estava 
perto o suficiente para beij-la? "As lembranas so uma maldio", pensou. Se no se lembrasse de Tristan, poderia amar Will da forma como ele merecia ser amado. 
Depois de um tempo, decidiu voltar para o quarto. Foi a que viu o garoto sem lembrana alguma. Ele tinha voltado ao solrio e estava sentado em silncio por l. 
Ao virar a cabea, seu olhar encontrou-se com o dela. Desviou o olhar, mas voltou a encar-la novamente, e a expresso de procura em seus olhos dizia a Ivy que ele 
no estava fingindo. Ele estava assombrado por aquilo de que no conseguia se lembrar. Ivy parou, deixando a sua cadeira a alguns metros da dele e disse:  Lembrar-se 
pode ser to doloroso quanto no ter lembrana alguma. O rosto dele ficou sombrio ao dizer.  Pode mesmo? Como voc sabe? De certa forma, ele tinha razo; ela no 
sabia nada da dor dele, assim como ele no conhecia a dela. E no havia razo para compartilhar. Era bvio que ele no queria isso.  Faa como quiser  ela disse 
e saiu.

#Captulo 7

N

a tera-feira de manh, Ivy teve alta do hospital.  Assim que chegar em casa, vou mandar para voc o restante das suas roupas de vero  disse a me de Ivy enquanto 
esperavam Andy trazer os papis da alta.  Sabe o que , mame? No h muito espao no chal. A nica coisa de que preciso  um par de tnis. O par que ela vinha 
usando estava ensopado de sangue, assim como as roupas que estavam no hospital. O pessoal do pronto-socorro tinha colocado tudo em uma sacola para Ivy e, antes de 
jogar tudo fora, ela ficou chocada ao olhar para as roupas. Mais do que nunca acreditava que Tristan a tinha ajudado. De que outra forma teria sobrevivido a tantos 
ferimentos?  Tudo que voc trouxe para Cape Cod tem a mesma cara, querida  argumentou a me.  Vou levar algumas das suas roupas para abrir espao

#para roupas bonitas. As duas passaram os dez minutos seguintes discutindo roupas, uma conversa que transcorria em crculos to interminveis quanto o amor da me 
por adereos.  Philip, onde voc estava?  perguntou Maggie quando ele entrou no quarto.  Voc me disse para esperar l fora enquanto Ivy trocava de roupa. Voc 
no me disse que era para entrar novamente. Ivy riu. Philip pegou o bon dos Yankees que tinha dado a Ivy e o colocou na cabea dela.  Eu dei a moeda de anjo que 
trouxe para voc, tudo bem?  Claro. Muitas pessoas no hospital precisam de um anjo.  Disse a ele que poderia rezar para Tristan. Ivy mordeu os lbios. Philip nunca 
parou de falar em Tristan, acreditando que ele era um anjo muito antes de Ivy; e, naquele momento, sua f em Tristan abalava Ivy, do mesmo modo que na primeira vez 
em que Philip falou nele. Se ela dissesse a Philip que havia encontrado Tristan novamente, que havia sentido o abrao dele, ser que Philip... Mas no, ela no queria 
confundir seu irmozinho. Andy entrou com os papis da alta.  Muito bem, mocinha  disse, piscando os olhos.  J que voc est usando este bon, no tenho escolha 
a no ser pedir educadamente que saia. Ivy riu e agradeceu-lhe por toda a ajuda. J era meio-dia quando Ivy voltou para a pousada. Com apenas alguns hspedes, as 
tarefas do dia estavam terminadas, e Kelsey e Dhanya estavam de biquni. Dhanya jogou a toalha no balano e passou filtro solar nas pernas. Beth estava de shorts 
e regata, sentada nos degraus do chal.  Vamos para Chatham  disse Kelsey, chacoalhando as chaves.  Praia do Farol?  perguntou Ivy.  Muito melhor  respondeu 
Kelsey.  Uma praia particular. Fui pessoalmente convidada e estou permitindo que Dhanya tambm tire

#vantagem de todo o trabalho que tive na festa de domingo  noite. Voc pode vir tambm, se for rpida.  Talvez outro dia. Tenho um superencontro com a "louca por 
compras" da minha me.  Bem, se o carto de crdito for da mame, no tem como o encontro dar errado  comentou Kelsey. Quando ela e Dhanya saram, Beth virou-se 
para Ivy e perguntou:  Voc no vai com o Will?  Ele vai andar de caiaque com o Philip.  Foi isso que quis dizer. Achei que voc fosse com eles tambm.  No 
 Ivy sentiu-se na defensiva por sua escolha e se explicou.  A mame vai embora amanh. Quero ficar um pouco com ela  Ivy sentou-se no balano do quintal e pediu 
que a amiga fizesse o mesmo.  Beth, tem uma coisa que preciso perguntar a voc. Depois do acidente, quando voc olhou para mim, voc achou que eu estivesse morta? 
Beth encarou Ivy. Por um momento ela ficou em silncio e depois perguntou:  Por que voc est perguntando isso?  Voc achou?  insistiu Ivy.  Sim, mas eu estava 
errada. Obviamente.  Lembro-me de ter dito a voc que tnhamos de sair do carro. Voc agiu como se no tivesse me ouvido, tentei tocar em voc, mas minha mo passava 
direto pelo seu corpo. Beth no tirava os olhos de Ivy.  Ento, senti que estava flutuando. Lembro-me de ter olhado para baixo e visto voc e eu, e tambm o meu 
corpo preso nas ferragens do carro.  Uma experincia fora do corpo  disse Beth, rolando os olhos de surpresa.  Pessoas com parada cardaca que passam por ressuscitao 
s vezes relatam isso. Ivy aproximou-se da amiga e perguntou:  Voc viu algum fazendo ressuscitao em mim? Beth fechou os olhos por um momento, depois esfregou 
a testa e disse:

# Eu, eu no vi ningum. Acho que desmaiei por alguns minutos. Lembrome de ter aberto os olhos e visto uma luz piscando e algum perto de mim. Tentei falar para 
eles de voc, mas eles me diziam para ficar parada. Eu estava sendo colocada dentro de uma ambulncia. No sei onde voc estava. Vai ver foi nesse momento que eles 
estavam ressuscitando voc.  No... no  Ivy colocou a mo no corao, lembrando-se do momento em que sentiu uma batida bem forte. Ela no conseguia falar sem 
tremer, mas disse:  Foi Tristan.  O qu?!  perguntou Beth.  Acho que o Tristan me salvou. Beth se afastou de Ivy e disse:  Hmm, voc o chamou e ele enviou os 
paramdicos...  No, Tristan me salvou. Eu o ouvi. Senti os braos dele me envolvendo. Ele me beijou.  Oh, Ivy  disse Beth, segurando as mos de Ivy.  No pode 
ter sido ele. Ele completou sua misso e a deixou depois de salv-la de Gregory. Na noite em que Suzanne e eu passamos com voc, um pouco antes de amanhecer, ele 
disse adeus. Voc me disse isso.  Estou lhe dizendo que ele estava l, comigo. Beth balanou a cabea.  Foi assim que a sua mente interpretou a experincia. Ou 
talvez voc tenha sonhado com Tristan para se sentir aconchegada.  Foi ele  insistiu Ivy.  Ivy, no dificulte ainda mais as coisas para voc! Tristan morreu e 
se foi. Ivy tirou as mos de Beth das suas.  Talvez seja o aniversrio de morte que esteja afetando voc desse jeito  disse Beth, baixinho.  Quando passar a data, 
vai ficar mais fcil. Mas agora, cuidado com o que voc diz para o Will. Ele me disse que... enfim, no o magoe, Ivy. Essa data e a forma como ela faz com que voc 
pense em Tristan so bem difceis para Will.

#Uma raiva inesperada tomou conta de Ivy. Ela no precisava que Beth a lembrasse dos sentimentos de Will. Como se j no estivesse se sentindo uma traidora! Ivy 
virou o rosto, sentindo-se como logo aps a morte de Tristan, quando as pessoas no paravam de dar conselhos a ela para esquec-lo, nenhuma delas entendia como era 
difcil se lembrar e como era difcil tambm no se lembrar.  Ivy  sua me chamou da escada traseira da pousada.  Est pronta? Beth, venha conosco, dia de passeio 
das garotas! Adoraria comprar algo bem bonito para voc.  Obrigada, mas no  respondeu Beth.  Estou com dor de cabea novamente  disse para Ivy sem olhar para 
ela, depois deu de ombros levemente e voltou para o chal. Quando Ivy voltou das compras, passeio em que obteve sucesso ao desviar a ateno da sua me das roupas 
por conta de encontrar copos inquebrveis de tima qualidade, um toque familiar soou em seu telefone.  Oi, Will.  Ahoy  era a voz de Philip.  Ei, marujo  respondeu 
Ivy.  Por onde voc anda, Barba Azul?  Uh... No outro lado da linha havia uma discusso com algumas andorinhas gritando ao fundo. Will pegou o telefone e explicou 
a Ivy como chegar em Pleasant Bay, onde ele e Philip estavam andando de caiaque.  Voc pode vir?  S preciso trocar de roupa  disse Ivy. Ao chegar  praia com 
toalhas, um pacote de bolachas e uma garrafa trmica, Ivy viu Will e Philip perto de um comprido caiaque verde que tia Cindy havia emprestado a eles. Estavam fazendo 
um castelo, os dois usavam bandanas de piratas na cabea e colares com contas de Mardi Gras ao redor do pescoo. Compenetrados na escavao da areia, nenhum dos 
dois a viu, nem viram as vrias garotas que admiravam Will.

#Bronzeado, com os msculos aparecendo e o corpo todo se movimentando, as mos de artista de Will rapidamente criavam barricadas e torres. De repente, ele olhou 
para cima, seus profundos olhos castanhos brilharam de prazer.  Oh, uma donzela  disse.  Pare, Barba Azul! Barba Azul olhou para cima e disse:  Ela  uma pirata. 
 Seja bonzinho, seu co sarnento  Ivy disse a Philip.  Ou no vou dividir com voc os biscoitos de chocolate que saqueei.  Biscoitos de chocolate? Ahoy, camarada 
 respondeu Will.  Deixeme estender a toalha para voc  ele pegou as sacolas de Ivy e se aproximou, inclinando a cabea, apoiando a testa contra a dela.   bom 
te ver  disse com carinho. Ivy tirou os culos de sol e olhou nos olhos dele.  Piratas no so sentimentais  salientou Philip.  Somos piratas em frias  explicou 
Will, beijando Ivy. Esticaram as toalhas ao lado do castelo e comeram os biscoitos. Abrindo um saco plstico, Will pegou um bloco de papel, procurando uma pgina 
em branco. Com o lpis na mo, trabalhava rpido e, facilmente, movendo-se do papel para Ivy.  Nem preciso olhar  disse, sorrindo.  J conheo voc de cor. Em 
cinco minutos tinha desenhado dois piratas com um ba de tesouro no meio, um pequeno Barba Azul erguendo uma taa de ouro, uma garota pirata erguendo um roupo cheio 
de plumas. Ivy riu.  Voc acha que Lacey e Ella encontram piratas em uma de suas aventuras celestiais?  perguntou Philip.  Vou ter de conversar com a autora, 
mas acho que podemos dar um jeito. Will abriu uma nova pgina e comeou a desenhar mais devagar algumas rvores que estavam  direita, trabalhando no desenho dos 
galhos de frente para a profunda curva da baa. Ele cantava ao desenhar. A alegria dele, a felicidade por conta daquele momento, doa em Ivy.

# Philip, quer dar um passeio?  ela perguntou. Seu irmozinho levantou-se rapidamente e gritou:  Icem a ncora e hasteiem o mastro.  Opa! Quem ensinou isso a 
voc?  Will. Will olhou para cima e sorriu.  No se perca, camarada. Philip olhou para a esquerda e para a direita e disse para Ivy:  Por ali! Estava feliz por 
ele ter apontado para a esquerda, para o trecho de areia da baa que criava um trecho isolado por detrs das copas das rvores. Ela caminhou em silncio enquanto 
Philip, ainda jovem o suficiente para verbalizar suas fantasias, se agitava dando ordens  tripulao pirata. Ele encontrou rubis e moedas de ouro na beira da gua. 
De tempos em tempos, erguia seu telescpio para ver o perigo no horizonte. Depois de contornarem o local, encontraram um depsito de pedras marinhas, molhadas e 
brilhantes, diante do sol de fim de tarde. Ajoelharamse para peg-las.  Philip  disse Ivy, tentando parecer casual.  Voc disse a algum no hospital para rezar 
para Tristan. Voc ainda reza para ele?  Claro.  E ele responde?  Voc est querendo saber se eu o escuto?  Sim.  No mais. Parei de ouvi-lo depois da morte 
de Gregory. Ivy concordou com a cabea e continuou a escolher as pedras, dizendo a si mesma que no poderia esperar por outra coisa e era uma tola por estar desapontada. 
Philip rolou uma pedrinha por entre os dedos e depois a jogou fora.  Ouo a Lacey. Ivy olhou para cima e perguntou:  Voc a ouve? Voc nunca me disse isso antes. 
 Voc nunca me perguntou.

#Ivy sentou-se em cima dos calcanhares, pensando. Ela no sentia a presena de Lacey na casa, no sentia o intrigante brilho roxo que indicava sua presena angelical, 
ento, supunha que, quando Tristan dissera adeus, Lacey havia partido tambm.  claro que Lacey no gostava dela; Ivy sabia disso. Lacey a havia ajudado porque gostava 
de Tristan. Ivy suspeitava que ela estivesse apaixonada por ele.  Yo ho ho e uma garrafa de rum  cantou Philip, remexendo nas pedrinhas molhadas e na areia com 
os dedos.  Os mdicos disseram que foi um milagre voc no ter morrido.  , parece um milagre. Eu rezei para... um anjo  disse, hesitante. Philip olhou para ela 
como se tivesse entendido tudo subitamente.  A Lacey ajudou voc?  Acho que algum anjo me ajudou  respondeu Ivy.  Vamos perguntar para ela  disse Philip.  
Lacey!  ele se levantou e ergueu as mos para o cu.  Ei, Lacey. Vamos, aparea, pirata! Ela no respondeu. Philip deu de ombros, depois ajoelhou-se e continuou 
a mexer nas pedras.  Acho que est ocupada.  Oh, ventos me derrubem se no  o velho pirata e sua desprezvel irm  disse uma voz rouca.  Lacey!  disse Philip 
alegremente.  Oi, Lacey  Ivy a cumprimentou, deixando no transparecer a esperana em sua voz. Se Lacey ainda estava por ali...  H quanto tempo  Lacey respondeu 
a Ivy.  O que para mim  timo  o brilho roxo aproximou-se dela, como se estivesse se encolhendo na areia.  Esta aqui  perfeita  uma pedra redonda e macia veio 
parar nas mos de Philip.  O que foi, Philip? No posso ficar muito desta vez. Tenho um novo trabalho, um aprendiz que no faz a mnima ideia do que est fazendo. 
Philip concordou e disse:  S uma pergunta: voc salvou a vida de Ivy no domingo  noite?

# Como?  ela se afastou de onde Ivy e Philip estavam ajoelhados para danar na beira da gua. Seu brilho era to delicado quanto a nvoa martima, como o roxo 
profundo de uma concha.  Salvar Ivy?  Beth e eu sofremos um acidente de carro  explicou Ivy. Lacey se aproximou, andando ao redor de Ivy como se a estivesse examinando. 
Ivy sentiu a suave presso dos dedos em sua tmpora e sabia que Lacey estava materializando s as pontas dos dedos; quando Tristan partiu, j sabia fazer isso tambm. 
 J vi cortes de papel mais fundos que esse  disse Lacey.  Eu sei  Ivy respondeu agitando-se com confiana.  Tristan me curou.  O qu?  Tristan?  perguntou 
Philip, parecendo to surpreso quanto Lacey.  No  possvel  disse Lacey com determinao.  Na ltima vez em que estive com Tristan, ele estava indo em direo 
 Luz. Tinha terminado sua misso, graas a mim  acrescentou.  Agora, est muito acima de todos ns, andando por a com o Diretor Nmero Um, tenho certeza.  Mas 
senti os braos dele ao meu redor  Ivy insistiu, contando novamente todos os detalhes do acidente. Quando descreveu ter olhado para baixo, para o seu corpo no carro 
capotado, e ter ascendido em direo ao cu estrelado, a nvoa roxa de Lacey ficou totalmente parada. Por trinta segundos completos, depois que Ivy terminou o relato, 
Lacey ficou estranhamente em silncio. Ivy achou que ela devia ter parado de ouvir no meio da histria, at que Lacey reagiu dizendo:  Inacreditvel. Inacreditvel! 
Pequenas pedras, uma a uma, foram erguidas por uma mo invisvel e arremessadas na gua.  Ei!  gritou Philip.  Aquela era a melhor que eu tinha!  Desculpe  
a chuva de pedras parou.  Espero mesmo que voc tenha alucinado somente  disse Lacey para Ivy.  Porque se o que voc est descrevendo realmente aconteceu, vai 
haver uma queda bem sria.

#Ivy franziu a testa e perguntou:  O que voc quer dizer com isso?  Anjos no podem sair por a dando o beijo da vida. O beijo da vida, Ivy repetiu para si mesma, 
lembrando-se de como, quando Tristan a beijou, ela teve a sbita conscincia de que seu corao estava batendo.   contra as regras.  Como voc sabe?  Ivy perguntou 
a Lacey.  Como eu sei? Olhe para mim. O que voc v?  Uma nvoa cheia de atitude  respondeu Ivy.  Ah, , esqueci. Me d s um segundo...  Lacey se materializou 
e depois ficou desfilando pela praia com suas calas rasgadas e uma regata comprida.  Gostou do meu novo cabelo?  perguntou, balanando a cabea. Estava tingido 
de roxo, longo e liso e com uma franja.  Adquiri algumas habilidades novas desde a ltima vez que tivemos o prazer de trabalhar juntas.  Uau!  exclamou Philip, 
esticando a mo para tocar o anjo.  D para ver voc inteira! Voc  demais, Lacey!  Obrigada, garoto  disse, virando-se para Ivy.  Por trs anos consegui com 
sucesso adiar a minha misso por quebrar as regras. Se no sou uma especialista em atos proibidos, quem ? Estou lhe dizendo, o Diretor Nmero Um no gosta que seu 
elenco mude o roteiro. Vai haver repercusso.  Por ele ter me salvado?  perguntou Ivy, irritada.  Acho que voc no prestou muita ateno na escola dominical. 
No se lembra da histria dos anjos cados? Eles queriam ser Deus, exatamente Deus. Dar ou tirar a vida de algum  privilgio de Deus, no nosso. Ivy no respondeu. 
Ser que Tristan faria algo proibido por ela? Lacey retorceu a boca de desgosto.  S mesmo voc para fazer com que o cara morra e, um ano mais tarde, ainda colocar 
a alma dele em risco! Ivy e Philip observaram o corpo do anjo desaparecer na areia, no mar e no cu. Philip colocou a mo sobre o brao de Ivy.  Talvez voc tenha

#sonhado.  Talvez  ela respondeu, mas as palavras pareciam vazias, at mesmo para ela.

#Captulo 8

D

urante o caminho de volta, Ivy pediu a Philip para no contar a ningum que Tristan a tinha ajudado.  Nem mesmo Will? Will tinha ficado chateado apenas por ter 
ouvido a msica de Tristan.  No, eu mesma falo para ele daqui a algum tempo.  melhor no falar nada sobre Lacey tambm  acrescentou. Ivy ficou aliviada quando 
Philip e sua me partiram na quarta-feira de manh. Tirando a blusa de seda justa que sua me tinha comprado, ela colocou uma camiseta pintada  mo, tamanho GG, 
que havia sobrado de um evento de arrecadao de fundos da escola. Pela primeira vez na vida, Ivy estava se sentindo desconfortvel perto de Will. Cada vez que ele 
olhava para ela, temia que ele pudesse ler seus pensamentos e ver que Tristan estava l. Agia com cuidado ao redor de

#Beth e sentia que a amiga estava fazendo o mesmo com ela. Kelsey e Dhanya, enroladas com os rapazes de Chatham, passavam a maior parte do tempo por l, o que para 
Ivy era timo. Seu companheiro mais frequente era Dusty, o gato. Na sexta-feira, Will levou Ivy at Hyannis para pegar um carro alugado que ela usaria at o seguro 
pagar a quantia devida pelo carro dela.  Voc est to quieta  disse ao pararem no farol.  Est preocupada com alguma coisa?  No  a resposta dela foi curta
e grossa, mas Ivy no conseguia pensar em nenhuma outra palavra para acrescentar  frase.  No  repetiu. Will virou-se em seu assento para analis-la.  O farol
abriu  ela disse. Ele concordou com a cabea e acelerou.  Sabe, Ivy.  natural sentir-se um pouco nervosa ao dirigir novamente.  No estou nervosa  respondeu,
percebendo a tenso no rosto dele e Will sentiu como se Ivy estivesse recusando a sua considerao por ela.  Porque... est de dia  disse, inventando uma desculpa
esfarrapada.  Ento, acho que no me incomoda, no como me incomodaria se estivesse escuro como no dia em que o acidente aconteceu. Ficaram em silncio o restante
do caminho. Juntos no estacionamento, esperando pelo carro alugado, Will balanou a chave do carro e disse:  Vou com voc  consulta no hospital, e talvez depois
podemos parar para...  Obrigada, no  necessrio. Ele entortou os olhos para ela e disse:  Voc no dirige desde o acidente. Vamos supor que um carro, que venha
na direo contrria, fique bem prximo da sua pista. Voc no sabe como vai reagir.  Vou ficar bem, Will.  Ento posso segui-la somente at o hospital em vez
de ir at em casa  sugeriu. Ivy protegeu os olhos do sol e do reflexo metlico dos carros e disse:  Eu me viro.

# Ivy, voc sofreu um acidente de carro bem srio. H uma razo para os especialistas quererem v-la novamente, e eu gostaria de estar l. Tudo bem?  disse, colocando
as mos nos ombros dela. Ivy recuou, e ento percebeu a surpresa no olhar de Will. Desde a noite em que haviam se unido para lutar contra Gregory, ela nunca tinha 
recuado diante de seu toque.  Estou bem  insistiu. Ele balanou a cabea negativamente.  Voc no tem sido a mesma desde o acidente. Beth tambm percebeu. Ivy 
se irritou, perguntando:  O que voc e Beth ficam fazendo? Passam o tempo falando de mim?  Desculpe-me por me importar.  Preciso de espao, Will! O rosto dele 
empalideceu apesar do bronzeado.  Espao... de mim? Ela hesitou e disse:  De todo mundo. Estamos vivendo insuportavelmente prximos  quase conseguia se convencer 
de que o problema era realmente aquele.  Tudo bem  ele deu dois passos para trs e abriu os braos, como se estivesse dando espao para ela.  timo  ento ele 
se virou e foi para o carro. Virou-se para ela mais uma vez, mas Ivy no o chamou de volta como esperava, e ele saiu com o carro rapidamente.  Pronta, Srta. Lyons? 
 perguntou o funcionrio da empresa de aluguel que se aproximava com a chave.  Consegui um New Beetle para voc. Ela pegou a sacola com po caseiro, geleia e biscoitos, 
presentes para Andy, e seguiu o funcionrio at o carro. Uma hora mais tarde, a mdica disse a Ivy que mandaria os resultados dos exames quando ficassem prontos, 
mas que tudo parecia muito bom.  O pessoal do pronto-socorro ainda est tremendo de surpresa  disse a mdica.   legal dar boas notcias a algum. Depois disso, 
Ivy pegou o elevador at o sexto andar e esperou por Andy no planto da enfermaria. Ele saiu de um quarto ao lado do que ela havia ocupado, parecendo

#perplexo.  Algum viu o nosso garoto? Esse garoto me deixa de cabelo em p.  Faz uma meia-hora que no o vejo  respondeu uma enfermeira de cabelos escuros.  
Ei, olha quem est ai!  disse Andy, abrindo um sorriso.  Voltou para fazer um acompanhamento?  E para dar a voc este agradecimento  disse Ivy. Andy deu uma 
olhada na sacola e pegou o po. Mesmo embalado, dava para sentir o aroma adocicado especial do po de ma com cranberry. Depois, pegou uma lata de bolachas e levantou 
a tampa.  Hummm...   tudo caseiro. A tia Cindy  quem cozinha na Seabright.  Voc vai dividir isso, no vai?  perguntou a enfermeira de cabelos escuros.  Talvez 
 ele respondeu com um sorriso. Conversaram por alguns minutos, ento Ivy foi at o elevador, contemplando a tarde que teria pela frente. Queria dirigir sem rumo, 
talvez at a ponta de Cape Cod, saindo na praia para correr. Apertou o boto de descida do elevador trs vezes, e ento viu uma placa de sada e foi em direo s 
escadas. Descendo rapidamente os degraus, Ivy curtia o rudo alto da sola de seus sapatos contra o piso de concreto. Segurando-se no corrimo de metal, balanava-se 
no canto de cada andar como Philip teria feito, no viu a pessoa encolhida nos degraus, no at trombar com ela. Caiu em cima dele, que abriu os braos para segur-la. 
 Opa!  ele exclamou, empurrando-a um pouco para trs. Era o rapaz nada amigvel do solrio. Ivy recuperou o equilbrio, mas ele continuou segurando-a com seus 
olhos to poderosos quanto suas mos.  Me solta  ela disse. Ficaram lado a lado no degrau, e logo depois ela subiu mais um para ficar na mesma altura que ele. 
 Vejo que est se sentindo melhor  ele comentou secamente.

# E voc est se sentindo o mesmo antissocial de sempre  comentou com leveza. Os olhos dele a encararam de cima a baixo, e ela ficou bem consciente do jeans justo 
e da camiseta oversize. Determinada a no ficar constrangida, tambm encarou o rapaz. Ele tinha feito a barba e estava usando jeans rasgado e velho, e um roupo 
atoalhado que estava bem pequeno para ele.  Foi bom ver voc, e no conversar com voc novamente  disse Ivy, comeando a descer a escada.  Voc tem carro? Ela 
se virou para ele, surpresa com a pergunta.  Sim. Por qu?  Preciso de uma carona.  Uma carona agora? Para onde?  Para no muito longe  respondeu.  At a prxima 
cidade. Ivy inclinou a cabea.  Providence  ele murmurou.  Providence no  a prxima cidade. No fica nem no mesmo Estado.  Tanto faz  respondeu irritado. 
 S me tire daqui. Debaixo da luz fluorescente, sua pele machucada tinha um tom cinza esverdeado.  Desculpe  ela respondeu.  No sei que tipo de problemas mdicos 
voc tem, alm de amnsia e...  Nunca estive melhor, pelo que me lembro  disse sarcstico, comeando a descer a escada com ela.  Andy est procurando por voc. 
 Que se dane o Andy. Que se danem todos eles!  disse em uma exploso de raiva. Ivy ficou calma, mas descia as escadas rapidamente, tentando ficar na frente dele 
sem desencadear uma corrida que com certeza perderia.  Eles vo deixar voc sair quando estiver bem.  No posso esperar tanto assim! Ela chegou at a porta que 
marcava segundo andar e a empurrou para

#abri-la. No abria. Ela empurrou de novo. Ele sorriu.  J tentei isso. Tentei isso em todas  disse, enquanto descia a escada ao lado dela.  A nica porta que 
abre  a do trreo. Ivy saiu correndo pela escada, hesitando na porta que dizia primeiro andar, mas continuando a descer. O rapaz rapidamente diminua a distncia 
entre eles, pegando no brao dela por trs, virando-a de frente para ele, e encurralando-a contra a parede.  Pegue a chave do carro.  Por que voc quer sair daqui? 
 ela perguntou.  Me passe as chaves  disse, exigindo.  Voc no sabe nem por qu. Voc no tem nem ideia do que est fazendo, nem para onde est indo. Soltando-a, 
ele deu um passo atrs. Era a chance que tinha de escapar, mas alguma coisa nos olhos dele a fazia ficar. Ele sentou-se lentamente nos degraus de concreto, depois 
segurou a cabea com as mos.  O que est acontecendo?  Ivy perguntou gentilmente. Ele balanou a cabea.  No sei. S sei que tenho de sair daqui. Tem algum 
atrs de mim, preciso ir embora. Ivy sentou-se vrios degraus abaixo dele. Viu que os antebraos dele estavam bem machucados, assim como a tmpora prxima  orelha 
esquerda. No pescoo havia um longo corte, bem abaixo do maxilar. Havia muito mais do que ter sido encontrado inconsciente na praia ou ter sido salvo de um afogamento 
na histria dele; ele tinha levado uma surra, uma baita surra. Se estava encrencado, ela seria louca de se envolver nisso. Pelo que achava, ele sabia muito bem o 
que tinha acontecido, mas no queria admitir, pois era culpado. Ivy comeou a se levantar, e ento parou. E se ele realmente tivesse que escapar, e se algum estivesse 
mesmo  procura dele? Tudo o que ele pedia era uma forma de sair do hospital. A intuio de Ivy dizia para ajudar. Contudo, quando comeou a conviver com Gregory, 
confiou na sua

#intuio e no podia estar mais errada.  O que foi que disseram que voc tem?  ela perguntou. Ele deu de ombros e disse:  No importa.  Responda  minha pergunta. 
Aps um suspiro, ele comeou a explicar.  Havia gua em meus pulmes.  bvio que levei uma surra. Machuquei a cabea. As tomografias cerebrais indicam que a perda 
de memria no  fsica  ele desviou o olhar e continuou.  Fizeram-me conversar com um psiquiatra, deve ser algum problema mental, certo?  Possivelmente  disse 
Ivy, sentindo pena dele, lembrando-se de como ela bloqueou em sua mente a morte de Tristan e de como a lembrana do "acidente" foi voltando pouco a pouco por meio 
de pesadelos assustadores. Ele olhou para ela e disse:  J aconteceu com voc. Foi isso que voc quis dizer naquele dia, quando disse que se lembrar  to doloroso 
quanto no se lembrar. Ela fez que sim com a cabea, desejando poder dizer a ele que as coisas ficariam bem, mas a situao dela era diferente da dele. Ela tinha 
o carinho de Will, de Beth, de sua me e de Philip, e o eterno amor de Tristan para conseguir passar por isso. O que ele tinha?  Qual o seu nome?  perguntou.  
Meu problema de memria deve ser contagioso. Como  que vou saber?  Voc disse que no se lembra de como foi que ficou machucado. Voc no me disse sobre as coisas 
de que realmente se lembra. Ele forou um sorriso e disse:  O pessoal do hospital me chama de "Joo". "Joo Sem Nome"  o que escreveram na minha ficha, o que, 
acho,  um pouco melhor do que "Z Ningum".  Como devo cham-lo?  Como voc normalmente chama algum que a encurrala contra a parede e exige as chaves do seu 
carro? Talvez de algo um pouco mais pesado do que cretino, no acha?  ento ele se levantou e desceu a escada, ficando

#um degrau mais baixo do que ela, como se tivesse se lembrado de que ela queria que olhasse diretamente em seus olhos.  Preciso sair daqui.  a nica coisa que 
eu sei.  a nica coisa da qual tenho certeza. Os olhos azul-escuros dele imploravam para ela, e Ivy tentou desviar o olhar para pensar com mais clareza.  Voc 
vai ter muita dificuldade de passar pela segurana com esse roupo. Ele enfiou o roupo para dentro da cala e disse:  Andy me emprestou para que no ficasse andando 
por a mostrando o bumbum. Ivy riu.  Tudo bem  ela disse, decidida.  Tire-o.  O qu?  Tire o roupo  disse a ele tentando no ficar olhando para o dorso cheio 
de hematomas.  Agora, vire-se de costas e no olhe para mim.  Por qu?  Vamos trocar de lugar. Quando ele se virou, ela tirou a camiseta e a colocou nos ombros 
dele.  Pronto  disse depois de colocar o roupo. Ele virou-se de frente novamente, vestindo a camiseta, sorriu para ela. Ela estava certa: com um sorriso, o rosto 
dele era do tipo que deixava qualquer garota apaixonada.  Vai dar certo  disse. As palavras Stonehill High alongavam-se no peito dele e os ombros estavam apertados, 
mas ele estava chamando menos ateno do que com o roupo curto.  Se no houver seguranas, vamos apenas passar pelo corredor como se no estivssemos fazendo nada 
de errado  Ivy o instruiu.  Se formos parados, eu sou a paciente e voc  a pessoa que veio me pegar. Diremos que ficamos cansados de esperar que nos trouxessem 
uma cadeira de rodas, j que somos obrigados a sair com ela.  Certo. Ivy pegou as chaves na bolsa. Ela ficou pensando o que Beth e Will diriam se contasse isso 
a eles. Depois, ficou pensando se o seguro do carro alugado cobria sequestro de carros.

# Ento, se algum perguntar, eu sou seu namorado?  Irmo  Ivy respondeu rapidamente. Joo sorriu, como se estivesse se divertindo com a resposta dela, e em seguida 
comeou a descer a escada. Ele abriu a porta do trreo e saiu caminhando de forma confiante pelo saguo. Parecia to  vontade que Ivy perguntava-se o quanto ele 
era experiente em fingir. O corao dela comeou a bater mais forte. Estavam na metade do corredor quando foram parados por algum.  A senhorita precisa de ajuda? 
Por mais amigvel que a voz parecesse, quando Ivy se virou, viu que o segurana estava se dirigindo a ela e Joo.  No, obrigada.  Voc  paciente?  Era  Ivy 
respondeu com sinceridade.  Tem os papis da alta?  Claro  disse, abrindo a bolsa para peg-los, feliz por ter escrito as orientaes para chegar ao hospital 
e a hora da consulta naqueles papis. Tinha esperana de que o segurana no perceberia a data. Reconhecendo os formulrios, ele nem quis v-los, mas disse para 
Joo:  Ela precisa de uma cadeira de rodas, e voc precisa trazer o carro at a entrada para peg-la. Regras do hospital.  Tudo bem. Espere aqui, Isabel. Ele pegou 
uma cadeira de rodas que havia sido deixada ao lado do elevador. Quando Ivy sentou, ouviu o segurana receber um chamado no rdio.  Qual a descrio do paciente? 
 perguntou o segurana.  Alto, cabelos dourados...  Segure-se, Izzy. Joo empurrou a cadeira em direo  porta da frente to rpido, que ela pensou que fossem 
bater contra a porta de vidro.  Ai!  ela gritou quando a porta se abriu bem na hora em que passaram pela abertura. Passaram com tudo por uma outra cadeira de rodas

#ocupada, pela praa de concreto e foram em direo  rua.  Espere, espere!  gritou Ivy.  No d para esperar! Por onde vou?  ele respondeu gritando tambm. 
Ela apontou a direo. Ele corria e empurrava como um louco, desviando de dois carros e virando para a direita, fazendo com que ela fechasse os olhos, segurando-se 
firme na cadeira.  V mais devagar, seu doido!  mas ela estava rindo, e ele tambm, quando passaram pela fila de carros no fundo do estacionamento.  O carro branco 
 ela gritou.  Breque! Breque! Ele brecou e quase a jogou sobre o cap do carro. Sem flego, saltando da cadeira, Ivy destravou o carro com dois cliques. Entrando 
no assento do motorista, jogou os papis da alta e a bolsa no banco de trs. Joo deixou a cadeira de rodas em cima da grama e entrou no carro. Saram, rindo, com 
os vidros abaixados e o vento no rosto.

#Captulo 9

sabel?  disse Ivy quando pararam no farol.   disso que eu tenho cara? Joo olhou para ela de canto de olho.  Parece um bom nome para uma irm. Ivy continuou 
dirigindo. O bom senso dizia para pegar a estrada 28, pois haveria o trnsito da praia e muitas pessoas por perto, caso ele no fosse to confivel assim. Em vez 
disso, porm, sucumbindo ao bom-senso, ou  insanidade, ela escolheu a estrada 9, que passava por fora de Cape Cod e rapidamente aumentaria a distncia entre eles 
e o hospital.  Ento, qual  o seu nome?  ele perguntou.  Ivy.  Ivy. Izzy. No errei tanto assim. Mas Ivy combina mais com nome de namorada. Ela no respondeu, 
dizendo a si mesma que ele no estava flertando e,

I

#mais importante ainda, que no queria que ele estivesse.  Para onde vamos, Ivy?  Ainda no decidi. Parece que o Andy deixou voc bem limpinho.  Voc est dizendo 
que eu parecia um maltrapilho?  perguntou, mas logo mudou o tom e disse, de forma mais suave:  No sei o que teria feito sem o Andy. Ivy suspirou e disse:  Sinto-me 
to culpada! Espero que ele no se encrenque por nossa causa. Um longo silncio se seguiu.  Bem, no h nada que possamos fazer sobre isso agora  disse, olhando 
para Joo.  Seus tnis j tiveram dias melhores. Ele ergueu um dos ps e puxou a sola de borracha solta, rindo para ela.  Vou sair na Dennis. Vamos comprar sapatos 
novos e uma camiseta.  Vamos? Voc sabe furtar?  ele perguntou.  Eu vou comprar  ela respondeu.  No  ele disse rapidamente.  Sim  ela insistiu.  Ivy, no. 
No quero que voc faa mais nada por mim. Ser que ele estava tendo um ataque de orgulho? Ela se perguntou.  O que voc vai fazer?  perguntou, dessa vez em voz 
alta.  Abrir a porta do carro e sair? Estou indo a 60 por hora.  Setenta  ele a corrigiu. Ela olhou para o velocmetro e diminuiu a velocidade. Mais um longo 
silncio se seguiu. Ela sabia do que ele precisava: de sua famlia, seus amigos e de lembranas, mas tudo o que ela poderia oferecer a ele eram coisas que o dinheiro 
compraria.  Voc se lembra de alguma coisa? Por exemplo se voc mora em Cape Cod ou se est s de passagem?  Moro aqui. O momento inicial de hesitao dele o entregou. 
 Entendi.  por isso

#que achou que a prxima cidade fosse Providence, e no a capital de Rhode Island. Joo inalou profundamente e depois exalou, como se ela estivesse testando a pacincia 
dele.   assim. Algumas coisas, nomes, uma pessoa, um objeto, at mesmo um cheiro parecem familiares, mas no sei como, nem por qu. Assim que tento focar no que 
parece familiar, a coisa desaparece.  Isso deve ser difcil. Ela ouviu Joo se remexer no assento e percebeu que ele a estava analisando, por isso manteve o olhar 
fixo na estrada.  Foi isso que aconteceu com voc?  ele perguntou.  Sim e no. No conseguia me lembrar da batida do carro, mas conseguia lembrar quem eu era 
quando acordei. E sabia o que tinha perdido.  Que era o qu, exatamente?  ele perguntou. Ela no respondeu e disse:  Esta  a nossa sada. Ivy dirigiu por um 
quilmetro por uma rua de duas mos delimitada, entre vrias rvores e arbustos, depois entrou em um estacionamento que possua vrias lojas em que ela e sua me 
tinham comprado h alguns dias. Entre as lojas Wicker & Wood e Everything Cranberry, havia uma que vendia artigos esportivos. Ivy parou o carro na parte do estacionamento 
cujo piso era de areia, pois as rvores faziam sombra no carro. Tirou a chave do contato e virou-se para Joo, dizendo:  Do que voc acha que precisa para ir se 
virando por enquanto?  No preciso de nada de ningum.  Uma camiseta, um agasalho e shorts  ela continuou dizendo.  Meias, cueca... uma toalha. O que mais? Ele 
mantinha o olhar fixo na frente do carro, os punhos cerrados em seu colo. Ivy pegou a bolsa no banco de trs do carro.  Escuta aqui, sei que isso no resolve nenhum 
dos enormes desafios que voc tem pela frente, mas j

# um comeo. Joo reagiu com uma exploso de raiva.  Enormes desafios? Voc fala como um maldito psiquiatra!  Voc prefere que eu os chame de problemas no resolvidos? 
 No seria mais honesto?  Somente se voc pensar que no possam ser resolvidos.  Daqui a pouco voc vai comear a me orientar a seguir o programa das 12 etapas1. 
. Etapa um: admitir que tem um problema.   um bom comeo  ela retrucou. Ele sorriu.  No somente admitir. Isso tambm mostra que, de alguma forma, voc sabe 
um pouco sobre programas de abuso de certas substncias.  uma pista.  Uma pista que me diz o qu?  ele perguntou incrdulo.  Que meu pai era alcolatra? Meu 
irmo, ou talvez meus amigos, ou ser que era minha me quem usava drogas? Talvez era eu quem usava! Ou talvez essa pista simplesmente me diga que o "AA" tenha ido 
dar uma palestra na minha escola e que por acaso eu assisti. Isso no me diz nada! Ivy lutou para no perder a pacincia.  Obviamente, uma pea do quebra-cabea 
no tem significado algum. Mas uma vez que as peas vo se encaixando, a imagem se forma. Preste ateno quando uma pea do quebra-cabea surgir subitamente, no 
a tire da jogada por raiva. Ela colocou a chave na bolsa e perguntou.  Voc vem comigo?  No.  No faa "tempestade em copo d'gua". Voc me paga depois. Enquanto 
isso, no d para sair por a com essa camiseta e esses sapatos  ela esperou trinta segundos e depois saiu do carro. Ele ps a cabea para fora do vidro e disse: 
 Roupa legal. Ivy olhou para baixo. O roupo!  Comeou a rir e disse:  Ei,  a
1

Programa muito adotado em reunies de grupos tipo Alcolicos Annimos ou Narcticos Annimos em que a pessoa deve passar por 12 etapas para se livrar do vcio. (N.T.)

#minha sada de praia. Usando o tamanho de Will como base, Ivy deu uma olhada nas camisetas coloridas e nos shorts de algodo. Joo estava assustado, pensou; qualquer 
um que sasse do hospital, um teto, uma cama e comida, e no tivesse nenhum outro lugar para ir, teria muito medo de tudo. Seus ataques de raiva vinham do medo e 
do orgulho ferido. Se Will estivesse em uma situao como essa, ser que agiria dessa forma? No tinha certeza, mas Tristan teria o mesmo tipo de orgulho. Ivy acrescentou 
uma mochila grande a sua lista de compras; calas, culos de sol e uma segunda toalha. Usou o carto de dbito para pagar, pedindo que lhe dessem o troco em dinheiro. 
Depois, colocou o dinheiro, o recibo e os outros itens na mochila. Ao sair da loja, caminhou lentamente at o carro, pensando na situao. Quando olhou para cima, 
no acreditou no que via. Joo tinha ido embora. Olhou ao redor rapidamente, pois quem sabe ele teria sado do carro apenas para esticar as pernas, mas ele tinha 
mesmo desaparecido. Olhou para a sombra verde da mata que delimitava o estacionamento. Por onde ele iria? Nem mesmo ele devia saber. A camiseta dela estava em cima 
do banco do carro. Ridculo orgulho estpido! Tirando uma caneta da bolsa, escreveu o nome "Joo" na mochila e, com toda a sua fora, jogou a sacola no meio das 
rvores. Depois disso, dirigiu at a Nauset Light Beach e correu pela rebentao at ficar exausta, desejando que a confuso de emoes que sentia pudesse ir embora 
com o mar.  Voc poderia ao menos ter telefonado  disse Will duas horas mais tarde.  Voc devia ter deixado o telefone ligado, ficamos preocupados. Ele estava 
trabalhando perto do grande jardim, entre o chal e a pousada, lixando uma velha prateleira que havia encontrado no meio da pilha de moblia de tia Cindy. Beth estava 
sentada ali perto em uma espreguiadeira, com um livro aberto, apoiado no brao da cadeira.  Eu lhe disse que estava bem  disse Ivy.

# Sua consulta terminou h horas. Pensei que tivesse acontecido algo errado. Ivy tirou os sapatos, jogando fora a areia de dentro deles.  Fui  praia. A boca de 
Will mostrava uma linha reta e os msculos em seus antebraos brilhavam de suor conforme ele lixava com raiva. Beth olhava de Will para Ivy e de Ivy para Will.  
Por que vocs suporiam que tivesse acontecido alguma coisa errada?  Ivy perguntou.  Dado o seu histrico, por que iramos supor que estivesse tudo bem? Ela no 
respondeu.  Se Beth, que nem mesmo ficou hospitalizada, tivesse ido a uma consulta de acompanhamento, chegando em casa trs horas aps o esperado, voc no teria 
ficado preocupada?  T, voc venceu  disse Ivy, esperando encerrar a discusso com isso. Will parou de lixar para olhar para ela, a raiva tinha passado, mas seus 
profundos olhos castanhos expressavam preocupao.  No estou tentando vencer. S estou tentando entender o que est acontecendo.  Eu tambm  Ivy respondeu honestamente 
e foi para o chal.

#Captulo 10

M

as voc gosta de andar de caiaque no rio l em casa  Ivy disse a Beth no domingo ao meio-dia. Com apenas alguns hspedes na pousada durante o fim de semana, terminaram 
as tarefas e estavam retornando ao chal, andando pelo caminho de pedras no meio do jardim.  Billingsgate Island parece misteriosa demais, surgindo por debaixo 
da gua quando a mar est baixa, e aquele navio afundado!  Beth vinha reclamando de um bloqueio de ideias h uma semana.  Isso vai inspirar voc  Ivy acrescentou 
de forma encorajadora.  Acho que sim  Beth respondeu sem entusiasmo algum.  Talvez no seja o caiaque  continuou Ivy aps pensar um pouco.  E sim a pessoa com 
quem voc est fazendo essa atividade. Aconteceu alguma coisa desde o sorvete com Chase? Parecia que voc estava gostando bastante dele naquele dia.

#Beth deu de ombros e disse:  Ele me manda vrias mensagens no celular.  Intensas demais  Ivy concluiu.  E voc  boazinha demais para dar um fora nele. Beth 
virou-se para Ivy.  Voc tem um corao bom demais  disse Ivy, sorrindo para sua amiga.  Nem mosca voc espanta.  Pode ser que espante essa a  disse Beth ao 
entrarem no chal. Ivy pegou um livro de mistrio, um dos muitos deixados para trs pelos hspedes da Seabright, e foi para a varanda da pousada. De frente para 
o mar, ocupando toda a extenso da pousada, terminando em um canto aconchegante, a varanda tinha uma luz especial. Bem cedo, pela manh, uma corrente de vento trazia 
os tons de amarelo e laranja do nascer do sol que, gradualmente, se transformavam em azul como as ondas mais distantes do mar. Quando no havia hspedes por perto, 
Ivy gostava de se sentar por ali. Estava na cadeira de balano, os ps apoiados no gradil, admirando o verde da cerca viva no gramado de tia Cindy e o encontro do 
azul do cu sem nuvens com o mar. A mente de Ivy viajava. " uma sensao maravilhosa, Ivy. Voc sabe o que  boiar em um lago, tendo ao seu redor somente rvores 
e o azul do cu acima de voc? Voc est l, na gua, e o sol batendo em suas mos e ps." Ela imaginou a cena tantas vezes, boiando com Tristan no centro de um 
lago repleto da luz do sol, que o sonho se tornou to tangvel quanto as memrias reais que guardava em relao a Tristan. Por que pensou que fugir para Cape Cod 
aumentaria a distncia entre ela e suas lembranas? Havia gua por todo lado, e em todo lugar em que havia gua, era em Tristan que ela pensava. Ivy suspirou, abriu 
um livro, e ficou olhando para as palavras sem l-las. H uma semana, tinha acordado no hospital certa de que havia beijado Tristan. E de que no tinha sido um sonho 
consolador como Beth havia sugerido; pelo contrrio, s fez com que sentisse mais saudades dele!

#Deixando dolorosamente bem clara a diferena entre o que ela teve com Tristan e o que sentia por Will. Os hspedes do fim de semana e a programao de trabalho 
cheia tinham ajudado Will e ela a aguentar os ltimos dias, mas, agora que estavam com tempo para estar juntos, tinha ficado aliviada por ele ter ido at Chatham 
comprar equipamentos de arte.  Ei, menina, saia desta vadiagem e venha correr comigo  disse Kelsey ao convidar Ivy, tirando-a de seus pensamentos. Kelsey tinha 
trotado pelo permetro da pousada e agora estava correndo sem sair do lugar. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo que se agitava para l e 
para c. Ivy sorriu diante do convite, que suspeitava no ser real, e balanou a cabea negativamente, perguntando:  Quanto voc corre?  Hoje vou fazer 3 quilmetros 
at  praia, que equivalem a 5 no asfalto, depois vinte minutos de natao pesada e uma hora de bicicleta. Estou pensando em participar de alguma competio de triatlo 
em setembro.  Voc  impressionante  disse Ivy.  No fale isso para ela  disse Dhanya ao entrar na varanda carregando uma tigela com blueberries frescos que 
sobraram do caf da manh.  Kelsey sempre acha isso dela mesma.  Tenho certeza disso  corrigiu Kelsey, que depois ajustou seu iPod e foi em direo  escadaria 
que dava na praia. Dhanya sentou-se.  Quer?  perguntou a Ivy, segurando a tigela.  Obrigada. Colocando a tigela em uma mesinha no meio delas, Dhanya balanouse 
para frente e para trs por um tempo, depois apoiou os ps no gradil como que os analisando.  Esmalte violeta fica bem em voc  disse Ivy. Dhanya torceu o nariz 
e disse:  Nunca tive ps bonitos. Nenhuma bailarina tem, judiamos de nossos ps.  Voc dana bal?

# Moderno, jazz e at sapateado. Costumava fazer dana indiana, mas minha professora era velha e rgida, ela tinha uma coisa com postura. "Disciplina, Dhanya, disciplina" 
 disse Dhanya, imitando o sotaque britnico da professora e sorrindo.  Quer vir comigo e Kelsey para Chatham, hoje  noite? Max vai receber um grupo de amigos 
da faculdade.  Obrigada, mas vou para Provincetown com Beth e Will hoje  tarde. Dhanya suspirou e disse:  Voc tem tanta sorte! Will  maravilhoso!  Hmm...  
respondeu Ivy que foi logo mudando de assunto.  Me fale de Max. Dhanya revirou os olhos.  Kelsey disse que voc gosta dele  disse Ivy.  Kelsey gostaria que eu 
gostasse dele. No sei por que ela acha que ele  perfeito para mim, o que me insulta um pouco. Ela vive me dizendo que sou esnobe. Voc acha que eu sou? Ivy ficou 
surpresa com a pergunta to direta e disse:  Acho que a maioria de ns  esnobe, de um jeito ou de outro. Simplesmente no enxergamos nossos prprios preconceitos. 
 Sim, mas algumas pessoas tm o nariz bem empinado -afirmou Dhanya.  Odeio isso. Principalmente quando empinam para mim.  Ento, como  o Max?  Rico  disse 
Dhanya esticando os ps e relaxando os tornozelos.  Preciso parar de enfiar o p na areia. Esto mais brancos que as minhas pernas... Max  rico e brega, gosta 
de coisas como barcos-cigarrete e carros esportivos barulhentos. Ele pode at ter muito dinheiro, mas age como um p-rapado. Ivy mordeu os lbios para evitar o riso. 
Antes de sua me se casar com Andrew, eles moravam em Norwalk, cidade dos ps-rapados.  O pai dele tem uma cadeia de lojas de roupas  disse Dhanya. Ivy inclinou 
a cabea e perguntou:  E?  Parece que Max compra as roupas dele na loja do pai. Quero algum com o dinheiro de Max e a classe de Will.

# Talvez essa pessoa esteja na festa de Max  respondeu Ivy, tentando esconder sua irritao; ela no precisava de ningum para lembr-la de como Will era um cara 
maravilhoso.  Voc namorou algum de quem gostava muito no ensino mdio?  No, mas tenho um namorado no Facebook.  claro que no  nada fcil levar um cara que 
mora na Austrlia ao seu baile de formatura. Depois de um longo silncio, Dhanya disse:  Obrigada por no ter dito "caia na real, Dhanya". Kelsey diz que eu moro 
na "ilha da fantasia". Diz que tenho medo de rapazes de verdade. Ivy sentiu-se meio mal por Dhanya, mas disse:  Kelsey tem sempre algo para falar de voc. Acho 
que ela devia se concentrar mais nela e deixar voc em paz para variar. Dhanya esboou um sorriso e disse:  . Acho que sim. Mais blueberries?  No, obrigada. 
Dhanya encheu a mo com as ltimas frutinhas, depois pegou a tigela e foi caminhando para o chal. Ivy abriu o livro de mistrio e leu o primeiro captulo. Leu duas 
vezes at conseguir absorver o suficiente para continuar. Finalmente, porm, o mar, o ar salobro e a varanda ensolarada foram ficando mais fracos enquanto Ivy sofria 
com o heri da histria em uma rua escura de Londres. Meia hora mais tarde, sentiu a mo de algum recostando em seu ombro.  Oi, Will. Comprou tudo o que queria? 
 Quem  Will? Ao ouvir a voz de Joo, Ivy virou o corpo, sem saber se estava se sentindo irritada ou feliz por v-lo novamente.  Como voc soube onde me encontrar? 
 Pelos papis do hospital. Como voc sabia que eu voltaria ao estacionamento? Joo estava usando o agasalho e a cala que ela havia comprado para

#ele, mas os sapatos eram os velhos; os novos estavam amarrados  mochila.  No sabia. Estava brava demais para voltar  loja para devolver tudo. Um canto da boca 
de Joo esboou um sorriso. Ele colocou a mochila no cho. Ao ver um colchonete na mochila, Ivy esperava que tivesse sido comprado com o dinheiro que ela deu a ele 
em vez de ter sido roubado.  Sente-se  ela disse. Ele balanou a cabea negativamente e recostou-se no gradil de frente para ela, dizendo:  Estou meio sujo.  
Onde voc est morando? Ele deu de ombros e disse:  Por a. Ivy fechou o livro e disse:  Por a onde?  Aqui e ali  foi a resposta evasiva dele.  Voc comeu 
alguma coisa nos ltimos quatro dias?  Sim  respondeu Joo.  Mas voc nem vai querer saber o qu.  Claro que vou. Ele riu. Ser que era o rosto com a barba por 
fazer, o cabelo despenteado, ou a tristeza em seus olhos que deixavam a risada dele sexy?  Sobras  ele disse.  Vrios tipos de sobras.  Hum. Por que voc no 
veio logo para c?  Porque voc j tinha feito demais.  Ento por que voc est aqui agora? A expresso de Joo ficou sria. Havia algo de hipnotizante no olhar 
dele, na forma como ele parecia olhar por dentro da sua alma. Ela no tinha foras para desviar os olhos.  Porque estou com muita fome  disse, desviando o olhar 
para ver o mar.  Bela vista.  Ento, o que voc quer? Caf da manh, almoo ou jantar?  O que voc tiver. Ela se levantou e segurou a porta aberta para ele.  
Entre.  Vou esperar aqui fora.  No tem ningum aqui. Pode entrar.

# E se o Will chegar em casa? Ivy achou ter visto um brilho nos olhos dele, mas disse:  A eu apresento voc a ele.  Sinto-me melhor ficando aqui. Ivy balanou 
a cabea e disse:  Tudo bem, mas se eu preparar algo para voc, voltar aqui e voc tiver desaparecido, vou ficar muito irritada.  Isso at d vontade de eu me 
esconder atrs dos arbustos s para ver voc perder a calma  ele disse, sorrindo. Depois, sentou-se no cho da varanda e recostou o corpo no gradil. Ivy foi para 
a cozinha e, depois de pensar um pouco, resolveu preparar uma omelete de queijo, pois era algo rico em protena, depois cortou uma boa fatia do po caseiro da tia 
Cindy. Acrescentou uma xcara de frutas sortidas  bandeja e ch, levando-a pelo salo, fazendo uma pausa para olhar para Joo pela porta de tela. Ele estava de 
olhos fechados e os ombros apoiados nos balaustres da varanda. Ivy sentiu pena dele. Estava exausto.  Sinto cheiro de comida  disse, abrindo os olhos. Ela abriu 
a porta de tela e ficou pensando em onde colocar a bandeja, optando por coloc-la no cho ao lado dele.  Obrigado  ele murmurou e comeou a comer. Ivy ps sua 
cadeira de lado e sentou-se no cho da varanda no to perto dele, analisando-o. Ele tinha tirado os sapatos e arregaado as mangas para comer. Dava para ver ferimentos 
graves nos ps, tornozelos e no antebrao. A briga em que ele havia se metido devia ter sido bem feia.  Ento, onde voc est morando?  Ivy perguntou.  J falamos 
sobre isso  ele respondeu. Ela concordou com a cabea, dizendo:  Achei que dessa vez voc fosse me dar uma resposta.  Por a. Ivy batucava os dedos no cho da 
varanda, perguntando a si mesma para onde iria se quisesse dormir na rua e ao mesmo tempo estar perto das pessoas para conseguir ficar com as "sobras" de comida.
Como ele no tinha

#carro, iria para algum lugar prximo.  Nickerson State Park -, ela disse em voz alta. Ele fez cara de interrogao. Abaixando o garfo, pegou a xcara de ch, segurando-a 
com as duas mos, como se as estivesse aquecendo. No era de calor que Joo precisava, pensou Ivy, e sim de conforto e bondade. Ela no sabia como ajud-lo; da ltima 
vez, seu conforto e bondade tinham feito com que ele fugisse.  Conseguiu se lembrar de alguma coisa sobre voc? Ele tomou um gole de ch e disse:  No.  Ainda 
h coisas que parecem vagamente familiares? Joo franziu a testa e ficou olhando para o ch. Ela imaginou se ele no estaria escolhendo as palavras, decidindo o 
que dizer a ela e o que guardar para si.  Na verdade, est ficando pior. So pouqussimas as coisas que me parecem familiares para que se crie um padro que eu 
consiga entender. E, s vezes, tudo me parece contraditrio. Tem dias em que um cheiro, como o cheiro da madeira pegando fogo, me traz um bom sentimento; em outro 
dia, o mesmo cheiro me d vontade de sair correndo.  Quando voc foi ao parque, voc viu alguma placa e a seguiu, ou voc acha que j sabia onde estava o parque? 
Ele hesitou. Voc pode confiar em mim, Ivy queria dizer. s vezes, a coisa mais difcil de fazer  esperar at que o outro decida confiar em voc.  Vi em um mapa. 
Lembro-me das coisas em geral. Tipo, sei que hotis de estrada tm mapas gratuitos em seus sagues. Quando vi o tamanho do parque no mapa, sabia que conseguiria 
sobreviver por l e daria para me esconder se eles viessem atrs de mim. Ivy chegou mais perto e perguntou:  Quem so eles?  No sei.  Mas  mais de uma pessoa? 
 No sei!  disse, e seus olhos ficaram em um tom de azul bem escuro.

# Como  que eu vou saber? Ivy mordeu os lbios, percebendo que tinha pressionado demais. Os olhos dele, mais cinzas do que azuis no momento, diziam-lhe que ele 
tinha trancafiado todos os seus pensamentos e medos. Ele passava o dedo pelo enorme corte no maxilar. Ivy sentiu medo por ele, mas sabia que dizer isso faria com 
que ficasse ainda mais arredio.  O que posso oferecer a voc  o seguinte: um barbeador e um banho.  No preciso de nenhum dos dois  ele respondeu rapidamente. 
  bem provvel que voc se sinta melhor. Se voc me deixar lavar e secar a sua roupa suja, ficar bem por mais alguns dias. Ele sorriu e disse:  Tentando me fazer 
parecer respeitvel?  Ah, . Como se fosse possvel. Joo arqueou a sobrancelha e ela riu.  Voc tem muito a pesquisar. E vai querer que as pessoas se sintam confortveis 
ao conversarem com voc, no ?  Voc tem razo  ele respondeu, sorrindo.  Serei rpido. Um pouco depois, Ivy entregou a Joo um jogo de toalhas pela porta do 
banheiro e pegou as roupas que ele estava usando e as da mochila. Havia pensado em lev-lo ao quarto de Will por causa dos produtos de barbear e do desodorante, 
mas algo a conteve e ela achou melhor lev-lo ao chal.  Hum. Vou ficar cheirando bem  foi o comentrio dele.  A lavanderia fica na pousada, atrs da cozinha 
 disse a ele antes de sair com a roupa suja. Enquanto enchia a mquina de lavar de gua, Ivy verificou os bolsos das calas de Joo para ver se estavam vazios. 
Achou uma folha de papel arrancada dos papis da alta dela em que havia o endereo da pousada e informaes sobre sua famlia, dobrada em pequenos quadradinhos. 
Ivy escreveu o nmero do seu celular, dobrou o papel novamente e colocou-o em um recipiente em cima da secadora. Havia dinheiro no outro bolso, e ela tirou e colocou 
no mesmo recipiente. Foi a que um brilho prateado refletiu em seus olhos, pegou o dinheiro de volta e prendeu a respirao.

#Uma moeda brilhante com um anjo estampado estava na palma de sua mo, como se fosse um sinal dos cus.

#Captulo 11

P

hilip tinha se encontrado com Joo no hospital, Ivy pensou ao voltar para o chal, assim como tinha acontecido com ela. Seus instintos estavam certos, tanto ela 
quanto Philip estavam destinados a encontrar e ajudar Joo. Ivy sorriu para si mesma; talvez eles fossem os "anjos" do Joo.  Preciso de roupa  disse Joo, do 
segundo andar do chal. Ivy foi at a cozinha e disse do p da escada:  Suas roupas demoram mais para serem lavadas do que voc.   para isso que serve a toalha 
de praia. Quando voc descer, sirva-se do que quiser para comer. Ela voltou  sala de estar para montar um enorme quebracabea, um dos muitos que tia Cindy guardava 
para os dias chuvosos na pousada. Depois de tirar tudo de cima da mesa de centro, sentou-se no sof e examinou a caixa do quebra-cabea que mostrava uma pintura 
de uma

#cidade idlica de New England e uma ponte. Separando as peas, optou por comear pelas verdes com extremidades planas. Joo chegou um pouco depois, mordendo uma 
ma. O cabelo ainda estava molhado, em um tom de loiro mais escuro do que o normal. A toalha de praia de Ivy pendurada na cintura dele, como se fosse uma saia de 
cintura baixa, nem precisava dar margem  imaginao sobre o trax dele, nem seus ferimentos. Foi preciso usar toda a sua autodisciplina para no ficar encarando. 
 Onde eu me sento?  ele perguntou.  Onde voc quiser. Ele olhou para a caixa do quebra-cabea e sentou-se em uma poltrona que ficava de frente para a mesa de 
centro, fazendo um "L" com o sof. Ivy, aps separar uma pequena pilha de peas verdes, deu a caixa para ele, esperando que isso fizesse com que ele no pensasse 
em outras coisas. Conforme Joo ia separando as peas e pegando as que possuam o azul do cu, comeou a cantarolar desafinado, o que fez Ivy sorrir.  Voc est 
rindo de mim?  ele perguntou. Os olhos dela encontraram o brilho dos dele.  Eu no ousaria... Que msica  essa?  Voc no sabe? Nem eu  disse, sorrindo para 
ela. Ela tentou cantarolar o que tinha acabado de ouvir, porm afinada, e ento disse:  "If I loved you." Joo olhou para ela, assustado.   o ttulo da msica 
 ela explicou, e cantou as trs primeiras frases para ele. Ele riu e disse:  Ah, . Agora eu reconheci.   do...  Ivy levou a mo  boca como se estivesse se 
lembrando.  Do qu?  Carousel  ela respondeu com doura. Ano passado, ao tentar se comunicar com ela como um anjo, Tristan havia tocado as primeiras notas de 
uma das msicas de Carousel.

# Voc gosta de musicais?  perguntou a Joo, voltando ao momento presente.  Acho que sim. Continuaram trabalhando no quebra-cabea, e Ivy refletia sobre as estranhas 
ligaes entre os acontecimentos.  Esta pea  das suas  disse Joo, ficando mais perto dela, subitamente, ao colocar a pea verde encontrada perto das que ela 
havia separado. Ivy foi pega de surpresa, no conseguia explicar o sentimento que a dominava no momento. Ficou totalmente consciente da presena de Joo, sentiu 
a proximidade dele como se fosse algo que a aquecesse. Surpresa, recuou rapidamente. Achou que, ficando de p, aumentaria a distncia entre eles. Mas sentimentos 
de confuso e orgulho a mantinham presa no lugar. Tocou seu rosto, com medo de que tivesse enrubescido.  Achei mais uma  disse, aproximando-se dela novamente. 
Uma conscincia impressionante da presena dele passava por ela como uma onda, deixando-a atordoada. Que loucura! Ivy juntou as duas peas e acrescentou uma terceira. 
 Acho que esta terceira est errada  observou Joo. Ela retirou a pea sem jeito e disse:  Eu sabia! Talvez a rispidez da resposta dela tenha feito com que ele 
levantasse a cabea para examin-la. O rosto dele estava a poucos centmetros de distncia do dela. Tentou desviar o olhar, mas no conseguiu. Ele abaixou os olhos 
e dava para sentir que estava olhando para sua boca. Como se fosse possvel beijar com o olhar e...  Oi, voltei! Ivy derrubou a caixa com todas as peas. Havia 
mais ou menos 1.400 peas espalhadas pelo cho.  Ah, oi, Will!  ela respondeu, recolhendo as peas enquanto ele entrava pela porta de tela. Joo inclinou-se para 
pegar a caixa que tinha cado entre ele e Ivy. Will parou no meio do caminho. Ao olhar para baixo, Ivy percebeu o que Will

#viu de onde estava: costas nuas e largas, ombros musculosos.  Quem  voc?  perguntou Will. Joo levantou-se e rapidamente ajeitou a toalha. Will continuou olhando 
para ele, prestando especial ateno nos machucados. Joo no desviou o olhar.  Perguntei quem  voc.  Joo,  o nome que me do.  Joo saiu do hospital  explicou 
Ivy.  Ele estava no mesmo andar que eu.   mesmo?  perguntou Will de forma sarcstica. E, para Joo, disse:  Suponho que tenha sado do hospital usando alguma 
outra coisa que no seja a toalha de Ivy. Joo sorriu e disse:  Pois , sa vestindo a camiseta dela. Will no achou o comentrio engraado.   uma longa histria 
 disse Ivy.  Tenho tempo para ouvir.  Joo no tem onde morar no momento  Ivy explicou para Will.  Ele est passando por um monte de problemas. Falei para ele 
que poderia tomar um banho. As roupas dele esto sendo lavadas.  o mnimo que posso fazer por ele.  Sei, d para ver que ele est cheio de problemas  Will comentou 
sarcasticamente, colocando suas sacolas no cho. Ivy sentiu-se mal, pois sabia que ele tinha vindo direto ao chal, animado com o que havia comprado e cheio de vontade 
de mostrar para ela.  A questo  a seguinte: no consigo me lembrar do que aconteceu comigo  disse Joo. A forma como Will inclinou a cabea, deixou bem claro 
que no acreditava em Joo.  Will, ele no consegue se lembrar de quem  ou de onde vive  acrescentou Ivy, implorando para que ele entendesse.

# Que conveniente!  comentou Will.  No quando chove  brincou Joo.  Ouvi falar de voc  disse Will.  Kelsey e Dhanya me falaram. O engraado  que Ivy no 
mencionou nadinha sobre voc. Joo olhou de Will para Ivy e depois de novo para Will.  E parece que ningum sentiu a sua falta  continuou Will.  Pergunto-me por 
que nem amigos, nem familiares relataram o desaparecimento de um cara to legal como voc. Joo concordou com a cabea calmamente.  O que o faz pensar que eles 
devem ter ficado felizes por terem se livrado de mim.  No faz tanto tempo assim  disse Ivy rapidamente.  S desde domingo, uma semana. Talvez seus amigos e familiares 
pensem que voc tenha ido viajar e no estejam esperando notcias suas por enquanto. Will virou-se para Ivy com um olhar que dizia "voc deve estar louca por acreditar 
nessa histria". Joo sorriu de forma cnica.  Como voc chegou ao hospital?  Will perguntou a Joo.  Umas pessoas que estavam passeando com seus cachorros me 
encontraram inconsciente e chamaram a ambulncia.  Onde eles o encontraram?  Lighthouse Beach.  Em Chatham? Domingo passado em Chatham?  Na verdade, segunda-feira 
 corrigiu Joo.  Foi logo depois da meianoite.  Deve ter sido uma noite bem agitada no pronto-socorro. Joo franziu a testa e perguntou:  O que voc quer dizer? 
 Espero que voc no tenha encontrado com outro carro em Morris Island.  Will!  disse Ivy, reconhecendo a acusao por detrs da frase.  Isso  ridculo! No 
descobriram at agora o carro que bateu na gente.  E at agora no descobriram quem  esse cara  respondeu Will. 

#Nem por que ele no consegue se lembrar de nada, e por que foi encontrado inconsciente bem prximo do lugar em que voc bateu o carro  Will andava para l e para 
c, mas ento parou, e virou-se para Joo.  Tenho certeza de que voc tem um bom motivo para ter sado do hospital vestindo a camiseta de Ivy. Acho que ficaria 
pequena em voc.  Ficou. Ivy contou a histria, vendo que, a cada detalhe que dava, Will ficava cada vez mais bravo.  Deixe-me entender isso direito  disse Will, 
incrdulo.  Voc o ajudou a fugir do hospital antes de ele ser liberado por um mdico, provavelmente ainda precisando de auxlio, e antes,  claro, de pagar a conta. 
 Segui minha intuio  Ivy respondeu na defensiva.  Acreditei no outro. Talvez voc devesse tentar fazer o mesmo de vez em quando! Ela notou a mgoa no olhar 
de Will. Joo aproximou-se um pouco, chamando a ateno dela.  Voc disse que a lavanderia ficava atrs da cozinha?  Sim. Ele concordou com a cabea e foi at 
 porta.  Will. Will. Sinto muito. Entendo como voc est chateado.  que... sinto pena dele. Will engoliu em seco.  Voc se lembra como foi horrvel para mim 
o vero passado, quando no conseguia me lembrar das coisas, quando todo mundo achava que eu tinha tentado me matar e no consegui explicar como fui parar na estao 
de trem. Voc foi to bom para mim. Voc acreditou em mim quando ningum mais acreditava. Voc tomou conta de mim. Joo no tem ningum para acreditar ou cuidar 
dele.  A diferena  que eu j conhecia voc. Eu j sabia que tipo de pessoa voc era  Will disse baixinho. Ivy concordou com a cabea.  Sim, sim, voc tem razo. 
Admito... agi

#de forma irracional.  Mas Ivy no disse que, se tivesse de fazer de novo, com certeza faria a mesma coisa. Will sentou-se no sof ao lado dela. Colocou os braos 
ao redor dos ombros de Ivy, trazendo-a mais para perto dele.  s vezes, Ivy, voc me deixa bem assustado.

#Captulo 12

oc acha que o Joo vai voltar?  Beth perguntou meia hora depois, quando ela e Ivy passeavam no meio das rvores frutferas pelo caminho que levava ao estacionamento 
da pousada.  No sei  Ivy olhou por cima do ombro para o balano do chal onde havia deixado a mochila de Joo. Depois de se desculpar com Will, foi dar uma olhada 
na lavanderia. Joo, o dinheiro, a moeda do anjo e todas as roupas molhadas dele haviam desaparecido. A toalha dela estava na mquina de lavar e a mochila no chal. 
 Ele est no Nickerson State Park, uma longa caminhada daqui  Ivy contou a Beth.  Poderamos levar o colchonete dele e a mochila ao centro de visitantes. Talvez 
tenham uma seo de achados e perdidos.

V

#Ivy balanou a cabea negativamente e disse:  O Joo no  o tipo de pessoa que vai procurar por eles l. Prefere ficar longe do campo de viso.  Por qu?   
assim que ele . Beth franziu a testa, mas no disse mais nada. Ivy tinha certeza de que Will dissera a Beth sobre seu encontro com Joo. Beth contou para Ivy a 
desculpa de Will para no ir a Provincetown, ele disse que estava ansioso para usar o novo papel aquarelvel. Ivy, porm, sabia o quanto Will queria conhecer aquela 
cidade, um paraso dos artistas. Apesar do pedido de desculpa, ele ainda estava chateado. O trajeto de uma hora at a cidade foi, desconfortavelmente, silencioso. 
Ivy trocou os CDs vrias vezes, como se pudesse encontrar a msica certa para reconstruir a conexo fcil que sempre teve com Beth, ficando feliz quando finalmente 
encontraram um lugar para estacionar o carro. Provincetown era colorida e esquisita, conforme anunciado. Ivy e Beth passearam por vrias lojas e galerias que ficavam 
nas ruas estreitas da cidade. Na superfcie, parecia que as coisas estavam voltando ao normal com elas; apontavam pinturas que lhes agradavam, estranhas peas de 
escultura e bijuterias feitas  mo com um mstico vidro marinho. L pelas 17h30, Ivy e Beth compraram dois chs gelados e foram at o per no fim da cidade. As 
rochas pretas, planas no topo, alongavam-se por cerca de 1,5 quilmetro pelo porto de Provincetown, fazendo um caminho de pedras desde Long Point Beach at a ponta 
curvilnea de Cape Cod. Bem no meio do caminho, no ponto em que a maioria dos pedestres voltava, elas se sentaram em uma das pedras. Atrs delas, estavam os edifcios 
baixos de Provincetown e o ponteiro mais alto do Pilgrim Monument. Na frente estavam os faris de Wood End e Long Point. Ivy brincava com o canudo e resolveu iniciar 
a conversa que no podia mais ser evitada.  Acho que o Will falou para voc sobre a briga. Beth olhou para ela de canto de olho e disse:  Sim.  Fiquei surpresa 
com Will, com a forma como ele agiu com o Joo.

# Como voc esperava que ele reagisse?  perguntou Beth. Ivy sentiu a irritao no tom de voz da amiga e respondeu:  Com discernimento. O Joo est passando por 
uma situao bem difcil. Beth no respondeu.  Ele no sabe quem  ou de onde . Ele tenta no aparentar, mas est assustado. Voc consegue entender isso, no consegue? 
Beth concordou com a cabea depois de algum tempo.  O Joo no faz ideia do que aconteceu com ele. Beth, preciso de um favor: voc usaria seu dom medinico como 
usou ano passado por mim, tocando nas roupas que o Joo estava usando quando foi encontrado para ver se voc encontra alguma pista do que aconteceu? Voc o ajudaria? 
 Ajud-lo?  ela parecia zangada, despeitada, diferente da Beth de sempre.  Sim, ele. Beth, no aceite como certo, logo de cara, o ponto de vista que o Will tem 
dos outros.  No aceito  disse secamente.  Desculpe, mas nesse caso, voc est cegamente aceitando o que o Will disse. Como voc pode julgar o Joo? Voc nem 
o conhece.  Como voc pode confiar no Joo?  rebateu Beth.  Voc no sabe nem o nome dele.  Mas conheo o... corao dele  disse Ivy.  No tenho a sua mediunidade, 
mas posso sentir a bondade nele.  Will me contou que voc ajudou Joo a fugir do hospital, fugir sem pagar a conta e, pior ainda, sem com que ele conseguisse entender 
por que estava l. Ivy, ele se meteu em uma briga violenta. Will viu os ferimentos e o corte na garganta dele. Ivy desviou o olhar.  Pelo que sabemos  continuou 
Beth  o Joo pode at ter matado algum.  O qu?!  Ivy, voc no faz estas coisas  disse Beth.  Virar as costas para

#Will...  No estou virando as costas para ele!  ...tomando as dores de um cara que, obviamente, est usando voc. No sei o que est acontecendo, mas voc no 
 a mesma desde o acidente. Ivy virou-se para a amiga e disse:  Posso dizer o mesmo de voc. Beth passou a mo pela corrente dourada com a ametista, pairando os 
dedos sobre a pedra. Deixando escapar um longo suspiro, Ivy olhou para o mar que batia forte contra o per.  Ivy, oua-me  disse Beth. Seu tom agora parecia mais 
implorar do que demonstrar raiva.  Tem alguma coisa bem errada acontecendo. No consigo espantar uma sensao de que algo terrvel vai acontecer.  Como o qu? 
 No sei  a voz de Beth era trmula.  Mas voc deve tomar cuidado. No  o momento para se confiar em estranhos. Ivy pousou gentilmente sua mo sobre a mo da 
amiga.  Sei o que estou fazendo. Est na hora de voc confiar em mim. Quando chegaram em casa, Ivy viu que a mochila de Joo e o colchonete haviam sumido. Beth 
olhou para o balano vazio apreensiva, espiando pela porta de tela antes de entrar no chal, como se Joo estivesse esperando l dentro. Ao segui-la para dentro 
do chal, Ivy ficou surpresa quando encontrou Will por l, sentado no sof, montando o quebra-cabea.  Oi, Will.  Oi. Divertiram-se?  ele perguntou.  Sim. Os 
trabalhos de arte so maravilhosos  respondeu Ivy, esperando parecer animada e  vontade ao lado dele.  Voc iria amar. Will olhava para ela como se estivesse 
tentando entender se as coisas estavam "bem" entre eles, e ento disse:  No tem como ver tudo em uma viagem s, ento talvez voc queira ir mais uma vez comigo. 
Que tal?  Claro!  Ivy sentou-se em uma cadeira de frente para a mesa de centro.  Mas dessa vez com dinheiro. Vi uns dez pares de brincos e um monte de braceletes 
de que gostei. Daria para comprar todos os meus

#presentes de natal por l  disse, inclinando-se para frente para encaixar uma pea do quebra-cabea.  Beth, sente-se aqui  convidou Will.  Tive uma ideia que 
quero discutir com vocs duas. Beth estava na cozinha, mas voltou de forma relutante.  Estive pensando em domingo que vem  disse Will quando Beth se sentou na 
ponta do sof.  No aniversrio da morte de Tristan e em como poderamos homenage-lo. Fogueiras so permitidas no litoral. E tem uma praia chamada Race Point que 
parece ideal para isso. O que acham? Ivy, sabendo como Will estava se esforando, sentiu as lgrimas emergirem e disse:   uma tima ideia.  Estava pensando em 
pegar a autorizao na tera-feira no centro de visitantes  Will olhou para Ivy cheio de esperanas e disse:  Que tal fazermos isso e jantarmos em Provincetown? 
Ela sorriu para ele dizendo:  Perfeito. Beth levantou-se silenciosamente e voltou para a cozinha. Will virou-se e perguntou para ela:  Beth, voc est bem?  Sim 
 ela disse de l. Ivy chegou mais perto de Will e disse:  Tem alguma coisa incomodando Beth de verdade.  Acho que  o aniversrio de morte  disse Will, segurando 
a mo de Ivy.  Ela passou por muita coisa com a gente. No d para simplesmente apagar essas lembranas. As coisas vo ficar mais fceis para todos ns depois do 
dia 25. Ivy olhou para a sua mo entrelaada  de Will e concordou em silncio, desejando poder acreditar como ele.

#Captulo 13

M

ais tarde, na segunda-feira, ao pisar em uma poa de gua no estacionamento da pousada, perguntando a si mesma se Joo tinha encontrado abrigo durante a tempestade 
da madrugada, Ivy jogou uma sacola com uma toalha de praia e algumas partituras no banco de trs do Beetle.  Ei, bem na hora! Ivy pulou ao ouvir a voz de Joo. 
 Com certeza,  bem fcil seguir voc  comentou Joo, saindo do meio dos arbustos do estacionamento da pousada.  No que voc estava pensando?  Em msica  mentiu. 
Para que alimentar o ego dele?  Estou indo treinar.  Aonde voc vai treinar?  perguntou Joo. As roupas dele estavam

#midas e amassadas e a mochila pendurada no ombro.  Chatham. Uso o piano da igreja. Ela deu um clique duplo nas chaves e disse:  A porta est aberta. Para onde 
voc vai?  perguntou quando ele colocou a mochila no banco de trs.  Lighthouse Beach.  Lembrou-se de alguma coisa?  No, mas espero me lembrar ao ver o lugar. 
Ivy pensou em se oferecer para ir com ele, mas tinha comeado a v-lo como um gato, uma criatura que se aproxima dos outros quando est pronto. Joo estava usando 
os sapatos velhos novamente. Quando Ivy saiu do estacionamento, viu os sapatos novos pelo espelho retrovisor, ainda estavam amarrados na mochila.  Eu comprei o 
nmero errado? Ele seguiu o olhar dela e disse:  Sim, mas ficou um enfeite bem legal.  Podemos trocar por outro que sirva.  Poderamos, mas isso seria trabalho 
demais. E se os quiser de volta, tenho o palpite de que servem no Will  disse, com um sorriso malicioso.  Se voc tivesse ido at a loja comigo  disse bruscamente 
-, eu no precisaria ter adivinhado que nmero voc cala. Eles no conversaram novamente at entrarem na estrada 28.  Ento... se voc treina durante o vero, 
deve levar a msica bem a srio  ele disse.  Levo. Joo se virou no assento para pegar os livros. Seu brao roou no dela, o corpo dele estava prximo demais dentro 
do pouco espao no interior do carro. Por um momento, Ivy sentiu-se tonta, impressionada pela forte conscincia da presena dele. Ele pegou uma partitura e se virou 
de frente novamente. Ficou feliz por ele estar folheando o livro e no ver que ela havia mordido os lbios, tentando se concentrar na estrada.  E de que tipo de 
msica voc gosta?  ela perguntou.  Quer dizer, alm da verso desafinada de "If I loved you".

#Ele riu e disse:  No me lembro, mas a minha banda predileta  a Providence. No, espera a, essa  a cidade mais prxima do hospital. Ela riu com ele.  Voc 
toca para mim?  ele pediu. O pedido a surpreendeu.  Meu estilo  msica clssica.  No se preocupe. No consigo me lembrar do que gosto  disse, com um sorriso 
amarelo. Um pouco depois, ela parou o carro no estacionamento da igreja.  Tenho de pegar a chave na sacristia. Joo foi com ela at um pequeno edifcio que se conectava 
com a igreja por uma passagem coberta. As janelas estavam abertas e Ivy ouviu a campainha tocar l dentro. Ento, ouviu o padre John:  Aqui nos fundos! Joo, que 
estava de jeans, rapidamente abaixou as mangas do agasalho at os pulsos. O padre estava no jardim, usando um avental de brim, com as mos enfiadas na terra, a face 
molhada de suor debaixo do sol forte. Ivy o apresentou a Joo. O padre John abriu os braos em um pedido de desculpas e fez um leve aceno de cabea.  Meu dia de 
folga  explicou.  Para quem est de folga, o senhor est trabalhando demais  comentou Ivy. Dentro de uma cerca de madeira branca havia uma pequena horta. Do lado 
de fora, havia uma vala parcialmente cavada e sacos de adubo e terra ao lado.  Estou plantando rosas  disse, indicando com as mos.   claro que existem as rugosas, 
as rosas da praia, aqui em Cape. Sei que estou sendo tolo de cavar buracos na areia e trazer terra preta para cultivar rosas  disse, sorrindo e dando de ombros. 
Ivy percebeu que Joo estava um pouco mais relaxado.  Voc est aqui para tocar  adivinhou o padre, pegando as chaves que estavam presas em seu cinto.  Voc poderia 
traz-las de volta depois de abrir a porta?

#Joo foi com Ivy at a porta da igreja, depois se ofereceu para devolver as chaves. Quinze minutos mais tarde, quando ele no havia retornado, Ivy suspirou. Partidas 
sbitas pareciam ser a maneira predileta de adeus de Joo. Ao terminar os exerccios, tirou-o da cabea e se concentrou na nova msica designada pela professora. 
Estudou bastante, e seu dedilhado inseguro ficou mais preciso. Ivy sempre se impressionava com a sensao de ver uma msica crescer em suas mos. Uma hora mais tarde, 
ao juntar seus materiais, ouviu a porta da igreja se abrir. Joo foi at ela, parecendo feliz consigo mesmo.  Consegui um emprego.  Conseguiu? O rosto dele estava 
todo suado e havia uma mancha de terra na parte da frente do agasalho. Ele apontou para o jardim, a mo dele estava cheia de terra e areia.  Estava ajudando o padre, 
s para ter o que fazer. E ele me perguntou se eu gostava desse tipo de trabalho. Ele vai arrumar um emprego para mim com um dos paroquianos que est procurando 
por ajudantes de vero.  Que timo! Ele no se importou com o fato de voc no ter referncias?  Inventei um nome e um nmero de celular  respondeu Joo.  O 
qu?  Com um pouco de sorte, o homem no vai se dar ao trabalho de verificar.   que...  Ivy no terminou a frase. A ferida no rosto de Joo ficou menos aparente 
debaixo do bronzeado e mal dava para not-la. A brisa da manh estava forte, e pode ser que o padre no tenha achado estranho o fato do Joo no ter arregaado as 
mangas para trabalhar.  Voc no confia em mim. Will est enchendo a sua cabea de dvidas... Defendendo Will, Ivy disse:  No o culpe. Posso muito bem duvidar 
de voc, sozinha.

#Joo olhou para ela, depois jogou a cabea para trs e riu.  Voc  to honesta!  disse, sentando-se em um dos bancos, abrindo os braos no encosto.  Toque algo 
para mim. Tenho a forte sensao de que no sou um cara de classe e ser bem fcil me impressionar.  A msica que voc estava cantarolando  de um musical. Tenho 
uma pilha de canes da Broadway na minha casa em Connecticut  disse, folheando os livros que havia trazido, procurando por algo leve e meldico.  Um rapaz que 
amei muito gostava de musicais.  Voc no o ama mais? Ivy olhou nos olhos de Joo e disse:  No, ainda amo. Amarei para sempre.  Ele deu um fora em voc  concluiu 
Joo.  Ele morreu. Joo tirou os braos do encosto e disse:  Sinto muito... no imaginei... Como?  ele perguntou delicadamente.  Foi assassinado. Joo ficou 
de p e disse:  Santo Cristo! Ivy deu um longo suspiro.  Est rezando? Veio ao lugar certo. Joo continuou a olhar para ela, que se ocupou procurando a msica 
adequada.  Esta vai dar certo: Brahms  e comeou a tocar. Joo circundou o piano, ainda olhando para ela com as mos no bolso e depois caminhou pelo corredor lateral. 
Parava a cada vitral como que para examin-los. Ser que estava interpretando as imagens ou apenas olhando para elas? Era o que Ivy se perguntava. Ser que estava 
vendo o presente ou tendo vises do passado? Mais do que nunca, seu passado com Tristan parecia se intrometer em sua vida cotidiana. "Concentre-se no presente", 
dizia a si mesma, olhando para Joo. "Concentre-se em algum que precisa da sua ajuda agora." Talvez a msica faria com que a mente dele relaxasse, permitindo que 
se lembrasse de alguns dos fatos que estava reprimindo. Terminou de tocar Brahms e continuou com a msica que conhecia de cor: o primeiro movimento da sonata para

#piano de Beethoven, nmero 14. No fim dos acordes, Joo estava de p ao lado dela.  Voc est tocando de cor  disse, quando ela terminou a ltima nota. Ivy concordou 
com a cabea.  No consigo me lembrar do meu prprio nome, mas voc consegue tocar uma msica inteira de cor. Ivy engoliu seco. Melhor ter a dor em seu corao 
para sempre, do que perder a lembrana de Tristan. Foi isso que tinha aprendido com Joo.   uma msica de que voc gosta, ou talvez uma de que ele gostava  opinou 
Joo. Ivy fechou o piano e juntou suas peas musicais.  Sim.  "Sonata ao luar"  disse Joo.  A primeira parte da sonata, nmero 14, de Beethoven. Ivy virou-se 
para ele, surpresa. Joo deu um passo para trs e disse:  Nossa! Como eu sei disso? Eles se entreolharam, refletindo o espanto mtuo, e ento Ivy sorriu:  E voc 
achava que no tinha classe! Ivy e Joo estavam no topo da escada ao lado do farol de Chatham, o mesmo lugar em que ela e Will estiveram oito dias antes. Com o sol 
da tarde, a longa extenso de areia, com mais de 500 metros, era quente e branca. O mar ia e vinha, curvando-se ao sul at onde o olhar conseguia alcanar, com um 
tom de azul que Ivy amava. Pegaram sanduches e refrigerantes em uma lanchonete perto da igreja e Ivy emprestou a Joo a toalha de praia que havia trazido.  Voc 
gostaria que eu voltasse daqui a uma hora?  uma longa caminhada at o Nickerson e eu vou para l para voltar para casa. Joo manteve o olhar fixo na praia e, depois 
de um tempo, disse:  Voc pode vir comigo? Ela teve o cuidado de no ir logo dizendo " claro, esperava por isso, fao qualquer coisa para ajudar voc".  Claro. 
Adoro a praia  respondeu e comeou a descer a escada.

#Ao chegar  areia, ficou de lado para que Joo indicasse o caminho, pois no queria fazer nada que pudesse atrapalhar a vinda da lembrana. Ela o acompanhou pela 
praia, tirando os sapatos, como ele, quando chegaram  areia mida, depois andou ao lado dele na direo sul. Crianas brincavam na beira da gua, correndo para 
l e para c com suas ps de plstico. Um pai jogava frisbee com seus filhos. Uma senhora de meia-idade, com os cabelos molhados, sorria para si mesma, trazendo 
sua embarcao para fora da gua. Debaixo de um guarda-sol listrado, um garotinho jogava xadrez com um menino mais velho, deixando escapar o grito da vitria. Pensando 
em como Philip adorava jogar com Tristan, Ivy desviou o olhar e viu que Joo examinava a dupla.  Voc estava franzindo a testa  disse Ivy quando voltaram a caminhar. 
 Achei que... por um momento, conhecesse o garoto, o menorzinho. Caminharam em silncio e passaram por uma placa que dizia ser proibido nadar a partir daquele ponto. 
 O policial que me interrogou, disse que me encontraram a quase 50 metros alm da placa de proibido nadar. Percorreram essa distncia e Joo parou para examinar 
a rea.  No foi uma atitude muito esperta  ele comentou secamente.  Nadar  meia-noite em uma rea de correntes perigosas.  Voc tem certeza de que estava nadando? 
 Os mdicos disseram que havia gua do mar em mim suficiente para afogar um exrcito.  T, mas  bvio pelos seus ferimentos que voc esteve em algum tipo de luta. 
Talvez voc tenha sido jogado inconsciente na beira do mar e a mar subiu. Voc sabe nadar? Ele recuava a cada vez que a gua se aproximava, como se no estivesse 
gostando dela em seus ps.  No  uma coisa que todo mundo sabe?  ele perguntou.  No, no .

#Ele olhou para baixo e disse:  A gua...  algo que me incomoda. No quero entrar. Me assusta  admitiu, indo para o lado mais seco da areia.  Depois do que aconteceu 
com voc, devia assustar mesmo  respondeu Ivy, indo atrs dele, abrindo a toalha de praia onde ele havia deixado a mochila, a aproximadamente 60 metros acima da 
mar.  No tem problema em ter medo, Joo. Qualquer pessoa que quase tenha se afogado teria medo. Ele tirou o moletom e a camiseta. A fora e a vulnerabilidade 
que percebeu nele fizeram com que Ivy perdesse o flego. As costas e os ombros eram largos e musculosos, mas a pele era plida, verde-acinzentada, com ferimentos 
que comeavam a clarear.  Nada disso me parece familiar  disse, analisando as casas distantes, espalhadas pelas dunas. Ele se sentou ao lado de Ivy na toalha. 
O desejo de abra-lo, de proteg-lo da confuso e do medo que o assombravam era to forte que teve de desviar o olhar. "Anjo das guas, ajude-o", ela rezou e perguntou. 
 Voc acredita em anjos?  No. Voc acredita?  Sim  ela disse com firmeza. Olhando de soslaio, percebeu o canto da boca de Joo curvar-se para cima. Lembrou-se 
de quando Tristan fez a mesma expresso engraada.  Acredito que h pessoas que agem como anjos, aparecendo inesperadamente na hora em que voc precisa delas. Como 
o garotinho que me deu isto  enfiou a mo no bolso, tirando a moeda dourada com um anjo estampado.  Ele chegou perto de mim no hospital e comeou a conversar comigo 
como se me conhecesse a vida toda. Era como se conseguisse ver atravs de mim, entendendo algo que eu mesmo no conseguia. Ivy pegou a moeda dele e disse:  Aquele 
garoto... ele  meu irmo.  Seu irmo  Joo estreitou os olhos, como se estivesse tentando se lembrar de alguma coisa. O celular de Ivy tocou e os dois olharam 
para a bolsa dela. Depois de

#um minuto, o tom familiar parou, e a come-ou novamente.  Voc no vai atender?  perguntou Joo. Ivy devolveu a moeda para ele e disse:  Mais tarde, uh, quero 
molhar os ps  e foi at a rebentao. Sentia que, da mesma forma que no conseguia lutar contra o mar, no conseguia lutar contra essa profunda ligao que sentia 
com Joo. Era um alvio estar ali, sentindo o mar tocar suas pernas, deixando a sua pele fria e latejante. Tristan a tinha ensinado a nadar e, depois da morte de 
Gregory, Ivy tinha feito aulas, tornando-se uma nadadora ainda mais forte. Mesmo assim, seus ps lutavam contra a corrente e seus braos se arrepiavam com os respingos 
do mar. Sentia medo e atrao ao mesmo tempo. Ficou bastante tempo ali, depois voltou mais para a beira, agachando-se para olhar para as conchas e pedras brilhantes 
que se avolumavam no lugar. Ao olhar para cima, Joo estava mais perto dela, olhando-a com tanta ateno que a deixou constrangida. Ela se levantou e ele veio na 
direo dela ao mesmo tempo, sorrindo.  Seu cabelo!  ele disse. Sentindo o vento na sua direo, ergueu as mos para prender o cabelo, segurando-o.  O que foi? 
 Voc precisa ver. Est... selvagem. Ela imaginou que o cabelo estivesse voando com a brisa como algas marinhas douradas.  Ei, por acaso eu rio do seu cabelo? 
 "no que haja alguma razo para isso", foi o que ela pensou. O cabelo dele tinha um tom dourado que brilhava, com um leve cacheado  como o cabelo que um escultor 
italiano daria a um heri. Joo riu, depois olhou por cima do ombro. O celular dela estava tocando novamente. Deu para ouvir antes da brisa levar o som para longe. 
 O mesmo toque  ele observou.  Por alguma razo, parece-me que  o Will.  .  Deixei-o nervoso ontem.

#Como Ivy no disse nada, Joo continuou:  Pensei em dizer a ele que no havia nada com que se preocupar... Ele tem de se preocupar?  Com o qu? Ele sorriu.  
Bem, quando eu estava na minha grande fuga do hospital, perguntei se deveria dizer que era seu namorado. Voc rapidamente me corrigiu. Irmo, foi o que voc disse. 
Ivy olhou para baixo e virou uma concha com os dedos do p, como se estivesse fascinada ao ver o outro lado da concha.  Uma garota que rapidamente diz que voc 
no pode ser o namorado dela lhe d duas alternativas: ou est muito comprometida com seu namorado ou sentindo-se culpada por no estar. Ivy agachou-se para peg-la. 
 Qual alternativa est correta?  ele perguntou. Ela no respondeu. Levantou-se e conseguiu desviar a ateno dele dando-lhe a concha. No entanto, em vez de olhar 
para a concha, ele tocou em uma mecha de cabelo dela. O toque suave da mo dele, a forma como abriu a palma da mo, olhando para o cabelo dela, fez com que seu corao 
acelerasse. O olhar dele escondia-se por trs dos cachos dourados. Ento, ele ergueu o olhar e segurou os cabelos dela com as duas mos, tirando-os da frente do 
rosto dela. As mos dele deslizaram por sua nuca com a suavidade de algum que segura uma flor. Olhando para sua boca, ele inclinou a cabea, lentamente aproximando 
o rosto dele de Ivy. A mar fria os separou.  Desculpe, eu... me assustei. Foi a gua  disse, envergonhado.  Eu tambm  depois de um momento de silncio desconfortvel, 
ela acrescentou:  Estou morrendo de fome. Que tal almoarmos agora? Ele concordou. Voltaram para a toalha de praia e comeram em silncio. Assim que Ivy deu a ltima 
mordida no sanduche, seu telefone tocou novamente. Joo cantarolou com o tom familiar e sorriu para Ivy. Ela enfiou a mo na bolsa.

# Sabia que mais cedo ou mais tarde voc cederia.  Sabia?  ela perguntou. Deixando o telefone na mochila e pegando um livro e culos de sol para comear a ler. 
Joo riu, depois esticou o agasalho atrs dela e a camiseta atrs dele. Em cinco minutos estava dormindo. Dava para saber pela respirao lenta e ritmada. Ela pegou 
o celular na bolsa. Trs ligaes e trs mensagens de texto de Will. Uma ligao, nenhuma mensagem de Beth. Ivy olhou para a primeira mensagem de Will: "Onde voc 
est?" "No posso ir a lugar nenhum sem contar a voc?", pensou Ivy, mas logo se sentiu culpada. Abriu a segunda mensagem. Era um pedido de desculpas por algo que 
disse nas mensagens de voz. Passou para a terceira mensagem, decidindo no ouvir as mensagens de voz. As coisas entre eles j estavam tensas demais. "Voc est bem?" 
escreveu Will. "B acha que h algo errado. Uma daquelas sensaes que ela tem. Me deixando louco." Ivy suspirou. No poderia culpar Will por se preocupar quando 
Beth ficava assim, mas desta vez Beth estava errada. "Na praia. Chego para jantar". Ivy digitou para Will e Beth, depois desligou o telefone e o jogou dentro da 
bolsa. Olhando para Joo, Ivy esticou a mo e, com seus dedos suaves, tocou o cabelo dele. Deitou-se ao lado dele, querendo, pela primeira vez em um ano, viver em 
uma outra poca que no fosse o momento presente.

#Captulo 14

ram quase 18 horas quando Ivy deixou Joo no Nickerson. Ao chegar no estacionamento da Seabright, notou que havia um carro esportivo amarelo estacionado ao lado 
do jipe de Kelsey e do Audi de Dhanya. Ouvindo vozes na direo do chal, Ivy verificou suas mensagens antes de seguir o caminho que dava para o lugar. Will tinha 
escrito que os novos amigos de Kelsey e Dhanya fariam um churrasco: "Que tal dar uma passadinha?", ele acrescentou  mensagem. Sua preocupao havia se transformado 
em sarcasmo e, de certa forma, assim ficava mais fcil lidar com a situao. No fim do caminho, viu que o churrasco j havia comeado. Uma mesa velha e comprida 
tinha sido arrastada do depsito da tia Cindy e estava coberta com uma toalha xadrez. Cadeiras extras tinham sido emprestadas da varanda da pousada. Will estava 
atiando o carvo na churrasqueira e

E

#olhou para ela ao v-la se aproximar.  Legal voc ter vindo  comentou, voltando a se ocupar com a churrasqueira. Beth colocou tigelas enormes de pes e de batatas 
chips ao longo da mesa e voltou para o chal como se no a tivesse visto.  Oi  Ivy a cumprimentou. Beth olhou por cima do ombro, depois olhou para Will, o que 
deixou Ivy irritada. Era como se tudo o que importasse era o que Will estava sentindo.  E a, menina? Por onde andou?  perguntou Kelsey. Ela e um rapaz de cabelos 
escuros estavam montando uma rede para jogar peteca.  Por a  Ivy respondeu.  Mas parece que cheguei bem na hora.  Chegou mesmo, mas agora vai ter de ajudar 
a limpar! Ivy riu. Pela primeira vez estava feliz por estar perto de uma baladeira que falava bem alto. Seu cumprimento foi muito melhor que a frieza de Will e Beth. 
 As bebidas esto na geladeira. No tem nada de bom  Kelsey disse, apontando para a pousada com a cabea. Ivy sups que ela quisesse dizer "nada de bebida alcolica", 
no com tia Cindy por perto.  J volto  respondeu Ivy ao entrar no chal. Dhanya estava na cozinha, fazendo pat; as pulseiras douradas, prateadas e de bronze 
se agitavam em seu brao. Um rapaz estava sentado na cadeira, observando-a. Devia ser o Max, Ivy pensou ao ver a camisa. Era de seda havaiana e os tons florais de 
azul e verde-limo contrastavam com o colorido monocrnico dele: pele bronzeada, cabelos castanho-claros e, quando ele se virou para Ivy, deu para ver os olhos castanho-claros, 
quase mbar. Ele sorriu, os dentes brancos e perfeitos brilhavam em contraste aos tons de bege.  Max Moyer  disse, oferecendo-lhe a mo.  Ivy Lyons  respondeu, 
indo at ele, achando engraado o fato de ele ter estendido a mo, mas continuado sentado na cadeira, com o p casualmente dobrado em cima do joelho. Ao olhar para 
baixo, Ivy conheceu

#o estilo de sapato docksider  Gregory tambm usava desse tipo.  Ouvi falar muito de voc  disse Max.  E o quanto voc acha que  verdade?  perguntou Ivy. Sua 
resposta rpida o pegou de surpresa. Ela sorriu e, logo em seguida, Max sorriu tambm, dizendo:  Tudo! Dhanya no mentiria para mim. Dhanya olhou por cima do ombro, 
mas no disse nada.  Mesmo assim,  melhor voc acreditar somente nas coisas boas  ela disse e virou-se para Dhanya para perguntar:  Ei, o que voc est fazendo? 
 Requeijo com ervas finas. Me d sua opinio  disse Dhanya, passando um pouco do pat em uma colher para Ivy experimentar.  Hmm. Acho que vou me sentar bem perto 
dessa tigela.  Posso experimentar?  disse Max, mergulhando uma bolacha de gua e sal.  Espetacular!  exclamou e novamente mergulhou a bolacha, j mordida, na 
tigela de pat. Dhanya olhou para Ivy, balanou a cabea e separou a parte utilizada por ele. Tentando no rir, nem de Dhanya nem de Max, Ivy subiu para trocar de 
roupa. Quando se reuniu com os demais, Max estava ao lado de Will, observando-o preparar os hambrgueres na churrasqueira.  Voc no pensa em fazer parte de uma 
fraternidade?  perguntou a Will com os olhos arregalados de surpresa.  O que voc vai fazer o dia todo? Morrer de tdio?  Pensarei em algo. Como estudar, por 
exemplo.  Mas como voc vai conhecer novas pessoas?  insistiu Max.  O Facebook  bom, mas as fraternidades...  l que a mistura social da Amrica acontece. Will 
riu.  Nunca as vi dessa forma. Beth sentou-se prxima deles, estava apenas ouvindo. No era incomum para Beth ser apenas uma observadora silenciosa em eventos sociais, 
fazendo anotaes mentais, juntando alegremente dilogos e

#detalhes para suas histrias. Mas era o "alegremente" que estava faltando, Ivy pensou ao analisar o rosto da amiga. Parecia que Beth estava se preparando para uma 
prova.  Ningum quer brincar com a gente?  perguntou Kelsey sobre o jogo de peteca.  Vocs esto levando o jogo a srio demais para eu participar  respondeu 
Ivy, sentando-se no balano para tomar seu refrigerante. Dusty a seguiu, e ela levantou os braos para que o gato pudesse pular em seu colo.  Para mim tambm  
disse Max.  Com Bryan, s jogos eletrnicos. O oponente de Kelsey, que era de estatura mediana mas muito bem constitudo, apontou para o amigo, arqueou as sobrancelhas 
e gritou como uma galinha. Max deu de ombros.  Ento, vamos parar. Estou com sede  disse Bryan para Kelsey, depois foi at a geladeira e perguntou, procurando 
no meio do gelo.  No tem Red Bull?  S Mountain Dew e Coca  respondeu Dhanya. Max brindou com Dhanya, depois disse para Bryan:  Esta  uma reunio de classe. 
 Ento, tinha de ter pelo menos vinho  murmurou Bryan, ao pegar um refrigerante. Sentou-se no balano ao lado de Ivy, fazendo com que o gato pulasse dali.  Tambm 
gosto de voc, gatinho  Bryan disse a Dusty depois virou-se para Ivy e perguntou:  E voc ? Kelsey disse por entre os dentes.  Voc sabe quem ela .  Ivy  
Max disse ao amigo.  A nica amada de Will  acrescentou Kelsey.  Nossa, isso  muito limitador  respondeu Bryan. Ivy controlou-se para no revirar os olhos e 
disse:  Prazer em conheclo. A constituio fsica e a forma de se movimentar indicavam que Bryan

#era um bom atleta. Ele estava usando uma camiseta em que se lia Boston University em seu peito forte e shorts com a insgnia da faculdade. Os espessos cabelos negros 
e os olhos verdes eram impressionantes. Sua pele irlandesa dava-lhe um bronzeado ainda mais vermelho que o de Max.  Estvamos contando a Bryan e Max sobre o seu 
acidente  disse Kelsey a Ivy, levando uma cadeira at o balano.  Sobre como o seu carro deu perda total e tudo mais.  Jamais perceberia ao olhar para voc e 
para Beth. Como voc est?  perguntou Bryan.  tima. A mesma de antes. Max aproximou-se e disse:  Que tipo de carro tirou voc da estrada?  Provavelmente uma 
Ferrari  disse Bryan, sarcstico.   o carro de Maxie. As pessoas que tm Ferraris sempre dirigem como bem entendem na estrada.  S dava para ver os faris  
explicou Ivy.  Ento, no fao ideia de quem foi.  Os faris estavam baixos?  perguntou Max, passando um pedao de po j mordido por toda a extenso da tigela 
de pat. Ivy olhou para Beth e disse:  No estvamos vendo os fatos como testemunhas de um acidente, ento no prestamos ateno nesses detalhes. Bryan concordou 
e recostou a cabea no brao dela, dizendo:  Deve ter sido uma cena bem assustadora. Kelsey, olhando para Bryan e Ivy, posicionando os ps bem no meio deles no 
balano disse:  Fico imaginando o que aconteceu com aquele cara que estava no hospital com voc, Ivy, sabe, aquele com amnsia que era to amigvel. Do canto do 
olho, Ivy viu a tenso em Will.  Rapaz com amnsia to amigvel?  , algum o pescou no meio do mar em Chatham, na mesma noite do acidente de Beth e Ivy.   srio? 
 perguntou Bryan, surpreso. Depois virou-se para Max e

#disse:  Ser que ele estava na sua festa?  No  disse Kelsey.  Eu teria me lembrado dele. Era lindo, at mesmo depois de uma surra. Tinha olhos incrivelmente 
sedutores. No durou mais do que meio segundo o brilho nos olhos de Bryan, mas Ivy percebeu. Kelsey tinha sido muito bem-sucedida em apertar o boto verde nele, 
e em Will. Mas Bryan sabia esconder o cime bem melhor que Will, que continuou de cara feia.  No sei se concordo  disse Dhanya.  Achei ele bem assustador.  
Amnsia  disse Bryan, ponderando.  Por que eu no pensei nisso? "No sei, policial, nada disso me parece familiar... No fao ideia, mame... Srio, querida? No 
consigo me lembrar de nada!" Que desculpa fantstica! Will abafou o riso. Ivy mudou de assunto, perguntando:  Voc participa de algum esporte na Boston University? 
 Hquei.   mesmo?  perguntou Will, interessado.  O time deles  timo.  H quanto tempo voc joga?  perguntou Ivy.  Nem consigo me lembrar da primeira vez 
que coloquei um par de patins e segurei um taco. Acho que eu tinha uns 6 meses. Kelsey riu.  Uma criana prodgio. Ele sabia andar com seis meses! Bryan riu para 
ela e disse:  No, mas eu sabia andar de patins.  Seu pai jogava hquei?  Ivy perguntou.  Minha me. Ela era de uma famlia de jogadores de hquei, todos os 
seus irmos jogavam. Trabalho para o meu tio. Ele tem um rinque em Harwich. Todos os anos venho para Cape para ajud-lo com os acampamentos de hquei de vero. E 
com isso malho, ficando em forma para a prxima temporada.  s 6 horas da manh. Ele treina todo dia, s 6 da manh  disse Max.  Mesmo que precise ir direto de 
uma festa.  O Max est exagerando  disse Bryan, virando-se para Ivy e dando um sorriso de bad boy para ela.  Sempre saio das festas s 4h30, assim posso

#dormir por uma hora e meia antes de entrar no rinque. Ivy simplesmente arqueou a sobrancelha e Bryan deu a maior risada.  Ento, que tal aparecer para umas aulas? 
Aulas particulares  acrescentou, arqueando a sobrancelha de volta para ela.  Sou um bom professor. "Uh-oh", pensou Ivy.  Acabou o pat  disse Kelsey.  Sua vez 
de ir buscar, Ivy.  timo  respondeu, deixando seu lugar vago no balano, imaginando que era ali que Kelsey sentaria assim que ela sasse. Botes verdes acionados 
por toda parte.

#Captulo 15

N

o primeiro dia de trabalho, tia Cindy deixou bem claro que, na pousada, o dever era ser receptivo com os hspedes, sempre auxiliando-os; discutir ou dar as costas 
a outro empregado era proibido. "Superem ou finjam", foi o que ela disse. Na tera-feira de manh, Ivy e Will foram designados para o salo de caf da manh; fingiram. 
Mas quando um beb jogou a torrada com geleia no cho e os dois abaixaram ao mesmo tempo, batendo as cabeas, Ivy riu.  Eu pego  disse Will, retirando a meleca 
do cho. Antes que Ivy ficasse de p, o beb derrubou leite por toda a lateral do cadeiro. Ivy sentiu sua cabea molhar e, logo em seguida, um lquido escorreu 
pelas suas costas. Will olhou para o cabelo de Ivy e riu da careta dela. Pegou um guardanapo de pano e comeou a enxugar sua cabea, o que fez com que os dois rissem.

#No momento em que as mesas foram limpas e a loua foi para a lavadora, grande parte da tenso da noite anterior tinha desaparecido.  Devemos sair s 14h45  Will 
disse a Ivy quando saram da pousada juntos.  Depois de conseguirmos a autorizao, podemos ir at Race Point e jantar em algum lugar em Provincetown.  Bom  respondeu 
Ivy. No chal, pegou seus materiais de msica e foi para a igreja. Estava determinada a praticar regularmente, de forma concentrada, como fazia em Connecticut. No 
entanto, assim que Ivy se aqueceu no teclado, sua mente continuamente voltava aos momentos do dia anterior: Joo de p atrs dela enquanto tocava a sonata. Joo 
abaixando a cabea, aproximando-se dela na beira do mar. Finalmente, conseguiu se concentrar e trabalhou por mais de uma hora. Quando terminou, tocou as msicas 
que sabia de cor: "To where you are" e depois "Sonata ao luar". Tocou vrios acordes de Beethoven e parou. Estava pensando em Joo, na forma como ele havia andado 
pela igreja enquanto ela tocava e em como tinha falado o nome da pea musical. Estava pensando em Joo enquanto tocava a msica de Tristan! Deixou as mos carem 
sobre o colo.  Por que voc parou? Ivy virou a cabea para trs e disse:  No ouvi voc entrar.  Eu sei  Joo estava sentado no canto do banco, no centro da 
pequena igreja.  H dez minutos voc estava tocando como uma louca, como se estivesse se apresentando no Lincoln Center. Lincoln Center? Ele conhecia o lugar, mais 
uma pista sobre a vida dele, por mais simples que parecesse.  Como foi o seu trabalho?  ela perguntou.  Voc no me disse por que parou  ele insistiu. Ivy virou 
o corpo todo no banco do piano e disse:  No falo tudo para voc. Ele sorriu e ela se livrou da explicao.  O trabalho estava timo. Foi muito bom fazer algo 
fsico e no pensar em nada, somente no que eu estava

#fazendo. O cara, Kip McFarland, tem 20 e poucos anos e possui uma pequena empresa de paisagismo. O salrio  baixo, mas j  um comeo, e h um benefcio.  Qual? 
 Posso dormir com os cortadores de grama no velho celeiro. H uma janela, sem vidraa, um banheiro e uma ducha do lado de fora. H tambm uma pilha de coisas inteis 
que tenho de limpar. Quer ver?  Uma pilha de coisas inteis? Como posso resistir? Um pouco mais tarde, seguindo as orientaes de Joo, Ivy dirigiu at Willow Pond, 
que ficava na estrada 6A, perto da baa do cabo. Um caminho de cascalho levou-os para o meio da mata at uma casa de pedras com cumeeiras e uma varanda ao redor. 
Com muito trabalho, e vrias camadas de tinta, a casa, suas rvores e o lago que as refletia poderiam parecer o cenrio de um dos quebra-cabeas de tia Cindy.  
Kip e sua esposa compraram a casa no outono passado e esto reformando  disse Joo.  Querem montar uma pequena pousada um dia desses, mas precisam de dinheiro, 
ento ele trabalha com carpintaria e paisagismo e ela d aulas e, no vero, o ajuda em seus negcios. Joo indicou que Ivy deveria passar pela lateral do celeiro. 
A estrutura cinza da madeira chamava ateno rodeada pela mata, como se procurasse abrigo na sombra.  Lar, doce lar  disse.  Se voc inclinar bem a cabea, parece 
at reta. Ivy sorriu.  Mal posso esperar para ver l dentro. Ao passar do dia ensolarado de junho para dentro da escurido do lugar, no dava para Ivy ver nada, 
a princpio, mas dava para sentir o cheiro.  Eu sei  disse Joo, percebendo que ela estava sentindo o cheiro.  Voc se acostuma.  Adubo. E fertilizante. Um fertilizante... 
bem rico. Conforme seus olhos se acostumaram  falta de luz, viu a montanha de coisas que precisavam ser arrumadas: moblia, livros, abajures, panelas de lagosta 
e varas de pescar to velhas que pareciam ser usadas pelos

#peregrinos.  Tem luz aqui? Ele apontou e disse:  Por cima do cortador de grama. Tudo daquele lado  equipamento para o negcio de paisagismo  e pegou uma lamparina. 
 A esposa de Kip me emprestou isso  quando ele acendeu, o vidro pesado da lanterna iluminou o espao de forma aconchegante.  Ah, gostei!  Achei mesmo que fosse. 
Ei, olha s o meu colega de quarto, Saco de pulgas. Um gato branco e preto, magrelo, passou pela porta aberta, se esfregando neles.  Voc est brincando, n?  
Sobre as pulgas ou sobre sermos colegas de quarto?  As duas coisas. Joo abaixou a lanterna e disse:  Bem, estava aqui h vinte minutos e Kip me mostrava o lugar, 
e o Saco de pulgas aqui ficou se esfregando em mim por dez dos vinte minutos, depois entrou na minha mochila.  Vou comprar remdio de pulgas para ele.  Vai ter 
mais sucesso comprando para mim. Kip disse que perdeu o maior tempo para conseguir prend-lo para levar a um veterinrio. Ele  selvagem demais para ser adotado, 
mas gosta de aparecer de vez em quando e ficar por a. Entendo porque somos perfeitos um para o outro  Joo disse secamente.  Sim  disse Ivy, examinando a baguna. 
 Ento, onde exatamente voc vai dormir? Poderia ser naquele canto ali, se voc no se importar em ficar de ponta-cabea, pendurado pelos ps.  No me importo, 
mas acho que os morcegos j ocuparam essa vaga. S vou ter de arrumar um espao.  Ento, vamos comear  ela disse.  Agora?  Ser mais fcil mover as coisas com 
duas pessoas  Ivy disse a ele,

#olhando para o gato.  No acho que seu colega de quarto ir mover uma palha.  S quando encontrarmos um ninho de ratos.  At l  respondeu Ivy, pegando uma 
cadeira quebrada e indo at  porta. Levou-a at a caamba que tinha visto entre a casa e o celeiro. Joo a seguiu com um abajur de cho quebrado e um rdio velho. 
 Se conseguirmos tirar os dois sofs teremos mais espao para trabalhar. Um pequeno sof com as molas soltas foi bem fcil de carregar, mas o outro, um sof-cama 
que no parava de abrir, era duas vezes mais pesado. Ivy e Joo fecharam e empurraram a cama para dentro e comearam a arrastar.  Voc est bem?  perguntou Joo 
quando estavam quase na porta. O suor escorria pelo rosto dela, fazendo pequenas poas nas orelhas e nas bochechas.  Tudo bem. Ei! Olha como o cho est limpo na 
parte em que empurramos o sof.   a que vou colocar meu colchonete. Por que voc no deixa isso aqui por enquanto? Vou perguntar para Kip se posso usar a caminhonete 
dele. Se arrastarmos o sof pelo gramado, vamos arrancar tudo: grama e razes.  Concordo. Acharam vassouras no meio dos equipamentos de Kip e varreram o cho de 
concreto, comeando a arrumar espao para Joo, depois comearam a trabalhar na pilha de coisas. Era como uma caa ao tesouro, e comearam a gritar "tesouro!" quando 
um dos dois demonstrava interesse por algo, como um abajur com o formato de um cavalo empinado, revistas dos anos de 1960, uma plataforma giratria com um disco 
riscado ainda nela, "Chad e Jeremy", Ivy leu na etiqueta, depois deu de ombros e a levou para fora. Alcanaram um ritmo de trabalho bem confortvel, examinando, 
compartilhando, andando para l e para c at a caamba. Houve um momento em que Ivy viu Joo voltar para o depsito com uma pilha de

#revistas National geographic e disse:  Desculpe, acabei de jog-las fora.  Sei, mas me parecem interessantes. Colocou-as ao lado do colchonete, com as revistas 
dos anos de 1960. Depois de retirar um cortador de grama enferrujado, voltou com uma pilha de livros de cincias velhos. Dessa vez Ivy no falou nada; afinal de 
contas, era a casa dele. Carregaram tambm uma pia bem pesada.  Olhe para isto  disse, segurando vrios livros esportivos com figuras e letras grandes, aparentemente 
escritos por criana. Colocou-os debaixo do brao e os levou para dentro do celeiro. Quando, duas horas e muitas revistas depois, ele acrescentou  sua pilha os 
livros de culinria que Ivy tinha acabado de jogar fora, e ela no conseguiu manter o silncio.  Voc notou que no tem uma cozinha?  Pode ser que eu tenha algum 
dia. Ivy riu.  Hora de dar uma pausa. Vamos nos sentar na sala de estar  ele disse, apontando para o colchonete.  Quer beber alguma coisa?  abriu a mochila e 
tirou duas garrafas de gua. Ivy tomou um bom gole, depois enxugou o suor do rosto com a manga da camiseta.  Que bela sombra de poeira em seu rosto!  ele comentou. 
Ela tocou o rosto e ele disse:  Do outro lado  depois esticou a mo e limpou o rosto dela com delicadeza. Por um momento, Ivy no conseguia respirar, no conseguia 
falar. Estava sob o feitio do toque dos seus dedos. Mas, ento, algo passou por eles: Saco de pulgas. Ivy rapidamente se afastou de Joo, agindo como se estivesse 
prestando ateno no gato.  Agora  que voc aparece  murmurou Joo para o Saco de pulgas e recostou-se em sua mochila.  Est tomando forma. Gostei  disse, examinando 
as pilhas de livros e revistas ao redor deles.   aconchegante. Aconchegante, pensou Ivy. Era assim que descreveria a casa em que

#Captulo 16

T

ristan morava com seus pais. Lembrou-se da primeira vez em que a viu, quando Tristan adotou sua gata, Ella. A casa da famlia Carruthers estava cercada de livros 
e revistas.  Voc est sorrindo  disse Joo. Ela voltou ao momento presente e disse:   confortvel, mas no  a minha casa dos sonhos.  Qual  a sua casa dos 
sonhos?  perguntou, de curiosidade.  Uma pequena casa no lago. Sala de estar, cozinha e quarto, uma varanda de frente para o leste, outra para o oeste, e duas 
lareiras. E a sua?  Moraria no interior, em uma bela casa na rvore. Ivy riu.  Teria vrios andares e estaria construda no meio das rvores  Joo continuou explicando. 
 Conheo um lugar assim.

# Haveria uma escada de corda,  claro. E um balano. Ivy adorava o balano pendurado debaixo da casa da rvore de Philip, que ficava bem no limite da propriedade 
da famlia. Bem no alto da montanha, acima do rio e dos trilhos dos trens, a vista era espetacular.  E seria bem no alto da montanha, para que eu pudesse ver todo 
o campo. Ivy olhou surpresa para Joo.  O que foi?  ele perguntou.   exatamente como a casa da rvore do meu irmo  sua mente voltou ao dia em que Philip quase 
caiu da passarela da casa. Gregory nunca admitiu ter soltado os parafusos, e Ivy, que havia perdido a f nos anjos, no tinha visto o brilho dourado que Philip viu. 
Mas ela acreditava agora, assim como Philip, que foi Tristan quem o salvou. Ser que Tristan ainda estava aqui? "Sempre estarei com voc, Ivy". Ouvia as palavras 
agora com a mesma clareza que ouvira na noite do acidente, quando Tristan a beijou. Ivy conhecia o velho ditado, os olhos so as janelas da alma, e, s vezes, quando 
olhava para os olhos de Joo, era como se Tristan... No, s poderia ser sua imaginao.  Ivy, voc est tremendo. Ele tocou as mos dela com delicadeza e tentou 
mant-las firmes em seu colo.  Me fale  ele disse. Ivy balanou a cabea negativamente. Joo j estava bem confuso quanto a sua prpria identidade sem ela lhe 
dizendo que ele fazia com que sentisse a presena de Tristan.  s vezes, voc parece to triste  disse Joo.  No sei como ajud-la. Ivy tocou no rosto dele com 
carinho e disse:  Sei como voc se sente, s vezes voc parece to perdido.

#Foi uma srie de coincidncias, disse Ivy a si mesma ao entrar na Cockle Shell Road. Havia deixado Joo em sua casa "aconchegante" com uma nova geladeira porttil 
e sobras do jantar que haviam comprado mais cedo na cidade. Joo pediu que ela ficasse um pouco mais, mas ela precisava de tempo para pensar. No conseguiu desviar 
o pensamento dos estranhos momentos que ligavam Joo a Tristan. Se ousasse explicar a Will e Beth no que estava comeando a acreditar, sabia que eles diriam que 
ela estava imaginando, que era s por causa do aniversrio de morte de Tristan. O aniversrio de morte! Ah, no. Tinha se esquecido completamente de que pegaria 
a autorizao com Will. Quando ela e Joo foram comprar comida, nem se importou em olhar no celular e tinha se esquecido do jantar em Provincetown. O carro de Will 
no estava no estacionamento da Seabright. Ivy caminhou devagar at o chal. Estava pensando em como iria se explicar quando ouviu a Toyota estacionar. Ela parou 
e esperou, nervosa. Quando Will se aproximou da casa, ele apressou o passo, de cabea baixa.  Will  disse suavemente. Ele olhou para ela com raiva, dando para 
ler em sua expresso todas as emoes que sentia: alvio, descrena e raiva.  Will, eu sinto tanto!  disse, erguendo as mos para abra-lo, mas parando rapidamente, 
deixando as mos carem; algo, ela no sabia o qu, a impedia de toc-lo.  Sinto muito  repetiu. Um longo silncio se seguiu.   s isso?  ele perguntou.  Eu 
desapontei voc. Ele xingou baixinho.  Eu sinto muito mesmo. Simplesmente... me esqueci.  Voc tambm est com amnsia?  ele perguntou sarcasticamente.   contagioso? 
 perguntou, fuzilando-a com o olhar.  Era l que voc estava, no ? Com ele, com Joo.  Sim.

# No acredito! Por que vocs, garotas, fazem coisas deste tipo, correm atrs de caras que parecem misteriosos e excitantes, mas no tm nada a oferecer?  No 
estou correndo atrs... Ele a interrompeu e disse:  Eu amo voc, Ivy, mas isso est me matando. Ivy engoliu em seco.  Por que voc est fazendo isso comigo?  
ele gritou com ela.  No sei  ela respondeu gritando tambm. Viu como ele estava lutando para controlar a raiva e, de alguma forma, preferia que ele continuasse 
gritando.  Voc est agindo como fez aps a morte de Tristan, quando Gregory seduziu voc...  O qu!?  E voc continuou ao lado dele  disse Will.  Voc continuou 
confiando em Gregory mesmo havendo milhes de sinais mostrando que no deveria.  Como se voc no fosse amigo de Gregory tambm  Ivy disse de forma desafiadora. 
 Percebi quem ele era e fiquei amigo dele o suficiente para ajudar voc e Tristan  disse Will, quase perdendo a respira-o.  Tristan. Sempre voltamos a ele, 
no ? Meu Deus, como sou idiota! Ivy abaixou a cabea.  Na noite em que voc sofreu o acidente, quando cheguei ao hospital, o paramdico me perguntou se eu era 
Tristan. Ivy piscou.  Ele disse que voc estava chamando por mim na ambulncia. Ivy desviou o olhar.  Ento o mdico, animado com o seu progresso, veio at mim 
e disse: "Tenho boas notcias para voc, Tristan". Ivy fechou os olhos de dor. Will manteve-se impassvel, embora

#estivesse sentindo-se muito mal.  O que eu penso  o seguinte  disse Will, com a voz trmula.  No acho que esteja se apaixonando por esse Joo. Acho que sente 
pena dele e que precisa dele como uma distrao. Ivy olhou para ele novamente. Ele continuou a dizer o que pensava.  Com o Joo, voc pode sentir algo por algum, 
ajudar algum e continuar apaixonada por Tristan.  Will, eu sinto muito...  Esse lance com o Joo ajuda voc a se separar de mim. A melhor coisa que posso fazer 
por voc  dar o ponto-final que voc claramente tanto quer  a raiva era cada vez mais clara em sua voz.  Teria sido bem mais fcil para ns dois se voc tivesse 
tido coragem de me dizer quando soube que estava acabado!  Mas eu no sabia... Ele cerrou o punho, batendo na prpria palma da mo e disse:  Me d um tempo!  
Sabia que havia algo errado. Estava tentando entender as coisas  Ivy explicou. Ele concordou e perguntou:  E por que terminar quando pode ser que voc acabe precisando 
de mim, no ?  No! Isso  to injusto! Jamais usaria voc dessa forma.  Da prxima vez que tentar entender as coisas, tente pensar em como os outros se sentem 
em vez de pensar s em voc  ele se virou e voltou para o estacionamento.  Aonde voc vai, Will?  No sei. No me importo, desde que seja para bem longe de voc. 
As lgrimas que corriam pelo rosto de Ivy durante a discusso, pararam de cair cinco minutos aps a partida de Will. Ela voltou ao estacionamento e ficou imvel 
na frente do carro, olhando para a estrada como se Will pudesse voltar. "Est tudo acabado. Acabado", repetia a si mesma com descrena. Viu que havia um envelope 
no assento da frente do carro. Ao

#abri-lo, notou que era a autorizao para a fogueira. Entrou no carro, fechou a porta e chorou. Ivy dirigiu por uma hora e meia, primeiro pela estrada 6, precisando 
dirigir mais rpido e, quando parou de chorar, entrou na pista de mo dupla e cheia de curvas da 6A. Sentiu-se tentada a telefonar para sua me, mas ela amava Will. 
Philip amava Will. Beth amava Will. E Ivy tambm, mas no o suficiente. Quando retornou  pousada, estava quase escuro. O carro de Will estava de volta. O de Kelsey 
no estava l e no havia ningum no chal. Ivy sentou-se na sala de estar, tentando montar o quebra-cabea; remexendo na caixa, pegou uma pea, depois outra e acabou 
guardando todas. Agitada, saiu do chal, olhou para o balano e foi para a escada dos fundos da pousada, onde achava que seria menos improvvel encontrar quem quer 
que aparecesse primeiro. Se Will no tivesse contado aos demais sobre o fim do namoro, ela teria de fazer isso antes de comear a trabalhar no dia seguinte. Atrs 
dela, a porta da cozinha se abriu, fazendo com que a luz amarela se espalhasse pela grama.  No se levante  disse tia Cindy, saindo da cozinha para se sentar na 
escada ao lado de Ivy.  Como voc est?  Estou bem.  Nada fcil, hein? Ivy concordou.  Pois , quem contou a voc?  Beth. Oua, Ivy. Posso fazer com que voc 
e Will no trabalhem juntos por uma ou duas semanas, mas mesmo assim, ainda estaro morando debaixo do mesmo teto. Vocs no podem brigar na frente dos hspedes, 
e no quero ver ningum tomando partido de ningum. Ivy concordou com a cabea.  Se voc acha que no pode lidar com a situao, tem de me dizer.  Certo. Tia Cindy 
apoiou a mo gentilmente sobre as costas de Ivy.  Sei que

#parece que a dor  to forte que jamais vai melhorar. Mas vai, Ivy. Vai mesmo  ela disse antes de entrar na cozinha. Ivy levantou-se, caminhando lentamente pelo 
jardim. Depois de toda a sujeira e suor do dia, iria se sentir melhor se tomasse um banho antes de encarar os demais. Foi ento que viu Beth sair do celeiro reformado, 
do quarto de Will, concluiu Ivy, que suspirou profundamente e esperou.  Como est o Will?  Como voc est?  perguntou Beth ao se aproximar de Ivy. O tom gentil 
na voz da amiga desencadeou mais uma inesperada crise de choro.  Venha. Vamos conversar  disse Beth, dando um empurrozinho em Ivy em direo ao balano. Beth 
ficou quieta enquanto Ivy chorava.  Sinto-me to mal por mago-lo  disse Ivy, enxugando os olhos.  Sinto-me mal por vocs dois  respondeu Beth, acrescentando 
delicadamente.   duro para Will e para mim entendermos. Quer dizer, depois de tudo que vocs passaram juntos, como voc pode no am-lo?  Mas eu o amo  insistiu 
Ivy.  Mas talvez no do jeito que ele queira ser amado. Beth aproximou-se, olhando nos olhos de Ivy e disse:  Do jeito que ningum quer ser amado!  Sim, sim, 
voc est certa!  admitiu Ivy.  Mas, Beth, no d para sempre escolhermos como amar uma pessoa. O amor no  lgico nem justo. Simplesmente acontece. Debaixo da 
fraca luz da lua, Ivy viu o caminho prateado de uma lgrima correndo pelo rosto de Beth.  Voc contou a ele que eu vi Tristan na noite do aciden-te?  Ivy perguntou. 
 Que voc achou que viu Tristan... No. No, ele j est convencido de que est competindo com um cara morto. No vou deixar as coisas mais difceis para ele. Ivy, 
voc realmente esqueceu o seu encontro de hoje?

#Ivy concordou com a cabea e disse:  Estava com Joo, ajudando-o.  Joo!  Sim, limpando um celeiro para que ele tivesse um lugar decente para morar, e...  Ivy, 
voc tem de tomar cuidado. Voc no faz ideia de quem  o Joo  aconselhou Beth.  O que eu sei  mais importante do que o nome do qual ele se esqueceu. Existe 
uma ligao especial entre mim e o Joo, algo que s senti uma vez antes, com Tristan  Ivy ignorou a expresso de desaprovao no rosto da amiga.  Beth, o Joo 
me contou sobre a sua casa dos sonhos, e era exatamente como a casa da rvore de Philip. O Joo no conseguia se lembrar de qual tipo de msica gostava, mas subitamente 
reconheceu "Sonata ao luar", a msica de Tristan. E, sem ao menos conhecer a melodia, ele cantarolou uma cano do musical Carousel. No se lembra? Tristan tentou 
se comunicar comigo tocando em meu piano algumas notas de Carousel. Beth balanou a cabea sem acreditar no que ouvia, mas Ivy continuou:  Acho que Tristan voltou 
para mim.  Oh, Ivy. No! No pode ser.  Por que no?  Ivy perguntou, segurando-se na beira do balano.  Ele falava atravs do Will ano passado. Por que no poderia 
falar atravs do Joo agora, dando-me sinais de que ainda est comigo? Na noite do acidente, Tristan prometeu...  O Joo diz que ouve a voz de outra pessoa em sua 
cabea?  perguntou Beth.  No, mas... Beth se inclinou para frente, colocando a mo no pulso de Ivy.  Quando Tristan estava por aqui como anjo, ns o ouvamos. 
Quando ele entrava em nossas mentes, sabamos quem ele era. E nunca nos esquecemos de nossas identidades. Ivy afastou-se da amiga. Ficaram sentadas em silncio por 
um

#momento, Ivy lutando contra sua raiva por Beth no acreditar como ela. Quando Ivy olhou para trs, Beth estava colocando o colar de ametista. Seus lbios moviam-se 
silenciosamente, e ento ela disse em voz alta:  Algo ruim est andando no meio de ns.  O qu?  Desde a sesso esprita, sinto uma presena  disse Beth com 
a voz trmula.   ele.  o Gregory. No me sinto assim desde que ele era vivo. Ivy olhou para a amiga, tentando entender o que ela estava dizendo.  Beth, sei que 
voc se assustou com a sesso. Todas ns nos assustamos. Mas por que voc pensaria que o Gregory est nos assombrando? Aconteceu mais alguma coisa que a deixou assustada? 
A amiga no respondeu.  Me fale  insistiu Ivy.  Um sonho  Beth disse esfregando as mos uma na outra, enterrando os punhos nas palmas.  J sonhei duas vezes. 
 Conte-o para mim.  Estamos no chal, voc, eu, Dhanya, Kelsey.  o chal da tia Cindy, mas h muitas janelas, por toda a parte. Algum est circundando a casa, 
atirando nas janelas. As balas penetram nos vidros, mas no os ultrapassam. Corremos de um quarto para outro, e o atirador corre pelo lado de fora do chal, mirando 
as janelas de todo quarto em que entramos. Ele no para de circundar, mas voc diz para a gente que est tudo bem. Estamos seguras e o atirador no consegue penetrar 
nas janelas. Ento, ele abre a porta e entra. Ivy ajeita-se no balano e esfrega os braos, que esto pinicando.  Entendeu?  disse Beth expressando uma raiva repen-tina. 
 Voc foi descuidada e deixou o atirador entrar, do mesmo jeito que deixou Joo entrar!  Beth, nem todo sonho que voc tem  medinico. s vezes, voc sonha as 
coisas que as pessoas dizem a voc. Will no gosta do Joo. Ele colocou esses medos em voc. Os olhos de Beth pareciam pegar fogo e ela disse:  No faz diferena 
o

#que o Will diz. Eu vejo o que eu vejo!  E eu tambm  respondeu Ivy, levantando-se do balano.  Ivy! Ela virou-se relutante. A mo de Beth segurava a ametista 
e ela aconselhou:  Se for o Gregory, voc vai precisar de todo o poder dos cus para proteg-la.

#Captulo 17

abe, pensei que voc fosse a senhorita perfeita  Kelsey disse para Ivy na noite seguinte.  E quando voc estava com Will, vocs eram como o Senhor e a Senhora 
Perfeitos. O casal do ano.  Sinto decepcion-la.  Mas o que exatamente ele disse?  perguntou Kelsey. As duas estavam do lado de fora do chal, Kelsey agitava 
uma peteca em cima de uma raquete. Plunk, plunk, plunk.  O tipo de coisa que geralmente se diz quando se est terminando um namoro  respondeu Ivy.  Comentrios 
depreciativos e acusaes em geral  foi o palpite de Kelsey.  J fiz isso algumas vezes.  Ento, nem preciso contar a voc.  Ele vai superar  disse Kelsey, 
virando a cabea em direo ao celeiro.

S

# Ele tem muita solidariedade. Beth havia cancelado seu encontro com Chase e Dhanya e decidiu que estava com muita saudade de assistir Tv. Ivy imaginou Will no 
sof-cama, com Beth e Dhanya, uma de cada lado, segurando-o pelos cotovelos como se fossem anjos a apoi-lo.  Quer jogar?  perguntou Kelsey, oferecendo a Ivy uma 
raquete.  T. Aqueceram-se batendo as petecas para l e para c.  Ento, voc est namorando aquele lindo rapaz misterioso?  perguntou Kelsey.  Namorando? No. 
 Beth nos disse que era com ele que voc estava quando se esqueceu do seu encontro com Will. Ivy rebateu a peteca, jogando-a para o outro lado da rede.  Eu estava 
ajudando o Joo a limpar o lugar em que vai viver.  A Beth no confia nele. Ivy no respondeu.  Por que no?  perguntou Kelsey.  No sei  disse Ivy, correndo 
para pegar a peteca. Kelsey pareceu mudar de estratgia, servindo fcil para Ivy, talvez pensando que, dessa forma, encorajaria Ivy a falar mais.  O que voc acha 
do Chase?  Nem conheo ele  respondeu Ivy, relutante em dividir sua opinio com algum que, provavelmente, ir pass-la adiante. Kelsey revirou os olhos.  Bem, 
cinco minutos com ele foram suficientes para mim. Ele  assustador.  Assustador?  perguntou Ivy.  Ele  um maluco controlador  disse Kelsey.  No h nada que 
eu mais odeie do que um cara que tenta controlar uma garota. Ivy duvidava que algum tivesse alguma vez conseguido controlar Kelsey.

# Beth nos contou sobre Tristan. Ivy retornou o servio sem comentar.  No fazia ideia! Nunca conheci ningum cujo namorado foi assassinado! Ivy bateu com fora 
na peteca.  Queria ter conhecido Tristan e Gregory  continuou Kelsey.  O vero passado deve ter sido maneiro! Ivy ficou imvel, nem saiu do lugar. O que Kelsey 
achou que foi o vero passado, um reality show de sobrevivncia?  Mantenha os olhos na peteca  aconselhou Kelsey.  Beth disse que Will esteve ao seu lado o tempo 
todo quando Tristan morreu.   verdade. Ningum poderia ter sido mais gentil.  Mas bondade no  paixo  respondeu Kelsey.  E ns gostamos de paixo. Ivy devolveu 
o servio com uma batida apaixonada.  Kelsey, no suponha nada sobre o meu relacionamento com o Will.  No teria de supor nada se voc me dissesse tudo. Ivy riu, 
apesar da situao.  Beth disse que vocs faro uma fogueira em homenagem a Tristan, em Race Point. Eu e a Dhanya podemos ir tambm?  No sei se ainda vai acontecer. 
 Vai, sim  informou Kelsey.  Isso  outra coisa de que no gosto: rapazes que agem de forma leal e compreensiva, no importa o que voc faa. Qual ? O que eles 
esto tentando provar? Ivy abaixou a raquete e disse:  Para mim chega.  Mas a gente nem comeou a marcar a pontuao  protestou Kelsey. Ivy concordou e disse: 
 Hora perfeita para desistir. Quinze minutos mais tarde, Ivy saiu pela porta dos fundos do chal e dirigiu at a praia, em Pleasant Bay, onde ela, Will e Philip 
tinham passado a tarde h uma semana. Sentada na praia em meio ao crepsculo, no muito longe das rvores que Will havia desenhado, separava suas lembranas,

#tentando entender por que demorou tanto tempo para perceber que no poderia dar seu corao a Will. Ao se levantar, seguiu a mesma rota por onde ela e Philip caminharam 
at chegar a um banco de areia. Como no havia luar, as guas calmas estavam sendo banhadas pela luz das estrelas. Ivy lembrou-se da catedral de estrelas em que 
Tristan a havia beijado. Sussurrou o nome dele e quase conseguiu ouvir a resposta, "meu amor". Quase. A voz que ouviu em sua cabea era uma lembrana, ela sabia 
disso. O que ouviu naquele dia realmente aconteceu. A diferena entre agora e depois fez com que o momento aps o acidente fosse mais do que real para ela. Para 
Ivy, o abrao foi mais real do que os momentos mais tangveis e ordinrios de sua vida. Mas e se foi mesmo Tristan, e Lacey estivesse certa sobre as consequncias? 
"Queda bem sria", o que isso significava? E a presena maligna que Beth sentia? Ser que Gregory poderia retornar?  Lacey. Lacey Lovitt. Preciso falar com voc 
 chamou Ivy. Sentou-se na beira da gua, observando, esperando. Alguns minutos se passaram. Pela baa, o formato amarelado da lua aparecia sobre uma estreita faixa 
da praia.  Voc sempre me chama na hora errada! Ao ver o brilho prpuro, Ivy levantou-se  Oi, Lacey.  Ento, o que foi desta vez, outra viso bem-aventurada? 
Ivy danando com as estrelas? Ivy viu o anjo rodopiar, a nvoa prpura danando em frente  lua baixa, e depois disse:  Beth est tendo sonhos.  Beth, o radar? 
 "radar" era o termo que Lacey usava para pessoas abertas ao "outro lado", um mdium natural.  Sim  disse Ivy, recontando o sonho de Beth.  Quando ela sonhou 
pela primeira vez?  No sei bem. Dois domingos atrs, quando fizemos uma sesso esprita...  Uma sesso esprita!  exclamou Lacey.  O radar devia saber que

#no se faz isso! Ivy descreveu o episdio, incluindo a forma estranha como a palheta se moveu em crculos no sentido anti-horrio, e como parecia impossvel diminuir 
o movimento.  E isso aconteceu antes do acidente? Ivy pensou e disse:  Alguns dias antes.  Inacreditvel. Inacreditvel! Voc tem crebro? O radar no tem um 
pingo de bom-senso, abrindo um portal desse jeito para o outro lado? Voc  to narcisista que pensa que somente bons anjos ficam por a?  Eu, no, eu nunca pensei 
nisso, nunca achei que pudssemos ter deixado entrar...  Convidado  corrigiu Lacey.  Sinalizado o lugar, acenado com a mo para chamar um txi para...  Algo 
maligno.  Algo maligno  confirmou Lacey. Ivy agachou-se e traou um crculo no sentido anti-horrio na areia, depois mais um, e mais outro. Uma mo com esmalte 
de cor prpura pegou seu brao.  Pare com isso!   possvel que Gregory volte como um demnio?  perguntou Ivy.  Obviamente voc perdeu muitas aulas na escola 
dominical. Tudo  possvel com o Diretor Nmero Um. Ivy levantou-se e andou pela beira da gua.  Mas por que Gregory retornaria?  perguntou a si mesma.  Vingana, 
assassinato, agresso...  sugeriu Lacey. Era o que Beth estava pensando: se for o Gregory, voc vai precisar de todo o poder dos cus para proteg-la.  Vingana 
contra mim  disse Ivy.  Mas como ele faria isso? Lacey respondeu com um suspiro alto e teatral.  Pense, garota. Tenho certeza de que voc no  to ingnua quanto 
parece. Como Tristan voltou?  Ele trabalhava atravs das mentes. Combinava os pensamentos e entrava na mente. Dava para ouvir a voz dele em nossas cabeas: Beth,

#Will, Philip e, finalmente, eu.  E depois Eric e Gregory, embora eu o tivesse aconselhado a no entrar naquelas mentes distorcidas. Ivy sentiu como se uma mo 
gelada a tivesse tocado.  Gregory pode entrar na mente das pessoas?  Senhoras e senhores  disse Lacey ao seu pblico imaginrio.  A garota est comeando a entender. 
 Ele pode entrar na mente de algum e falar?  Persuadir  disse Lacey baixinho.  Provocar. Ivy sentiu calafrios.  Como voc deve se lembrar muito bem, Gregory 
conseguia torturar e persuadir mesmo quando estava vivo.  Ele poderia forar algum a fazer alguma coisa?  Quem precisa de fora quando as pessoas so to ingnuas, 
to fceis de serem enganadas e convencidas? Sem mencionar nenhum nome,  claro.  Como ns podemos combat-lo?  Ns?  a nvoa prpura de Lacey comeou a se mover 
ao redor de Ivy.  Nos meus dias de cinema, fiz alguns filmes de horror, mas no vou estrelar neste a. Voc est sozinha nessa.  Como meus amigos e eu podemos 
combat-lo?  Tenho certeza de que vocs vo pensar em alguma coisa. Ou talvez o radar pense. S tenho um conselho: cuidado nas pessoas em quem voc confia. Ivy 
mordeu os lbios.  Olha s, garota, sinto muito sobre essa baguna em que voc se meteu, mas estou bem ocupada agora. Acho que encontrei minha verdadeira misso, 
e meu tempo  curto. E tenho de parar com essas aparies relmpago  o brilho violeta do anjo foi ficando mais fraco.  Diga oi para o Philip. Lacey tinha quase 
desaparecido quando Ivy disse:  Mas e se o Tristan voltou para me proteger do Gregory?

#Suas palavras tiveram o efeito desejado.  O qu?!  exclamou Lacey.  Eu vi os sinais. Tristan est comigo, como prometeu que estaria. Ivy sentiu uma mo forte 
ancorando-a na beira da baa.  Que ideia ridcula! Se Tristan estivesse por aqui eu o veria. Lacey tinha razo. Por que ela no o via? Ser que Tristan est se 
escondendo dentro de Joo? Se escondendo de quem?  Ivy, se Tristan realmente lhe deu o beijo da vida  disse Lacey  ele est bem encrencado. No tente entrar em 
contato com ele. No o incite ainda mais. Voc j fez com que ele fosse assassinado. No o amaldioe para sempre.

#Captulo 18

L

acey sempre foi melodramtica, Ivy disse a si mesma, ao sentarse sozinha no chal na quinta de manh. Beth, Dhanya e Will tinham sado para pegar a sesso das 19h30 
no cinema. Desprezado por Dhanya, Max foi com Kelsey e Bryan a uma festa em Harwich. Assim que eles saram, Ivy pegou o telefone e ouviu a mensagem que havia recebido 
h uma hora, querendo ouvir a voz de Joo novamente: "Sou eu. Kip me arrumou um celular. Quer vir aqui hoje  noite?" Deixando de lado os avisos de Lacey e Beth, 
Ivy dirigiu at Willow Pond. Quando chegou, viu uma caminhonete estacionada na frente da casa. Uma mulher de cabelos negros, com 20 e poucos anos, estava ao lado 
dela, segurando a porta aberta para um labrador amarelo, que se acomodou no banco do passageiro. A mulher cumprimentou Ivy e disse que era Julie, a

#esposa de Kip.  Espero que no tenha planos especiais para hoje. O Joo est na varanda dos fundos e parece estar dormindo. Ele e Kip comearam a arrancar troncos 
de rvores s 6 horas da manh. Ivy sorriu e disse:  S vim dar uma passada. Ivy andou ao redor da casa e encontrou Joo dormindo na varanda que ficava de frente 
para o lago, deitado de lado sobre uma capa de lona, sem camisa, a cabea descansando em cima do ombro. Na luz da noite, a pele bronzeada e os cabelos claros tinham 
um tom dourado, lembrando Ivy de uma pintura que tinha visto uma vez de um anjo dormindo. Ento, lembrou-se do ttulo da pintura: "O anjo cado aps sua batalha 
com o cu". Virou-se e foi em direo ao lago. Saco de pulgas estava tirando um cochilo na grama. Ivy sentou-se na beira, no muito longe do gato, olhando para a 
gua, apreciando o reflexo do azul do cu e do verde das rvores no lago. Era a primeira noite quente de verdade na regio do Cabo, um aroma de blsamo adocicado 
lembrava as noites de vero no interior. Entrou no lago. Depois da gua salgada do mar, a gua fresca era um alvio para sua pele. Os shorts e a regata eram to 
leves quanto um traje de banho. Ela nadou e nadou, adorando a solido e a paz do lugar. Quando estava cansada, virou-se de barriga para cima para boiar. " uma sensao 
maravilhosa, Ivy! Voc sabe como  boiar em um lago, com as rvores ao seu redor e somente o cu acima de voc?" "Tristan", ela o chamou em silncio. "Eu sei, agora 
eu sei, Tristan."  Ei, voc est dormindo a?  gritou Joo. Ivy ergueu a cabea, depois deu um impulso e ficou de p.  Dormindo!  ela gritou de volta.  Era 
voc quem roncava.  De jeito nenhum!  ele olhou ao redor e apontou para o gato.  Deve ter sido o Saco de pulgas.  Gatos no roncam to alto  ela provocou, saindo 
do lago. Quando ficou bem perto dela, disse:  Voc parecia to feliz ali.  E estava mesmo.  uma sensao maravilhosa, boiar em um lago, as

#rvores ao seu redor, o sol brilhando nas mos e nos ps. Talvez tenha sido o reflexo da gua. Por um momento os olhos de Joo pareciam brilhantes, da cor dos olhos 
azuis de Tristan.  Entre  convidou Ivy. Joo olhou para a gua que batia em seus tornozelos e engoliu em seco.  Acho que no sei nadar. Ivy tentou esconder o 
desapontamento. Se Tristan fosse Joo, ento Joo no teria medo de uma gua to calma quanto uma piscina. "Viva o momento presente", Ivy disse a si mesma. "Ajude-o 
como Tristan ajudou voc". Tristan tinha acalmado o medo dela sugerindo que "caminhassem" pela piscina da escola. Ela estendeu a mo para Joo.  Venha. Vamos passear 
dentro do lago. Depois de um momento de hesitao, Joo pegou na mo dela. Caminharam lenta e silenciosamente, movendo-se pelo lquido dourado do lago. Quando a 
gua chegou  cintura de Joo, Ivy parou, deslizando os dedos pela superfcie calma da gua, fazendo pequenas ondas no lago. Ela olhou para Joo, ento pegou um 
pouco de gua com as mos e jogou nos ombros e no trax dele. Subindo, molhou o rosto e a testa, lembrando-se de como Tristan fizera com ela.  Voc est bem? Joo 
concordou, depois sorriu envergonhado.  Vamos parar por aqui. Consegue agachar?  ela perguntou. Dobrando as pernas, foi abaixando at a gua bater em seu queixo. 
Joo fez o mesmo, movendo-se devagar e de forma ritmada, mas quando a gua tocou em seu pescoo, ele levantou instintivamente.  Calma  ela disse, pegando a outra 
mo dele, segurando-a com firmeza. Ele se abaixou novamente, at que o rosto ficasse a poucos centmetros de distncia do de Ivy.  Da prxima vez, vou trazer uma 
boia e darei a voc uma aula de verdade. Hoje s vamos nos soltar um pouco na gua at voc se acostumar.

#Voc consegue colocar o rosto na gua? Ele tentou, mas jogou a cabea para trs, rapidamente ficando de p.  Isso  humilhante. Eu, eu no consigo respirar. Minha 
garganta se fechou e...  Sintomas de pnico  disse Ivy calmamente.  O que  uma resposta racional depois do que voc passou. Faa o seguinte  disse, deixando 
as palmas das mos na superfcie da gua.  Segure o flego e apoie a cabea nas minhas mos por um momento.  Sinto-me um idiota.  Ningum est vendo. Joo sorriu, 
mas fez como ela pediu, apoiando o rosto em suas mos molhadas. Fez o mesmo repetidas vezes, e Ivy ia abaixando um pouco mais as mos at o rosto ficar total-mente 
na gua.  Tudo bem  disse Joo.  J desci o bastante. Desta vez vou fazer sem voc... Voc no acha que estou "dando uma de macho", acha?  perguntou, rindo 
de si mesmo. Ele fez a manobra vrias vezes, depois disse:  Aposto que nunca teve um aluno que progrediu to rapidamente assim. E agora?  Ir at o fundo  Ivy 
percebeu a hesitao e os arrepios nos braos dele.  Mas vamos s ficar por aqui e da prxima vez...  Vou fazer agora  ele insistiu.  Voc no tem de provar 
nada a ningum, Joo.  Vou at o fundo  ele disse.  Quando voc estiver pronto...  Posso dar conta disto!  disse a Ivy, e ela deu um passo para trs. A voz 
dele ficou mais leve.  Conte para mim, est bem? Veja quanto tempo consigo ficar submerso  disse, rapidamente mergulhando no lago. Ivy contou em voz alta.  1.001, 
1.002  ento viu que ele estava se debatendo e o puxou para cima com toda a sua fora. Ele havia engolido gua e estava sufocando. Mais um ataque de pnico.  Voc 
est bem, voc est bem  disse a ele.

#Ele se inclinou, segurando o estmago. No conseguia parar de tremer.  Voc est bem, Joo. Ele desviou o rosto dela, como que envergonhado. Ela o abraou por 
trs e no o soltou at parar de tremer.  ... a escurido  disse.  Ficar na escurido.  Deveria ter pensado nisso  ela respondeu.  Quando Tristan me ensinou 
a nadar, estvamos em uma piscina de guas lmpidas. Joo virou-se para ela e disse:  Tristan, o cara que morreu... ensinou voc a nadar?  Sim. Ele amava a gua. 
 E voc tinha medo dela  disse Joo.  Pavor. Joo aproximou-se de Ivy e a trouxe para perto de si, segurando-a bem forte, de uma forma toda desajeitada em seus 
braos. Dava para sentir o corao dele batendo contra o dela. Ele afundou o rosto nos cabelos dela e sussurrou:  Jamais vou esquec-la, Ivy. Se eu me esquecer 
de voc, no haver nada alm de escurido para mim. Beth e Dhanya chegaram em casa primeiro que Ivy. Dhanya estava lendo, toda enrolada em uma cadeira da sala de 
estar, e Beth no sof, curvada sobre um quebra-cabea.  Oi  disse Ivy.  Como foi o filme?  Bom  respondeu Dhanya. Beth no respondeu, e as duas olharam para 
Ivy, percebendo as roupas midas e o cabelo despenteado, no deixando escapar nenhum detalhe.  Estava com ele, no estava?  disse Beth, fazendo parecer mais uma 
acusao do que uma pergunta.  Estava com Joo. Por favor, diga o nome dele.  Mas esse no  o nome dele  apontou Beth.   o nome dele por enquanto!  respondeu 
Ivy indo para a cozinha pegar alguns biscoitos, subindo em seguida para o andar superior.

#Naquela noite, Ivy ficou se remexendo na cama. Bem depois que todas j tinham ido dormir, ela chutou as cobertas e se sentou na cama. Eram 2h43, de acordo com o 
despertador. Ela e Beth tinham prendido a cortina da janela no meio das camas, mas no havia brisa alguma no calor, incomum, daquela noite. A lua, quase cheia, deixava 
uma marca bonita sobre a cama de Beth. Os lenis estavam no cho, o rosto molhado de suor, mas ela dormia pesado. No h nada pior do que estar ao lado dos outros 
mas se sentir isolada, pensou Ivy. Ela sentou-se com os ps para fora da cama, pensando se deveria pegar uma toalha de praia para se sentar l fora. Cht! Cht! Ivy 
virou a cabea para esquerda. Algo havia batido na janela, no vidro depois da tela. Ela ficou parada, olhando pela janela. Depois, lembrando-se do sonho de Beth, 
virou para ela. Os olhos de Beth moviam-se por debaixo das plpebras e sua respirao estava rpida: ela estava sonhando. Ivy chegou mais perto da janela. No viu 
ningum perto das rvores atrs da casa, mas o brilho da lua fazia muita sombra; seria fcil para algum se esconder por ali. Raramente as portas do chal eram fechadas. 
Sentindo-se levemente desconfortvel, Ivy vestiu o shorts e foi para a escada. Cht! Cht! Ela se virou rapidamente. Beth sentou-se na cama ao mesmo tempo.  Ivy? 
 Sim.  Ivy?  Beth chamou novamente, parecendo assustada. Ivy voltou correndo e disse:  Estou aqui.   ele. Ele est atirando na janela. Ivy colocou a mo sobre 
o ombro de Beth e disse:  No, no   sentou-se na cama e explicou.  Provavelmente deve ser algo no meio das rvores, sementes ou qualquer coisa assim.

#  ele!  insistiu Beth, e vendo que Ivy estava de shorts e sapato disse:  No v l fora!  Est tudo bem. S vou l embaixo ver umas coisas.  No v!  ele! 
 os olhos de Beth estavam arregalados de medo. Ivy colocou o brao nos ombros da amiga e disse:  Voc estava sonhando, Beth.  As portas esto trancadas?   isso 
que vou ver agora  respondeu Ivy, levantando-se.  No, Ivy! Ele vai fazer qualquer coisa para peg-la!  Beth, me escute. Voc est confundindo as coisas com o 
seu sonho. Cht! Cht! As duas foram at a janela.  O que  isto?  perguntou Dhanya, levantando-se da cama. Veio nas pontas dos ps at ficar perto delas.  No 
se aproxime da janela  disse Beth.  Ele vai ver voc.  Quem?  perguntou Dhanya.  Dhanya!  gritou uma voz masculina.  Max!  Dhanya e Ivy disseram ao mesmo 
tempo.  Voc ouviu?  s o Max  Ivy disse a Beth, sentindo-se ao mesmo tempo aliviada e irritada. Dhanya franziu a testa.  Por que ele est aqui? No quero falar 
com ele.  Dhanya! Ivy foi at a janela, levantou a tela e se inclinou para frente.  V para casa, Max. Ele saiu das sombras e disse:  Ivy, como vai?  parecia 
feliz ao v-la, e estava bbado.  J  tarde. V para casa.  Quero falar com a Dhanya.  Ela no quer falar com voc. No no meio da noite.  Dhanya!

# Shhh!  Ivy tirou o corpo da janela e disse:  Ele vai acordar os hspedes.  Fala para esse coiote parar de uivar  disse Kelsey da sua cama.  Preciso do meu 
sono de beleza!  No vou falar com ele  Dhanya disse a Ivy.  Nem decidi ainda se gosto dele  disse, caminhando de volta para a cama.  Sinto muito, mas se Max 
acordar os hspedes ou a tia Cindy, estaremos todas encrencadas. Voc vai l fora comigo, vamos falar com ele e mand-lo embora  disse Ivy.  Vai, menina!  gritou 
Kelsey, virando-se para o outro lado na cama. Beth balanou a cabea, segurando o travesseiro contra o peito, como se aquilo fosse proteg-la. Dhanya colocou o roupo 
e os sapatos relutante, depois seguiu Ivy at o andar de baixo. Quando Max viu as duas indo na direo dele, levantou-se e, mais rpido ainda, escondeu-se atrs 
de uma rvore. Ivy suspirou. A ltima coisa que queria fazer era ter de dirigir at Morris Island no meio da noite, mas no podia deix-lo dirigir se no estava 
sbrio.  Dhanya! Voc est partindo meu corao! Dhanya revirou os olhos.  Como voc chegou aqui?  Ivy perguntou. Ele apontou completamente fora de foco para 
o estacionamento da pousada e disse:  Bryne. Ivy teve dificuldade para entender e perguntou:  Bryan? Ele est aqui? Cad a chave do seu carro?  Bryne  Max repetiu. 
Ivy virou-se para Dhanya e disse:  Converse com ele e no aumentem o tom de voz. Vou dar uma olhada no estacionamento. A Ferrari amarela estava no meio do estacionamento. 
Bryan no banco do motorista, ouvindo msica em iPod de olhos fechados. Ivy chamou por ele vrias vezes e ento deu uma chacoalhada de leve

#no rapaz. Assustado por ser acordado subitamente, virou o corpo todo para ela, de punhos cerrados.  Ei, ei, sou eu.  Ivy!  disse, surpreso, abaixando o brao. 
 Voc andou bebendo? Ele pegou o celular para ver as horas e disse:  No nas ltimas duas horas  ele parecia equilibrado.  Voc se importaria de sair do carro? 
 ela perguntou. Ele riu e perguntou:  Quer que eu faa um quatro, policial?  Sim. Ele fez, rindo.  Oua, seu amigo no est marcando ponto algum com a Dhanya. 
Leve o Max para casa... em silncio. Bryan concordou com a cabea e disse:  Entendido. Peo desculpas. Ele tirou Max de l, que, depois de simplesmente ter conversado 
com a Dhanya, parecia um feliz acampante. Ivy e Dhanya entraram no chal exaustas, e depois de pensar um pouco, Ivy decidiu trancar tanto a porta da frente quanto 
a de trs. Quando foi para cama, Beth estava deitada com os olhos fechados e os lenis esticados at o queixo. Em cima do travesseiro, bem perto do rosto dela, 
a ametista brilhava sob a luz da lua.  Boa noite  disse Ivy com carinho.  Est tudo bem agora.  No se deixe enganar  respondeu Beth.  Ele est fazendo planos. 
Ele quer vingana.

#Captulo 19

N

a sexta-feira de manh, Beth e Ivy foram designadas para tirar as ervas daninhas e as plantas mortas. Enquanto Ivy tentava arrancar razes teimosas, Beth silenciosamente 
cuidava das flores mortas  corta, corta, corta. Ela tinha falado bem pouco desde que o despertador tocou, respondendo de forma monossilbica e rpida toda conversa 
que Ivy tentava iniciar.  Ento voc no se lembra de Max ter aparecido, gritando por Dhanya?  No.  Voc se lembra de ter sonhado?  No.  Beth, voc est brava 
comigo? Beth arrancou uma planta que ainda estava florescendo e disse:  No.

#Ivy desistiu. s 15 horas, tia Cindy agradeceu a todos por um timo dia de trabalho e mandou todo mundo cuidar das suas vidas. Beth, Dhanya e Will foram tomar sol 
no jardim. As garotas tiravam uma soneca enquanto Will terminava uns desenhos para o livro O anjo e a gata andarilha. Kelsey, decidindo que estava ficando disponvel 
demais para Bryan, foi para Nauset Beach, mirando uma rea entre a longa faixa de frente para o mar conhecida por atrair surfistas. Ivy voltou para Pleasant Bay 
e rascunhou uma carta  mo para sua me. Maggie no gostava de e-mail. Ao descrever Provincetown e recontar os momentos engraados com os hspedes da pousada, Ivy 
omitiu tudo o que realmente tinha importncia. Terminando a carta, refletiu se deveria mandar uma mensagem de texto para a amiga Suzanne. Sabia que a viagem de Suzanne 
para a Europa era sua forma de aumentar a distncia entre o vero passado e o atual. Quando Suzanne contou a Ivy e a Beth que no teriam notcias dela por um tempo, 
Ivy entendeu. Suzanne tinha ficado totalmente apaixonada por Gregory, e aproveitou essa paixo o mximo que pde. Ao atrair Ivy para sua teia, ele continuamente 
tentava provocar cime em Suzanne. No fim, ela, assim como Ivy, perdeu algum a quem realmente amava. Ivy pegou seu iPhone e digitou: "Saudades. No precisa responder. 
S pensei em voc. Bjs. Ivy". Depois deixou uma mensagem de voz no celular de Joo: "Oi, espero que esteja tendo um bom dia arrancando rvores. Diga oi para o Saco 
de pulgas". Finalmente deitou-se e dormiu. Chegou em casa um pouco antes das 18 horas. Dhanya estava de p em frente ao longo espelho que ficava preso  porta do 
banheiro, virando-se para l e para c, examinando-se em uma saia curta e justa.  Acho melhor usar biquni em vez disso  disse, aproximando-se, olhando para si 
mesma de ponta-cabea no espelho.  Bem, se voc estiver planejando fazer isso vrias vezes, ento sim  respondeu Ivy, sorrindo.

#Beth saiu do banheiro penteando os cabelos molhados. O cheiro do perfume de ervas era bem forte.  Chase telefonou  disse Dhanya. Beth franziu a testa e disse: 
 Ele est me ligando no celular o dia todo.  Bem, agora ele est ligando no meu. Voc deu o meu nmero para ele?  No, est marcado no meu telefone e emprestei 
a ele para fazer uma ligao, mas...  Beth parou de falar.  De qualquer forma  disse Dhanya -, falei que voc ligaria para ele quando sasse do banho.  Voc 
no deveria ter dito isso.  Mas achei que voc fosse convid-lo para o passeio de hoje  disse Dhanya, virando-se para Ivy.  O tio de Bryan deu ingressos para 
o rinque de patinao e estamos todos convidados. Quer vir?  Patinar no gelo?  seria estranho sair com Will, mas, mais cedo ou mais tarde, teriam de se acostumar 
a ficar um ao lado do outro.  T.  Maneiro!  disse Dhanya, virando-se para Beth.  Quanto mais gente vier, mais divertido ser.  Talvez  disse Beth, voltando 
ao banheiro para secar os cabelos. Um pouco mais tarde, Kelsey voltou da terra do surfe, tomou banho e colocou shorts de ciclista bem justos e um top de ginstica 
que mais parecia um suti do que uma roupa esportiva. Chase recebeu o convite aps ligar pela segunda vez para Dhanya, e o humor de Beth mudou de irritao bvia 
para resignao silenciosa. Quando se reuniram na frente do chal, ela ficou ao lado de Will. Bryan, amigvel como sempre, percebeu a roupa sexy de Kelsey, mas no 
ignorou as outras garotas. Contando piadas, levou todos aos seus carros como se fosse um animado monitor de acampamento. Vinte minutos mais tarde, todos descobriram 
que o tio de Bryan, Pat, o proprietrio do rinque, tinha o mesmo jeito extrovertido.  Hoje est tocando a seleo de msicas romnticas  disse a todos

#enquanto estavam no balco alugando patins.  No se preocupem, senhoritas, no escolhi as msicas. E o Bryan tambm no. Todos, exceto Bryan e Max, alugaram patins. 
Max tinha trocado a camisa havaiana por uma de estilo universitrio e jeans. Ivy ficou se perguntando se ele tinha ficado sabendo que Dhanya o achava "brega". Talvez, 
depois de lev-lo para casa ontem  noite, Bryan tenha dado uns conselhos a ele.  No sabia que voc gostava de patinar  disse Kelsey para Max enquanto amarravam 
os patins que pareciam novos e caros.  Ele no gosta  Bryan respondeu para o amigo.  Maxie tem todos os tipos de brinquedos em suas vrias residncias. Chase, 
testando seus patins alugados, sentiu-se obrigado a explicar que tinha trs tipos diferentes de patins em sua casa em Jackson Hole. Depois, virou-se para Beth e 
disse:  Deixe-me ajud-la a amarrar, Elizabeth.  Pode deixar  respondeu Beth, mas, quando acabou, deixou que ele pegasse em sua mo e a levasse at o gelo. Bryan 
e Kelsey foram logo atrs, passando rapidamente pelos demais e por todos os outros patinadores com suas passadas longas e atlticas. Max, Dhanya, Ivy e Will ficaram 
parados, desajeitados na proteo de borracha. Ento Will segurou as mos de Dhanya, deixando Max e Ivy sentindo-se como se fossem os ltimos a serem escolhidos 
para o jogo de queimada do jardim de infncia.  Voc quer um parceiro?  perguntou Max.  Mais tarde, sim. Mas agora prefiro ir sozinha primeiro  Ivy respondeu 
educadamente. Ela deu vrias voltas no rinque, sendo ultrapassada por Kelsey e Bryan, mas ficando atrs dos casais, curtindo a sensao suave do gelo em seus ps 
e pensando que, se no tivesse sido o tio de Bryan, poderia muito bem ter sido sua prpria me a escolher a seleo de msicas romnticas. Pois , qualquer coisa 
que tenha um ritmo bom. Quando Chase parou para arrumar o cadaro, Ivy foi at Beth e pegou

#no brao dela.  Estou roubando a sua parceira, Chase. No vero passado, Beth e Ivy haviam patinado juntas todo fim de semana e as duas curtiram muito o exerccio. 
Patinando juntas, combinando as passadas e encontrando um ritmo confortvel, geralmente era fcil para ela, mas hoje no. Beth patinava toda dura.  Recebi uma mensagem 
de Philip  disse Ivy, esperando que a afeio de Beth por ele servisse de ponte entre elas.  Eu tambm.  Acho que ele sente falta das duas "irms mais velhas". 
Beth concordou com a cabea.  Ele est bem ansioso pela nova aventura de O anjo e a gata andarilha.  Will vai mandar para ele na segunda-feira.  Como vai Will? 
 perguntou Ivy, sentindo em seguida que Beth queria se soltar do brao dela.  No se afaste de mim, Beth. Amo Will da mesma forma que amo voc, voc sabe disso. 
Por favor, no se afaste de mim. Patinaram at a curva do rinque, Beth olhando o tempo todo para frente.  Ele est bem  Beth disse finalmente.  E voc?  perguntou 
Ivy.  Bem. Ivy sentiu-se completamente afastada com as respostas da amiga. Esforando-se para ter pacincia, respirou fundo e exalou bem devagar, observando Max 
tentar se aproximar de Will e Dhanya. Eles conversaram um pouco e depois Max se afastou de Dhanya. Kelsey e Bryan vieram por trs e ultrapassaram todo mundo.  Acho 
que podemos chamar isso de superpatinao  comentou Ivy.  Eu chamaria de competio  respondeu Beth.  Eles competem como se estivessem seduzindo um ao outro. 
 Competem como?  perguntou Ivy, feliz por finalmente comearem uma conversa.

# Quem come mais, quem fica mais tempo na balada, quem dirige mais rpido...  Srio? Quem lhe disse isso?  Dhanya. Na praia, competem para ver quem d a cantada 
mais escandalosa, nos outros, digo.  O velho jogo de Suzanne e Gregory  comentou Ivy. Era o esporte favorito deles, que jogavam como se estivessem nas Olimpadas, 
uma competio interminvel para ver quem conseguia flertar e frustrar o outro a ponto de faz-lo explodir. Beth e Ivy deram mais uma volta e Chase entrou no meio 
delas.  Sabe, Elizabeth, dar uma de difcil nem sempre faz com que o cara queira voc.  No estava dando uma de difcil nem tentando fazer voc me querer  respondeu 
Beth. Chase riu, como se ela tivesse tido a inteno de fazer uma piada.  Acho estranho: garotas danando com garotas, garotas patinando com garotas, esperando 
que os rapazes prestem ateno nelas.  s vezes  disse Ivy -, elas esto apenas patinando e danando. Ele virou-se para ela e seus olhos acinzentados brilhavam. 
 Raramente  disse. Segurou a mo de Beth e Ivy ficou olhando os dois se afastarem; Beth mantinha a cabea levemente virada para o outro lado. Ela no estava se 
conectando. "Nem com Chase nem comigo", Ivy pensou. A diferena era que Chase era to egosta que nem percebia. Ivy saiu do gelo, desejando ter vindo com seu prprio 
carro para poder voltar para casa. O rinque tinha uma lanchonete com mesas de madeira e cadeiras pintadas de laranja bem vivo e azul. Nas paredes, havia fotos de 
times de hquei. Ao sentar-se, Ivy pegou o telefone para ver se Joo havia telefonado.  Cansada?  Dhanya perguntou. Desapontada por no haver nenhum recado, Ivy 
olhou para Dhanya e

#Max, que a seguiu para fora do rinque.  S dando um tempo.  Que tal um sorvete?  sugeriu Max.  Eu pago. Ivy no estava com vontade, mas aceitou, desejando que 
ele marcasse os pontos que conseguisse com Dhanya como o rapaz que "pensa" nos outros. Enquanto pediam, Chase, Beth e Will uniram-se a eles, ento juntaram duas 
mesas e arrumaram as cadeiras ao redor delas. Bryan e Kelsey foram os ltimos a sair do rinque, encenando uma conversa bem dramtica, talvez uma discusso, no meio 
do rinque, deixando os dois com as bochechas ardendo e os olhos brilhando. "Igual a Suzanne e Gregory", pensou Ivy, quando se aproximaram da lanchonete. Disse a 
si mesma que era simplesmente assim que alguns rapazes e garotas participavam do jogo do romance, mas, s vezes, sentia que jamais conseguiria se livrar das lembranas 
do vero passado. O grupo de oito pessoas sentou-se com seus sorvetes quando o telefone de Ivy tocou. Will virou-se para Ivy como se estivesse surpreso.  claro 
que ele conhecia os toques dos amigos dela, da me, de Andrew e de Philip, e ela sabia os dos amigos dele e do pai dele. Era mais um exemplo de como suas vidas tinham 
se misturado uma  outra e por isso ele sabia que aquele toque era diferente. Mesmo assim, Ivy ficou irritada com a forma como ele olhou para ela, como se no fosse 
para ningum ligar para ela a menos que a pessoa fosse pr-aprovada. Distanciando-se um pouco dos outros, ela ps o fone no ouvido.  Al?  Oi. Sou eu.  Oi.  
Seja l quem for  disse Joo rapidamente. Ivy riu e se sentou em uma cadeira em outra mesa.  Como foi o trabalho?  Pesado. E divertido. Adivinhe, tenho carro!

# Tem?  disse Ivy lambendo o sorvete que derretia.  Kip me emprestou uma velha motocicleta. Ento, o que voc est fazendo? Esse barulho ao fundo no parece msica 
clssica.  No,  msica de discoteca, acho que combina com pati-nao  Ivy contou sobre o rinque e os ingressos gratuitos.  Quer vir aqui? Houve um momento de 
silncio e ele perguntou:  Quem est com voc?  Algumas pessoas que voc no conhece  disse Ivy mastigando a casquinha do sorvete.  Beth, Max, Bryan e Chase. 
E Kelsey e Dhanya, que voc deve se lembrar do solrio do hospital. E Will. Adoraria ver voc, Joo.  No acho que Will adoraria. Ivy olhou por cima do ombro. Will 
e Beth estavam olhando para ela, e Ivy sups que j sabiam com quem ela estava falando. Ela conseguiria ignorar os olhares e a hostilidade, mas no seria justo sujeitar 
Joo a isso.  Ento amanh  disse. Conversaram mais um minuto antes de ela voltar para a mesa.  J sei com quem voc estava falando  provocou Kelsey. Ivy enfiou 
a ponta do sorvete na boca.  O rapaz maravilhoso que sofre de amnsia.  O cara que pescaram no mar?  perguntou Bryan e seu interesse a irritou.  Em Chatham, 
certo?  disse Max.  Qual era o nome dele?  Ele ainda no se lembra. Todos o chamam de Joo.  No entendo como algum pode ficar incgnito por tanto tempo  disse 
Bryan.  Voc pesquisou no Google? Chase inclinou-se para frente e perguntou:  Usando qual palavra de busca?  Tentei pessoas desaparecidas em Massachussets e em 
Rhode Island  disse Will. Ivy olhou para ele surpresa.  E suponho que a polcia e o hospital tenham feito o mesmo.

#Verifiquei de novo ontem, mas ainda no h nenhum resultado positivo.  Por que voc no tenta a listas dos mais procurados do FBI!  exclamou Ivy.  Tentei.  
claro que, para estar l, tem de ter sido condenado por alguma coisa. Ivy virou-se para o outro lado.  Pedi ajuda a um amigo do meu pai em Nova York, um advogado 
criminalista. Ivy olhou para ele de novo e disse:  No acredito que voc fez isso! Will continuou calmamente.  Ele disse que h vrios entraves e pouca comunicao 
entre os oficiais da lei de uma cidade para outra e nas fronteiras estaduais. A menos que a pessoa seja o chefo do trfico de drogas ou faa parte de um grupo terrorista, 
ele pode estar foragido ou ser suspeito de um crime, e uma pessoa que fica assim to prxima no seria das mais espertas. Foi preciso todo o esforo de Ivy para 
no explodir na frente dele.  Obrigada por ter feito uma investigao to completa, Will  disse, amassando o guardanapo do sorvete. Levantou-se, jogou o papel 
no lixo e voltou para o rinque. Tinha percorrido metade do rinque quando Bryan se aproximou dela.  Ao contrrio da opinio popular, voc tem gnio forte  disse, 
sorrindo para ela.  Todo mundo tem um ponto em que perde a calma  explicou Ivy.  Absolutamente  concordou.   uma das coisas interessantes que aprendemos ao 
conhecer uma pessoa, o ponto em que quebram. Voc no quebra facilmente. Ivy continuou patinando.   por que voc tem extremo autocontrole ou por que ingenuamente 
acredita que as pessoas no vo confront-la?  Essas so as duas nicas razes que voc v para uma pessoa no perder o controle?

#Ele passou na frente dela, virando-se para olhar para ela, patinando de costas.  Voc conhece alguma outra?  Sim. Voc no quer magoar a outra pessoa.  Ah, essa... 
 ele sorriu para ela e disse:  Dance comigo, Ivy! Ele patinou por detrs dela e ficou bem perto, combinando os movimentos perfeitamente com os dela. Olhou para 
Ivy novamente, depois se virou de forma que ela patinasse para trs. Como um bom danarino, Bryan tinha fora e habilidade para saber como se inclinar e virar a 
parceira, deixando tudo bem fcil. Patinar com ele era divertido e Ivy sorriu. Cansado de danar, Bryan fingiu estar jogando hquei: saa correndo, parando de repente, 
dando a volta e rodeando Ivy o mais perto que outro patinador pudesse sem, na verdade, toc-la. Ele patinou para trs, depois a provocou, como se tivesse o disco 
de hquei, movendo-se para a direita e para a esquerda. Ivy sorriu e imaginou que deveria continuar patinando, que ele estava esperando que ela ficasse em linha 
reta enquanto desviava e passava por ela. No entanto, como ele fingia to bem, ela no conseguiu evitar, desviou subitamente e eles colidiram.  Opa!  ele disse, 
segurando-a para que no casse e os dois comearam a girar. Bryan ria e a segurava bem firme. Quando pararam de rodar, ele no a soltou, no logo de cara. Ivy soltou-se 
dos braos dele e viu que Kelsey os observava.  Vamos somente patinar  Ivy disse baixinho para Bryan.  Acho que voc j ganhou essa rodada da Kelsey. Bryan a 
empurrava de braos dados com ela e os dois patinaram tranquilamente.  E voc acha que  isto que estou tentando fazer? Provocar Kelsey?  Sim.  Tudo bem. Vou 
jogar com voc. Posso fingir que estou loucamente apaixonado por Kelsey e no estou saindo com nenhuma outra garota alm de Kelsey, nem mesmo uma garota com um cabelo 
incrvel e olhos verdes que um cara jamais esqueceria.

#Como Ivy no respondeu, ele se virou para ela e disse:  Finjo muito bem, sabia?  Eu sei.  Voc viu como eu consigo me mover para a esquerda e para a direita. 
Posso fazer isso em outros momentos, alm do hquei.  Sim, e voc viu o que acontece quando voc finge de forma to convincente. Nem todas as colises terminam 
bem. Os olhos de Bryan brilharam, e ele jogou a cabea para trs rindo.  Voc no faz ideia  disse, afastando-se dela.

#Captulo 20

eu mordomo me mostrou o caminho  Ivy disse a Joo no sbado  tarde, depois que o Saco de pulgas a levou pelo caminho que dava a volta pela casa at o lago. Joo 
sorriu e estendeu uma toalha debaixo da sombra de uma velha macieira. Sentaram-se, apoiando-se nos cotovelos e falaram sobre o trabalho: o artista excntrico, cujo 
gramado era cheio de esculturas e que Joo havia podado de manh, e o caranguejo ermito que Ivy encontrou escondido debaixo do travesseiro de um garoto. A risada 
de Joo saa com muito mais facilidade agora. Ivy saboreava esse som.  Voc quer mais uma aula de natao?  ela perguntou.  Esperava que voc fosse trazer seu 
traje de banho. Ela concordou com a cabea e disse:  E uma boia. J volto. Ivy trocou de roupa no celeiro de Joo, depois foi cortando pelo

S

#gramado para chegar ao lago. Ela parou a uns 30 metros da gua. No dava para ver Joo em lugar algum. O gato continuava na beira do lago, olhando para a gua. 
A camiseta de Joo ao lado dele. No dava para ver o rapaz em lugar algum.  Ah, meu Deus!  Ivy saiu correndo para o lago.  Joo!  ela gritou. A poucos metros 
da gua, viu a sombra dele no fundo.  Joo! Chegou bem perto para pux-lo. Na mesma hora, ele ficou de p, jogando Ivy na gua. Pega de surpresa, ela comeou a 
tossir e a espirrar.  Que diabos voc estava fazendo?  O que voc estava fazendo?  ele devolveu a pergunta e, logo ao perceber a resposta, comeou a sorrir.  
Ah, voc estava me salvando. Sentindo-se uma tola, Ivy no sorriu.  Estive treinando segurar o flego embaixo da gua  explicou Joo.  Tenho de conseguir enfrentar 
esse medo sem meu anjo da guarda por perto. No fique brava, Ivy. Ela no conseguia ficar. Era a mesma coisa que tinha dito a Tristan no dia em que chegou  piscina 
antes dele e testou sua coragem mergulhando para encontrar um centavo.  Olha o que eu encontrei  disse Joo, abrindo a palma da mo. Ivy prendeu a respirao ao 
ver um centavo brilhando na mo dele.  Eu o vi brilhando na gua, como se fosse um pedao do sol.  um sinal. Ela olhou para cima rapidamente e disse:  Um sinal... 
de qu?  "Tristan, voc est a?"  disse para si mesma. Joo hesitou.  De esperana. Ou talvez seja s uma moeda.  No,  um sinal  ela disse. Ele examinou 
a moeda e disse:  Acho que vou colocar debaixo do cobertor. No quero perder meu pedao de esperana. Ivy observava Joo caminhar pela margem, cabea baixa, bem 
concentrado ao examinar a moeda. Ser que deveria contar a ele sobre o dia em que se beijaram na piscina? Mas e se Tristan estava escondido dentro de

#Joo e Lacey estava certa...  Pronto para mais uma aula de natao?  ela perguntou quando ele voltou.  Mais do que nunca.  Certo. Bater a perna, respirar e 
boiar so os objetivos de hoje  disse a ele, tentando soar mais como uma professora e disfarando o fato de que sentia o olhar dele iluminando toda a sua pele. 
Ela o orientou a bater as pernas, depois o instruiu a usar a boia para se movimentar para frente e para trs pelo lago. Depois da aula passou a se concentrar na 
respirao.  Finja que a gua  um travesseiro para a sua cabea  disse-lhe assim como Tristan tinha lhe dito um dia.  Voc  um nadador inato  anunciou minutos 
mais tarde.  Voc diz isso para todos os seus alunos.  Vamos tentar boiar de costas  disse, demonstrando. Joo a examinou por um longo minuto, depois inclinou 
a cabea como se estivesse flertando com ela e perguntou:  Posso s olhar?  No. Sorrindo, ele se inclinou para trs na gua, sentou-se primeiro e, depois, esticou 
o corpo. Quando ele veio  tona cuspindo gua, Ivy riu e ele jogou gua nela.  Fiz a mesma coisa quando estava aprendendo. Voc tem de arquear a coluna e inclinar 
a cabea para trs o suficiente para que a gua bata somente na sua testa. Ela demonstrou novamente. Lembrou-se de como Tristan tinha colocado a mo atrs das costas 
dela para dar apoio, soltando-a depois. "Estou boiando", tinha sussurrado para ele. "Voc est boiando", Tristan respondeu, olhando para ela. "Boiando... Boiando..." 
Joo estava de p na frente dela e Ivy lia os lbios dele. Sentiu Joo tocar as pontas dos seus cabelos que se espalhavam pela gua. Ele se aproximou e o sol atrs 
dela desenhava uma aurola dourada.

#Parecia que seu corpo estava acordando de um longo sonho.  Ivy  o nome dela saa de sua boca ao mesmo tempo em que ele procurava por ela, beijando-a com uma doura 
inenarrvel. Era o beijo de Tristan. Ivy sabia, mesmo que Joo no soubesse. Desejou abra-lo e ser abraada por ele. Alegrou-se com a forma como ele tirou seus 
cabelos molhados do rosto. Quando ele beijou suas orelhas e a ponta do seu nariz, ela riu do jeito brincalho, certa de que sentia a alegria de Tristan no toque 
de Joo. "Tristan, eu te amo", pensou. "Amarei para sempre".

#Captulo 21

vy foi com Beth e tia Cindy  igreja no domingo. Como havia poucos funcionrios para ajudar naquele dia, Will disse a elas que ficaria na pousada. Por intermdio 
de Beth, disse a todas que estava juntando tudo o que era preciso para a fogueira que fariam  noite. "Will, sempre leal e cheio de considerao", ser que estava 
tentando provar isso a ela? Ivy censurou-se por ter pensado dessa forma. Ele tinha passado por tanta coisa por causa dela; ele, tambm, precisa desta concluso. 
Maggie e Andrew esperaram at o fim da tarde para telefonar, sabendo que Ivy estaria trabalhando a maior parte do dia. Agora, com apenas dois casais hospedados, 
tinha toda a enorme varanda da frente para sentar-se sozinha, olhar para o horizonte azul e falar com eles ao telefone. Dez minutos mais tarde, Philip telefonou 
para ela, da casa da rvore.  Lacey me visitou hoje de manh  ele disse.

I

#  mesmo?  Na igreja  disse, rindo.  Ela comeou a me fazer ccegas.   bem ela.  Estava bem no meio do sermo do reverendo Heap.   totalmente a Lacey. 
 Ele me deu uma olhada feia  continuou Philip.  Depois uma das senhoras que cuidam das flores comeou a apontar para mim dizendo: "Um anjo, um anjo!" Ivy riu. 
 Ela conseguia ver o brilho da Lacey.  Ento, ela acredita em anjos  Ivy disse.  Mas as outras pessoas, como o reverendo Heap, s conseguiam ver a mim. A mame 
ficou vermelha.  E o Andrew? O papai?  corrigiu Ivy, usando a forma como Philip chamava Andrew.  Ele achou bem engraado. De qualquer forma, Lacey disse que estava 
s dando uma passada, pois ns dois sentamos a falta de Tristan. Ainda sinto a falta de Tristan. Ivy sentiu a garganta se fechar.  A mame, o papai e eu ficamos 
olhando para as fotos dele quando estamos em casa.  Boa ideia  disse Ivy, enxugando uma lgrima.  Acho que vou fazer o mesmo. Depois que Philip desligou, Ivy 
ficou olhando para o telefone por um bom tempo, refletindo se deveria ligar ou no para Joo. Hoje, mais do que nunca, queria ouvir a voz dele. Na mesa de vime ao 
lado de Ivy havia um vaso cheio de rosas, recmcortadas, do jardim de tia Cindy. O perfume delas remetia Ivy  ltima noite em que ela e Tristan ficaram juntos. 
Ele havia comprado um buqu de rosas prpuras. Para Ivy, a cor extica simbolizava o amor que se sente somente uma vez na vida. E elas faziam-na lembrar-se da gua, 
gua no pr do sol, no

#nascer do sol, a gua que dava asas ao corpo fsico de Tristan. "Tristan, voc est comigo?" Era uma coisa louca, dizia a si mesma, acreditar que Tristan tivesse 
voltado para ela. Era injusto com Joo ver outra pessoa nele. Mesmo assim, o sentimento era to forte. "Tristan, voc est a?" O telefone tocou. Ivy deixou tocar 
por um minuto inteiro antes de atender e disse:  Oi.  Oi. Sou eu  disse Joo.  Estava com medo de que voc no fosse atender.  Eu estava... pensando nas coisas 
 disse.  O que voc estava fazendo?  Arrancando troncos de rvores. E voc? Alm de pensar tanto, quero dizer.  Quando os hspedes de fim de semana vo embora, 
temos muito o que limpar. Fiz isso, fui  igreja e falei com a minha famlia.  Qual o problema?  Como assim?  A sua voz  disse Joo.  Tem alguma coisa errada. 
Ivy lutou para controlar as lgrimas.  Ivy? Ivy, voc est a?  perguntou em resposta ao seu longo silncio.  Espere um pouco  disse, procurando por um leno 
de papel.  Voc est bem? Ivy, fale comigo.  Estou bem  disse, enxugando os olhos e assoando o nariz.  Certo. No precisa me dizer nada. Apenas no desligue 
o telefone.  No vou desligar  e recompondo-se, Ivy disse:  Estou aqui.  O que est acontecendo?  perguntou Joo.  Hoje... hoje  25 de junho.  E  um dia 
especial  ele concluiu. Ele sabia disso ou estava s inferindo?  Sim,  o aniversrio da morte de Tristan  Ivy disse em voz alta.  Hoje faz um ano que ele morreu.

#Joo ficou um pouco em silncio e depois disse:  Sinto muito. O que posso fazer para ajud-la? Voc quer que eu v at a? Quer vir at aqui? Prefere ficar sozinha? 
 Will, Beth e eu faremos uma fogueira em Race Point. Tristan era um nadador espetacular, ele competia.  Ento acho que ficaria feliz por ser lembrado dessa forma. 
 Voc viria?  perguntou de sbito.  Por favor? Joo hesitou.  Hmm... claro  disse.  Encontro voc l. A que horas?  Por volta das 20 horas. Depois da conversa, 
Ivy foi dar uma longa caminhada. Um pouco antes das 18 horas, voltou ao chal para trocar de roupa e encontrou Dhanya sentada no balano.  Como voc est?  perguntou 
Dhanya.  Bem. Obrigada.  Will falou para Kelsey sobre a fogueira. Ele convidou a gente. Ivy ficou surpresa e disse:  No  uma festa.   uma viglia  disse 
Kelsey, saindo do chal com um enorme pedao de pizza sobre um prato de papel.  E viglias so festas para os mortos, a melhor maneira de homenagear os queridos 
que partiram.  O nome dele  Tristan  disse Ivy, entrando no chal. Estava com raiva. Por que Will achou que ela fosse gostar de ter Kelsey e Dhanya com eles? 
Por outro lado, ela tinha convidado Joo, e Will tambm ficaria bem desapontado com o convite. "Seja justa", disse a si mesma. Uma hora mais tarde, depois que Will 
empilhou a madeira, as ps e uma geladeira porttil no porta-malas do carro dele, Ivy entrou no banco de trs e Beth foi na frente. Kelsey e Dhanya foram atrs de 
Will no jipe de Kelsey. Durante o percurso de 40 quilmetros, Ivy ficou esperando pelo momento certo para contar que Joo tambm iria, mas no encontrou abertura 
para isso. Tanto Beth quanto Will ficaram em silncio. Ivy ficou pensando que Will convidou as outras garotas para suavizar o momento,

#impedindo assim que as coisas ficassem intensas demais. Quando os dois carros chegaram ao estacionamento, Kelsey se ofereceu para empurrar a geladeira porttil 
pelas dunas. Will carregou a madeira e Ivy os atiadores. Beth pegou as toalhas de praia e um punhado de slvia prpura que havia arrancado do jardim da tia Cindy. 
Ivy confiou a Dhanya o lbum de fotografias que havia trazido. Enormes dunas separavam o estacionamento da praia e eles caminharam em lenta procisso pelo caminho 
principal no meio das dunas. Ivy gostava do esforo de se andar no meio da areia pesada; a brisa do mar estava fresca, mas a areia em seus ps estava quente. Ivy 
e Will cavaram o poo da fogueira. Beth sentou-se na toalha, segurando o lbum que Dhanya havia deixado ali. Kelsey imediatamente abriu a geladeira para descobrir 
que no haviam trazido nada alcolico. Ela e Dhanya foram brincar com a espuma do mar, rindo e jogando gua uma na outra. Quando o poo terminou de ser cavado, Will 
colocou a madeira e ajeitou os atiadores. Ivy olhou para o azul do mar. Race Point Beach tomava toda a margem ao norte do litoral, bem onde a ponta de Cape se curvava, 
unindo-se ao continente. A curva da praia, assim como a do horizonte, fazia com que Ivy se sentisse em p sobre uma alavanca entre dois mundos. O mundo que ela conhecia 
fica a oeste, em tons de rosa e dourado. Mas um outro mundo, em tons prpuros como o brilho das estrelas, como na noite em que Tristan a beijou, paira no ar a leste. 
Ela se sentiu presa entre os mundos. Quando o fogo comeou a queimar, Kelsey e Dhanya uniram-se aos demais.  Vocs vo cantar?  perguntou Kelsey quando todos se 
sentaram.  Vamos compartilhar lembranas de Tristan  Will disse baixinho.  Falar sobre o tipo de pessoa que ele era e sobre as coisas que ele fez.  Isso  meio 
deprimente, no ?  disse Kelsey, e logo seu rosto se iluminou quando olhou para as dunas.  Ah, ol!

#Todos seguiram seu olhar. Joo estava indo na direo deles.  Cheguei o mais cedo que pude  ele disse quando se aproximou.  Quem convidou voc?  Will perguntou 
em um tom autoritrio.  Fui eu  disse Ivy. Joo manteve os olhos fixos nela.  Trouxe flores para voc  disse, segurando o buqu embrulhado em papel, um pouco 
inseguro em relao a oferec-lo ou no. Ivy sorriu e levantou-se, estendendo as mos.  Ah!  olhou para as rosas nas mos de Joo e as lgrimas saltaram em seus 
olhos.  So prpuras.  Eu errei  disse Joo, tirando-as de vista rapidamente. Ivy pegou as flores e segurou a mo dele.  No, no, so perfeitas  e perguntou 
olhando nos olhos dele.  Como voc sabia que... que eu amo rosas prpuras? Ele deu de ombros e disse:  Pareceram-me perfeitas para voc.  So lindas. Obrigada 
 disse Ivy, segurando as flores em seus braos.  Meus pais me deram rosas prpuras no meu aniversrio de 16 anos  interrompeu Dhanya.  Eles me do uma cor diferente 
a cada ano. E o buqu tem sempre o nmero de rosas referentes a minha idade.  Antes da princesa Dhanya nos contar os detalhes de cada uma das suas comemoraes 
especiais de aniversrio  disse Kelsey  pegue um refrigerante, Joo. Vamos dar continuidade  viglia. Ivy cedeu espao a ele em sua toalha. Joo sentou-se ao 
lado dela, de frente para Will e Beth. Will falou sobre Tristan ser um nadador de primeira linha e Ivy lembrou-se do dia em que Suzanne e Beth a arrastaram para 
v-lo competir pela primeira vez na escola.  Posso ver as fotos que voc trouxe?  perguntou Dhanya. Beth passou o lbum e Dhanya comeou a virar as pginas.  
Ei, quem  esse bonito?  perguntou, levando o livro at Ivy, colocando-o no colo dela e se espremendo ao lado dela na toalha.  Gregory.

#Ivy percebeu o suspiro de Beth. Will abaixou a cabea e olhou para a fogueira.  O assassino? Deixe-me ver  disse Kelsey ficando de frente para elas.  Ele no 
parece um assassino.  E qual a aparncia de um assassino?  disse Beth rispidamente.  Como  que d para saber?  Em primeiro lugar  disse Kelsey -, deveria haver 
crueldade nos olhos dele ou na boca. No consigo ver nada disso nessas fotos.  Ivy, esta  voc, neste vestido justinho!  exclamou Dhanya.  No me diga que foi 
voc quem escolheu essa roupa!  No fui eu. Este  o Tristan  disse Ivy apontando para uma foto de uma das mesas dos convidados para o casamento e Tristan os estava 
servindo. Joo ficou mais perto para ver a foto, mas ela no viu nenhum sinal de reconhecimento na expresso dele.  O seu Tristan?  perguntou Dhanya.  Mas ele 
 s um garom! Ivy riu e contou para eles sobre o casamento de sua me e a curta carreira de garom de Tristan.  Acho que, se no foi por mim, pelo menos foi amor 
 primeira vista pelo meu irmo. Joo apontou para o irmo dela em outra foto e disse:  Philip. Eu o conheo. O corao de Ivy acelerou. Mas ento ela lembrou que 
eles se conheceram no hospital.  Ele  um bom menino  disse Kelsey, voltando para a sua toalha, inclinando-se para trs para ver o cu escurecer. Dhanya virou 
a pgina e disse:  Beth, seu cabelo est diferente. Gosto mais de como est agora. Dhanya estava olhando para a foto de Beth, Tristan e Ella.  Dei Ella a Tristan 
 Ivy explicou a Joo.  Tinha de do-la a algum e Tristan respondeu ao meu anncio. Ele no sabia nada sobre gatos, mas me garantiu que cuidaria muito bem dela, 
daria banho e a alimentaria. Joo sorriu e disse:  Ento foi s um truque para ver voc.

# Sim, mas ele logo se apegou a ela  disse Ivy.  Onde ela est agora?  Joo perguntou.  Gregory a enforcou  disse Beth. Dhanya perdeu o flego. Will jogou 
um graveto na fogueira.  Ele faria qualquer coisa para pegar voc  comentou Joo.  Sim, e se no fosse por Will, Gregory teria conseguido. Will arriscou a vida 
por mim. Ele me salvou. Will olhava para as chamas. Ivy levantou-se e foi para perto dele. Ajoelhando-se ao lado dele, ela o abraou. Por um minuto, ele se recostou 
nela, dando-lhe a mo. Quando Ivy olhou para cima, Joo havia fechado o lbum e estava observando os dois pela luz da fogueira. Dhanya estava chorando. Kelsey endireitou 
o corpo e disse:  Dhanya, voc est chorando por uma gata e um cara que voc nem conhece.  Conheo Ivy e Will  retrucou Dhanya.  Se ningum disser nada animado 
por aqui, vou embora  disse Kelsey. Ningum disse nada.  Certo, pessoal. Fui. Voc vem comigo, Dhanya? Dhanya balanou a cabea negativamente.  Eu vou com voc 
 disse Beth. Will e Ivy olharam para ela, surpresos.  Acabou. Tristan morreu  disse Beth, jogando o buqu de slvia no fogo. Ele queimou e as chamas voaram pelo 
cu por um momento e depois caram. Uma chuva de fascas, escurecendo ao se transformar em cinzas, fez com que Ivy se lembrasse de estrelas cadentes.  Descanse 
em paz, Tristan  disse Will, delicadamente.

#Captulo 22

ill e Ivy enterraram o fogo uma hora depois. Ivy queria poder ir para casa na garupa da moto de Joo, mas dava para ver que Will ainda estava muito magoado e se 
sentiria trado se ela no voltasse com ele e Dhanya. Todos foram dormir cedo, e Ivy dormiu bem pesado at as 3 horas da manh, quando acordou. Ao abrir os olhos, 
ficou alerta na mesma hora, como se algum a tivesse chamado. Ela se sentou, ouvindo atentamente. Beth, Dhanya e Kelsey continuavam dormindo. Ivy ajoelhou-se ao 
lado da janela, pressionando o rosto contra a tela, mas no viu nem ouviu ningum l fora. Levantou-se, vestiu camiseta e jeans e pegou o sapato e a carteira, saindo 
na ponta dos ps. Do lado de fora do chal, a lua cheia brilhava no alto, deixando um brilho prateado no jardim. Ivy fez uma pausa apenas por um momento para

W

#apreciar a noite silenciosa, ento foi at o seu carro determinada, como se tivesse planejado voltar para Race Point h horas. Deixou o carro em ponto morto com 
os faris apagados, at chegar a uma rua pavimentada, ento acendeu os faris e dirigiu. Havia uma parte de Ivy que estava fora de seu corpo, analisando suas prprias 
aes. Essa sensao de ter sido chamada, "teria sido um sonho?" Tudo o que sabia era que, o que a tivesse despertado, era algo que extrapolava o seu ser. Ivy deixou 
o carro em um estacionamento vazio em Race Point e foi caminhando para o mar. Os ricos tons coloridos do pr do sol e da fogueira haviam desaparecido. A paisagem 
de dunas e mar, banhada pela luz da lua, pareciam vir de um outro mundo.  Sabia que voc viria. Ao ouvir a voz de Joo, o corao de Ivy parou. Joo a havia seguido 
no caminho em meio s dunas. Sob a luz da lua, o cabelo dele tinha um tom prateado.  Voc sabia? Como?  No conseguia dormir e no parava de pensar. "Ela vai voltar, 
voc tem de estar l"  ele parou bem perto dela e perguntou:  O que fez voc voltar?  No sei. Senti que estava sendo chamada. Caminharam juntos at o local da 
fogueira. Ivy havia deixado uma nica rosa prpura em cima do fogo enterrado. Pegou-a e tocou suas ptalas aveludadas com um dos dedos.  Ele lhe deu rosas prpuras 
 disse Joo.  Voc sabia disso?  Soube assim que vi a expresso em seu rosto. Os olhos de Ivy encheram-se de lgrimas.  Estava tentando ajudar. Desculpe-me se 
a fiz sofrer mais.  No me fez sofrer mais. Pareceu-me uma espcie de milagre receber aquelas rosas. Pareceu-me... um recado de Tristan.

#Joo segurou a mo de Ivy.  Venha aqui. Achei um bom lugar para sentarmos  ele a levou a um ponto coberto entre os morros que se espalhavam pela praia. Ao se 
sentarem na areia, recostaram-se em um tronco de rvore.  Quando voc e Will estavam falando de Tristan, senti como se o conhecesse. Ivy olhou nos olhos de Joo 
cheia de esperana.  Como Tristan morreu?  ele perguntou.  Gregory cortou o freio do carro. Estvamos em uma estrada cheia de curvas e havia um cervo e outro 
automvel. No dava para parar. Eu sobrevivi. Tristan no  ela olhou bem para o rosto de Joo, procurando algum trao de reconhecimento, mas ele desviou o olhar 
antes que pudesse interpret-lo.  Gregory tinha cime de Tristan? Ele estava apaixonado por voc?  No. Eu era o alvo. Tinha encontrado Gregory, sem querer, no 
dia em que ele matou a me dele e...  A me dele?  ... ele achou que eu sabia o que ele tinha feito. Por um tempo ele fingiu se importar comigo. Eu acordava aps 
pesadelos horrveis e ele sempre estava por perto. Era gentil comigo. Me abraava, at que eu voltasse a dormir.  Ento, talvez...  No. No fim ficou bem claro. 
Gregory me odiava.  O amor pode ser o combustvel do dio  ele disse, desenhando um tringulo na areia duas vezes, franzindo a testa.  O que  isto?  Ivy perguntou. 
Ele balanou a cabea negativamente e disse:  No sei. s vezes, algo me parece familiar, mas logo perco a ligao. Ivy acariciou o rosto dele com os dedos.  Vivo 
assombrada por um passado que no consigo esquecer e voc por um passado de que no consegue se lembrar.

#Joo a envolveu em seus braos e disse:  Ento, vamos viver no presente. Cada momento que passo com voc me parece um presente. Recostaram-se no tronco, olhando 
para as estrelas. O beijo terno virou um beijo apaixonado. Em seguida, Joo tirou a camisa e a estendeu na areia, deitaram-se em cima dela, deixando a maior parte 
do tecido macio para Ivy, que se deitou, recostando a cabea no peito dele.  Agora durma  ele disse, segurando-a com firmeza em seus braos.  Estamos juntos agora, 
durma. Ivy acordou e viu um cu com tons de laranja como um pssego e tons rosa a leste. Os braos de Joo ainda a envolviam e os olhos dele estavam fechados. Ela 
se virou de lado, apoiando-se em um dos cotovelos, examinando o rosto dele, os clios dourados e a barba por fazer. Correu o dedo, fazendo o contorno do lbio dele. 
Ele abriu os olhos e disse gentilmente:  Bom dia. Dormiu bem?  Sim. Encontrei um bom travesseiro. E voc? Ergueu o corpo o suficiente para beijar o ombro dela. 
 Achei um colega de quarto que no tem pulgas. Ela o empurrou, rindo.  A que horas voc comea a trabalhar?  ele perguntou.  Trabalhar!  ela sentou-se direito 
e pegou seu telefone. Estava sem bateria.  Voc sabe que horas so? Joo pegou seu telefone e disse:  Umas 5 e pouco.  A pousada fica a quase uma hora daqui e 
comeo a trabalhar s 6h30.  De volta  realidade  disse Joo, levantando-se e estendendo a mo para ela. Ela pegou a camiseta dele e a chacoalhou para limp-la. 
Joo, que havia estacionado a moto no centro de visitantes, encontrou Ivy no caminho e foi seguindo o carro dela pela estrada 6. Na hora em que chegaram  pousada 
Seabright, o sol estava apontando os primeiros raios amarelos pelos espaos entre as copas dos pinheiros. Ao sair da motocicleta, Joo deu mais uma olhada no telefone 
e falou:  5h58. Ivy encostou no carro, relutante em dizer adeus.  Sabe, a Beth sempre disse

#que os carros so como as roupas, detalhes que desenvolvem um personagem em uma histria.  E?  Que tipo de carro voc gostaria de dirigir?  ela perguntou.  
Algo bem potente que fica bem menos amassado. Ivy sorriu. De mos dadas, caminharam at o chal.  Que carro voc acha que realmente dirigia?  Provavelmente o carro 
velho de algum. Tipo o dos meus pais ou, nem mesmo sei  a voz dele falhou  nem mesmo sei se tenho pais.  Que tipo de pais voc acha que tinha? Que tal uma me 
mdica? Ivy sentiu Joo recuar.  Isso  perigoso, Ivy.  O qu?  ela perguntou, sentindo-se na defensiva.  Imaginar coisas sobre mim. No quero me confundir. 
No quero misturar o que realmente aconteceu com o que eu quero  ele hesitou e continuou -, com o que quero muito que seja a verdade. "O que voc quer que seja 
a verdade?" Era o que Ivy estava prestes a perguntar, mas viu que ele estava olhando para o chal. Beth sentada no balano, Will na soleira, os dois de braos cruzados. 
 Onde voc estava?  perguntou Beth com raiva.  Race Point  Ivy respondeu.  Por que voc voltou para l? Por que ele voltou para l? Ivy controlou sua raiva 
diante da forma como Beth se referia a Joo, na terceira pessoa, e disse:  Ns queramos. Will levantou-se abruptamente e saiu de l sem dizer uma s palavra. Beth 
levantou-se do balano. Na mesma hora, Kelsey apareceu na porta do chal ainda usando a camisola de cetim.  Ora, ora, ora  disse, segurando a porta de tela aberta. 
 Ivy, a boa moa, que nunca saiu no meio da noite para uma aventura, retorna  casa ao raiar do dia  Kelsey piscou para Joo.  Parece-me que Ivy teve uma noite 
bem melhor que a nossa. Beth passou com tudo por Kelsey e entrou no chal. Kelsey olhou por

#cima do ombro e disse:  Voc me deve uma, Ivy, por no permitir que Beth fosse correndo para tia Cindy encrencar voc. E voc deve uma hora de sono a mais para 
mim e para Dhanya. Beth teve um ataque histrico. Ivy virou-se para Joo e disse com carinho:   melhor voc ir. Falo com voc mais tarde, est bem? Ele apertou 
a mo dela e voltou silenciosamente e de cabea baixa para o estacionamento. Meia hora mais tarde, Ivy foi a ltima a chegar na cozinha da pousada, vestida para 
o trabalho. Ficou bem bvio, pela amargura de Will, a rigidez de Beth, o brilho nos olhos de Kelsey e os olhares furtivos de Dhanya, que havia acontecido alguma 
coisa na noite anterior. Tia Cindy rapidamente percebeu a situao e, em vez de distribuir as tarefas, disse:  Hoje preciso de um de vocs no jardim, um comigo 
no caf da manh, um limpando os quartos e dois para lavar a varanda. Decidam quem vai fazer o qu  e saiu para fazer o seu bule de caf forte de sempre. Ivy, querendo 
ficar longe dos demais, escolheu a tarefa de que todos gostavam menos, limpar os quartos. Como o trabalho estava tranquilo naquela manh, todos terminaram cedo. 
Ivy foi para a praia da pousada. Ela foi at a metade dos 52 degraus do penhasco e sentou-se um pouco no ptio em que havia bancos de madeira. Queria pensar em Joo, 
lembrarse de cada doce momento com ele, analisar todos os sinais de que Tristan tinha voltado para ela. Depois de algum tempo, desceu o restante da escada e caminhou 
na beira do mar. Pensamentos obscuros comearam a assombrar a mente de Ivy. "E se Lacey estivesse certa", perguntou-se, "e Tristan tivesse feito algo proibido ao 
salv-la? E se ele estava se escondendo dentro de Joo, ser que seu amado Joo amaldioaria a alma de Tristan para sempre?" Finalmente, retornou  pousada e subiu 
todos os degraus, perdida em seus pensamentos.  Ivy. Ao erguer a cabea, viu Beth e Will parados a sua frente na rea de

#descanso. Os dois expressando amargura, ombros colados, fizeram Ivy pensar em anjos segurando espadas, proibindo Ado e Eva de voltarem ao den.  Com licena  
disse Ivy, tentando passar por eles. Eles bloquearam o caminho.  Precisamos conversar  disse Will.  As coisas foram longe demais. Ivy piscou e perguntou:  O 
que  isso, uma interveno?  Chame do que quiser  ele disse.  Estamos fazendo isso porque nos importamos. Ivy, voc no est tomando boas decises.  Voc est 
se arriscando demais  disse Beth.  Estou me arriscando da mesma forma que qualquer pessoa que j tenha se apaixonado por algum. Beth balanou a cabea negativamente 
e disse:  Mas voc no sabe quem  o Joo.  Na verdade, creio que conheo Joo melhor do que ele se conhece.  O que  lembrou Will   exatamente o que voc disse 
sobre Gregory quando a me dele morreu. Voc sentiu pena dele e criou desculpas para as atitudes impulsivas dele. Voc disse que havia passado a entend-lo depois 
de ir morar com ele. Agora voc est criando desculpas para o Joo.  Voc est criando desculpas para uma pessoa que nem consegue se lembrar por que esteve metido 
em uma luta brutal, o suficiente para mat-lo  acrescentou Beth.  Pelo que voc sabe  disse Will -, o Joo pode ter matado algum e levado uma surra enquanto 
fazia isso.  Isso  loucura!  exclamou Ivy.  To louco quanto pensar que o Joo estava dirigindo o carro que bateu no meu na estrada!  Ivy, ele est fingindo 
que no se lembra. Por que voc  to ingnua?  gritou Will.  E por que voc est to determinado a pensar o pior de algum?  ela reagiu devolvendo a pergunta. 
 Recebi um e-mail da Suzanne  disse Beth baixinho.

# Recebeu?  Ivy inclinou-se na grade, sentindo um cansao sbito por conta da discusso.  Ela est sonhando com Gregory. Ivy pensou um pouco e disse:  Isso no 
me surpreende.  Ela est sonhando com ele h duas semanas.  Beth, todos ns estamos pensando em Gregory e em Tristan h duas semanas  salientou Ivy.  Li os e-mails 
 disse Will.  Suzanne no consegue se lembrar dos sonhos, ela simplesmente sabe que fala com ele.  Nos sonhos, voc quer dizer  disse Ivy.  Ela est revivendo 
cenas passadas. Will cerrou os punhos de impacincia.  J disse que ela no se lembra dos sonhos. Mas sente que ele a est assombrando. Ivy olhava para um e para 
o outro. A testa de Will gotejava de suor. Os dedos de Beth no paravam de apertar a ametista com tanta fora que as pontas deles ficaram brancas por falta de circulao. 
 Era bvio que isso aconteceria  ponderou Ivy.  Quando Gregory morreu e a verdade veio  tona, Suzanne lidou com tudo "maravilhosamente bem", como todos disseram. 
Mas no h como uma pessoa lidar com esse tipo de situao, "maravilhosamente bem".  um pesadelo que ir produzir mais pesadelos, e isso no vai passar antes da 
hora certa. No h atalhos para curar as feridas desse tipo de situao. Suzanne est finalmente vivendo esse momento.  No. Gregory voltou  insistiu Beth, dando 
dois passos na direo de Ivy e colocando sua mo fria sobre o brao dela.  Ivy, voc quase perdeu a vida h duas semanas, em um acidente de carro, bem parecido 
com o que Gregory causou ano passado. O que preciso fazer para que voc acredite em mim? Ivy soltou o brao e passou no meio dos dois amigos.  Sua imaginao est 
fora de controle, Beth. Voc e Will j esto de cabea-feita, e nem esto tentando me ouvir.

# Estou ouvindo  Beth disse por detrs de Ivy.  E ouo coisas que voc no ouve.

#Captulo 23

oi estranho entrar em conflito com seus dois melhores amigos. Ivy estava preocupada com Beth, mas no havia razo para discutir suas preocupaes com Will, no agora, 
quando ele estava convencido de que era Ivy quem estava agindo de forma irracional. Mais tarde, naquele dia, depois de ter feito planos de ir com Joo a um festival 
de vero, Ivy subiu para procurar por algo especial para vestir. Beth andava para l e para c no quarto, com o telefone grudado no ouvido.  No, estou ocupada 
 disse Beth a quem falava com ela.  J fiz planos para hoje  noite  Beth ouviu um pouco e franziu a testa.  Nunca disse isso, Chase... No, voc no pode vir 
comigo. Ao ver Ivy, Beth virou as costas e se inclinou sobre o telefone. Ivy observou um pouco no espelho e depois continuou a mexer em suas coisas.

F

# Desculpe, preciso ir  disse Beth, desligando o telefone. Ivy olhou por cima do ombro. H uma semana, teria sentado na cama, batido com a mo no lugar ao lado 
dela e perguntado  amiga: "Como vo as coisas?" Agora, olhava em silncio para Beth, que franzia a testa para sua imagem no espelho, balanando os ombros como se 
tivesse tocado em algo desagradvel e indo para o andar de baixo.  Festival do morango!  Ivy disse vrias horas mais tarde, alegremente dando a mo a Joo e olhando 
para a placa que estava presa entre os dois carros de bombeiro antigos. O festival anual ficava aberto por uma semana e angariava fundos para o corpo de bombeiros 
de Cape. Apresentava uma confuso de tons e cores das barracas e montanhas-russas debaixo das faixas de luz.  Por onde voc quer comear?  ela perguntou.  Pelos 
jogos  disse Joo, sorrindo para ela.  Estou sentindo que estou com sorte hoje. Que tal dardos? Por ali. A barraca, comandada por uma mulher com chapu de bombeiro, 
tinha fileiras de bexigas vermelhas, brancas e azuis. Joo pegou 2 dlares.  Aqui esto os seu dardos  disse a mulher, que tinha um estranho sotaque de Massachusetts. 
 Boa sorte. Joo pegou um dardo e o virou em suas mos, examinando-o.  No consigo me lembrar... para que lado ele vai?  perguntou a Ivy e riu da reao dela. 
 Estou brincando. Ele ergueu um dos braos, mirou e jogou. Pop!  Um!  disse a mulher. Ele errou o dardo seguinte.  Um de dois. Joo cerrou os dentes e jogou. 
Pop! E jogou novamente. Pop!  Trs de quatro  anunciou a mulher. Joo jogou o ltimo dardo. Pop!  Quatro de cinco! Escolha um prmio de qualquer fileira, amigo! 
Joo virou-se para Ivy e disse:  Do que voc gostaria?

# Escolha voc  Ivy disse a ele, curiosa para ver o que ele escolheria. Joo analisou os vrios bichos de pelcia e disse:  Primeira fileira, o terceiro da esquerda 
para a direita. A mulher deu a ele um cavalo alado, de pelcia.   um cavalo anjo ou  o Pegasus  Joo disse a Ivy ao entregar o brinquedo de pelcia em suas mos. 
 Pegasus  ela repetiu.  Voc conhece mitologia. Joo esboou um sorriso amarelo.  Mais uma prova de que sou um cara de classe.  Eu sempre soube! Obrigada!  
Ivy disse, colocando o brinquedo debaixo do brao.  Peg  to doce. Foram para outra barraca e revezaram-se atirando argolas nas garrafas. Deram uma volta na roda-gigante, 
subindo e descendo pelas luzes piscantes do festival.  Quer ir a outro brinquedo ou quer jantar?  Joo perguntou quando saram.  Quero sobremesa  disse Ivy. 
 E depois outro brinquedo. E depois outra sobremesa. Ele riu e caminharam de braos dados, seguindo as placas da praa de alimentao. No caminho, Ivy viu que Max 
acenava para ela.  Ivy, aqui!  ele chamou. Ele e Beth estavam sentados em um banco perto dos carros de batida.  Quem ?  perguntou Joo.  Max. E Beth.  Will 
est aqui hoje?  a voz de Joo mostrava certo desconforto.  Acho que vieram todos juntos  disse, observando o olhar cauteloso de Joo ao redor do ambiente.  
Por que voc no vai para a fila do hambrguer enquanto eu vou cumpriment-los?  sugeriu Ivy. Ela foi ficar com Max e Beth, espremendo-se no banco em que estavam. 
 Oi, cad o pessoal?  Esto no carrinho de batida. Beth no quis ir. E eu sei bem como

#Bryan e Kelsey dirigem carros de batidas, ento tambm no quis. Ivy sorriu, depois ficou de p um pouco para observar. Os carrinhos eram antigos, com postes altos 
na traseira, terminando como lnguas de cobras que brilhavam pelo teto de metal. Will e Dhanya dirigiam tranquilamente pelo cho encerado. Bryan, Kelsey e mais algum 
viraram os carros como loucos, causando vrias batidas.  Aquele  Chase?  Ivy perguntou, surpresa.  Sim  respondeu Max, e Beth continuou calada.  O cheiro  
murmurou Beth.  Ivy, aquele cheiro horrvel.  Que parece cabelo queimado?  perguntou Max.  Esse  o cheiro dos carros de batida. Ivy sentou-se.  No pensei 
que Chase fosse aparecer por aqui hoje.  A gente tambm no  respondeu Max.  Ele estava esperando no estacionamento e nos seguiu at aqui.  Cuidado  disse Beth. 
  perigoso. Ivy franziu a testa. Ser que era Chase que estava assustando Beth?   eltrico, mas  seguro  Max garantiu a Beth. Beth balanou a cabea negativamente, 
mexendo na corrente de seu pingente. Eram duas conversas ocorrendo paralelamente, Ivy percebeu, e ningum estava consciente de que o outro no estava entendendo 
nada. Os carros pararam, e Kelsey, Bryan e Chase, com o comportamento exaltado, riam ao passar pela rampa de sada.  Ei, Ivy! Voc devia ter vindo conosco. Voc 
e o Joo  disse Kelsey, logo parando para olhar ao redor.  Onde est o Senhor Mistrio?  Pegando algo para comer  respondeu Ivy, apontando para a barraca de 
hambrguer.  Senhor Mistrio  disse Bryan.  Voc est falando do camarada com amnsia?  Onde?  perguntou Chase e seus olhos acinzentados brilhavam de curiosidade.

#Bryan, Max e Chase inclinaram o pescoo para ver. Quando Will observou, estreitando os olhos, Ivy virou-se para ver tambm. Joo estava falando com uma morena, 
balanando a cabea e gesticulando muito, como se estivesse explicando seu ponto de vista. Saiu de perto da garota, mas, logo em seguida, aps ela ter dito alguma 
coisa, ele se virou para ela de novo e continuou a conversa, de uma forma mais agressiva do que antes.  Com licena  disse Ivy, indo at ele.  Briga de mulher! 
 anunciou Kelsey cheia de esperana. Antes de Ivy chegar at Joo, a garota se afastou. Estava olhando na bolsa e deu para Ivy ver que o telefone dela tocava. A 
garota ps o telefone no ouvido, depois olhou mais uma vez para Joo. Ivy mal conseguiu entender o que a garota disse ao partir, mas perguntou:  Ela disse "tchau, 
Luke"?  perguntou Ivy. Joo virou o corpo e disse:  Qu?  Achei ter ouvido ela cham-lo de Luke  disse Ivy.  Ouviu errado  respondeu, mas no olhou nos olhos 
de Ivy.  Voc a conhece, Joo?  Nunca a vi na vida. Ela estava me pedindo orientaes. E ele ficou todo irritado por causa de orientaes.  Ela quer ir para onde? 
Os olhos dele brilharam ao perguntar.  Isso  um interrogatrio? Ivy inclinou a cabea para o lado, analisando Joo e disse:  No.  Desculpe  disse Joo com 
a voz mais mansa.  No devia ter me irritado. Ivy concordou logo em seguida e disse:  E eu no devia ter pressionado voc. Joo olhou por detrs dos ombros dela, 
parecia ansioso.  Estou muito cansado, Ivy. Voc se importa se eu for para casa?  Voc no vai comer nada?  Como alguma coisa em casa.

#Ela desistiu com um suspiro. Talvez Luke fosse o nome da pessoa que telefonou para a garota, Ivy pensou enquanto caminhavam, silenciosamente, at o carro dela. 
Mesmo assim, ela sabia que algo tinha chateado Joo e ele estava omitindo o fato. Quando chegaram em Willow Pond, Joo no queria que ela ficasse, pois disse:  
Vou direto para cama  saindo rapidamente do carro. Ivy abriu a porta e foi ao encontro dele.  E se eu ficar sentada no lago e tomar conta de voc, s para ter 
certeza de que est bem?  No. A rapidez da resposta dele a deixou atnita.  Preciso dormir. Preciso... de um tempo para mim. Preciso de espao. A mesma coisa 
que ela tinha dito a Will. Ivy sentiu um n na garganta.  Amanh estarei melhor. No se esquea de dar comida ao Pegasus  disse, forando um sorriso.  Me liga 
 ela disse. Sem responder, Joo acariciou o rosto dela com os dedos e foi embora. Ivy andava pela sala do chal, mentalmente revivendo a cena com Joo e a garota 
no festival, tentando interpret-la. Os gestos de Joo sugeriam emoes fortes, mas no dava para saber se era raiva, frustrao ou descrena. Se a garota estava 
dizendo que conhecia Joo, por que ele no contou para Ivy, e assim poderiam seguir qualquer pista que tivesse surgido com esse encontro? Talvez ele quisesse fazer 
isso sem a presena dela. Talvez ele no tivesse gostado do que ouviu sobre si mesmo, talvez tenha sido algo horrvel. "No", Ivy disse a si mesma. "Sua mente est 
envenenada por Beth e Will." De qualquer forma, uma suspeita havia criado razes, e no conseguia se livrar dela. Cada vez que passava pela cozinha, via o computador 
de Beth aberto em cima da mesa. Ser que era vontade de ajudar ou a sensao de ter confiado na pessoa errada que a instigava? No tinha certeza, mas s

#23h15, com os demais ainda na rua, sentou-se e pesquisou o nome "Luke" no Google. "Luke" e o que mais?, pensava, batendo os dedos sobre a mesa. "Luke" e "pessoas 
desaparecidas", digitou; depois, riu de si mesma. Apenas 51.800 resultados. Tentou "Luke", "pessoas desaparecidas" e "Massachusetts"; 8.310 resultados. Ao rastrear, 
encontrou resultados de hospital chamado St. Luke e pessoas que se chamavam Luke, que no eram de Massachusetts, mas que tinham um parente l ou haviam passado por 
l. Dava para eliminar "St." e "hospital" da busca, mas ser que fazia sentido restringir a busca a Massachusetts? Por que no Rhode Island ou qualquer outro estado, 
pensou; Cape Cod era cheio de turistas, a garota no festival poderia ser um deles. Talvez devesse procurar por data. Mas quando Joo foi dado como desaparecido? 
No dia em que foi dado como morto na praia ou um pouco antes? Os artigos e postagens sempre mencionavam idade, mas ela no sabia a idade exata dele. Ivy continuou 
rastreando, clicando nos resultados, lendo descrio atrs de descrio, das pessoas que desapareceram do nada. No fazia ideia de que eram tantas. Imaginava se 
algo horrvel teria acontecido com eles ou se haviam "fugido" e mentido para comearem uma vida nova. Concentrada no que estava fazendo, no ouviu algum se aproximar. 
No sabia que Will estava atrs dela, at ele se inclinar atrs da cadeira.  Ivy, o que voc est fazendo? Ela fechou o computador com tudo e virou o corpo.  Will, 
voc me assustou  disse, sabendo que a desculpa era fraca demais para sua reao exagerada. Will continuou tranquilo e perguntou.  Quem  Luke? Quando estendeu 
o corpo como se fosse abrir o computador, ela ps a mo em cima da dele e disse:  No sei.  Esse  o nome verdadeiro do Joo?  Se fosse, tenho certeza de que 
voc j teria descoberto na sua

#investigao completa. Will riu e disse:  No sou seu inimigo, Ivy.  Mas acha que o Joo . Ele cruzou os braos e disse:  Acho que voc no sabe discernir entre 
uma pessoa que se preocupa com voc e uma que est usando voc. Ivy sentiu seu rosto queimar e disse:  Saia daqui! Saia agora! Antes de Will sair batendo a porta 
atrs dele, Ivy fechou sua janela de busca e desligou o computador. Ah, se ela ao menos pudesse desligar o medo que crescia em sua mente.

#Captulo 24

D

esde a hora em que acordou no domingo de manh, Ivy no parou de olhar para o telefone, mas Joo no ligou. Era difcil no ligar para ele, mas ele disse que queria 
espao, ento ela se esforou para ser paciente. Mais tarde, naquele dia, achando o silncio do telefone insuportvel, ela foi at a igreja estudar piano, esperando 
encher a cabea com Chopin, Schubert e Beethoven. s 18h30, pegou um sanduche em uma lanchonete perto da igreja e voltou a estudar. "E se aconteceu alguma coisa 
com Joo?", pensou, e quase usou isso como uma desculpa para ligar para ele. Mas ela sabia que Kip tinha o telefone dela em "caso de emergncia" e teria entrado 
em contato caso tivesse acontecido alguma coisa. s 20h20, ela foi para casa, deixando o telefone no banco do passageiro para que pudesse atend-lo rapidamente.

#Ao chegar na Seabright, Ivy viu que tanto o carro de Will quanto o de Kelsey no estavam por l. As luzes do chal estavam apagadas e estava tudo quieto l dentro. 
Ivy entrou em silncio, relutante em acabar com a iluminao natural de fim de tarde da casa. Na cozinha s havia uma luz noturna acesa, brilhando sobre um recado 
de tia Cindy, dizendo que sairia naquela noite. Esperando tirar Joo do pensamento, Ivy subiu para pegar seu livro de mistrio. Parou na metade do caminho. A luz 
da vela se agitava contra o teto baixo do quarto. Ela foi na ponta dos ps at o topo da escada e, para sua surpresa, viu Beth sentada no cho ao lado da cama de 
Dhanya, concentrada no tabuleiro Ouija.  luz das velas, o perfil de Beth estava branco como um fantasma, mas dava para ver uma faixa rosada na face. Ela no deu 
sinal algum de que sabia que Ivy estava l. Com os dedos apoiados na palheta, Beth fechou os olhos, cantando delicadamente. Ivy aproximou-se um pouco mais, tentando 
entender as palavras.  Responda, responda, me d a sua resposta  murmurou Beth. Segundos se passaram. As mos, os ombros e a cabea de Beth no se moviam. O nico 
movimento que ela fazia era com os olhos, debaixo das plidas plpebras fechadas, vendo coisas que Ivy no conseguia ver.  Responda, responda, me d a sua resposta. 
A palheta comeou a se mexer, mas era um movimento errtico.  Responda, responda!  clamou Beth em um tom mais insistente. A pea triangular comeou a fazer lentos 
movimentos circulares pelo tabuleiro, no sentido anti-horrio. Ivy contou seis crculos. Depois mais seis e mais seis.  Responda, responda, me d uma resposta. 
 voc? A palheta mudou para a letra G. Ivy segurou o flego. Ser que era Gregory? Comeou a se mover para os lados e foi at a letra R. Ivy ficou observando, cada 
vez mais nervosa. E... G... O... R... Y...

# Gregory  balbuciou Ivy. E... S... T... ...  Est  Ivy disse baixinho, mas Beth estava to em transe que nem ouviu. A...  Pare!  gritou Ivy. Q...  Pare, 
Beth! U...  Pare agora! Antes da palheta tocar a letra I final, Ivy abaixou-se e a posicionou em "adeus", depois tirou o tabuleiro do alcance. Beth jogou a cabea 
para trs como se tivesse sido estapeada por Ivy.  Beth, o que voc est fazendo? No acredito que voc tentou...  Ele est aqui  disse Beth em um tom de voz 
distante.  No h como par-lo. Uma batida forte fez Ivy parar. Ela olhou para a escada, havia algum na porta do chal. Beth inclinou-se para frente e calmamente 
soprou cada uma das velas. Antes de soprar a ltima, Ivy correu escada abaixo. Suspirando profundamente, ela abriu a porta da frente.  Ah, graas a Deus  ela disse. 
 Ivy, voc est bem?  perguntou Joo, entrando rapidamente no chal.  Voc est tremendo? O que aconteceu?  S estou assustada. Estava escuro demais para ver 
os olhos dele, mas dava para perceber que Joo estava analisando Ivy.  Assustada por minha causa?  ele perguntou. Ela riu de forma no muito estvel e disse:  
No. Beth, como  que eu poderia explicar?  uma longa histria.  Ento, vamos dar uma longa caminhada  ele disse.  A coisa que mais amo na praia  que metade 
do mundo  formada

#pelo cu  Ivy disse a Joo quando chegaram ao topo da escada que descia o penhasco.  Uma metade do mundo so as estrelas  ele continuou. Ivy virou-se para ele. 
"Tristan", ela pensou, "voc se lembra? Voc se lembra de ter me beijado em uma catedral de estrelas?" Joo olhou para cima, inclinando a cabea para trs, apreciando 
as estrelas.  Elas brilham tanto quando estamos longe das luzes da cidade. Parecem mais prximas.  Prximas demais  disse Ivy.  L est Orion  apontou Joo. 
 Reconheo a espada. Eles desceram as escadas juntos, tiraram os sapatos e seguiram o caminho das dunas.  Quer caminhar na beira do mar? Agora que j sei boiar 
 disse com um sorriso -, no tenho medo de me afogar na beirinha. Ivy segurou a mo de Joo e caminharam pela gua. A mar estava baixando, deixando para trs um 
rastro prateado de pedras e conchas. Quando se distanciaram um pouco mais, Ivy virou-se para olhar as pegadas, as dele ao lado das dela, no mesmo ritmo. Joo tambm 
se virou, depois sorriu, colocou o brao ao redor do corpo dela e eles continuaram a caminhar.  Ento, me diga o que assustou voc  disse Joo.  Foi alguma coisa 
com a Beth? Ivy concordou com a cabea e disse:  Beth  mdium. Joo parou no meio do passo.  Ela ?  Sim, ela tem esse dom de verdade. Mas  tambm uma maldio. 
O que a Beth v, frequentemente, a assusta.  Voc disse que ela a ajudou no ano passado. Ser que ela percebeu que Gregory era o assassino?  Ela percebeu grande 
parte da situao.  O que ela viu hoje?  ele perguntou. Ivy deu de ombros e disse:  Isso no importa. Eu exagerei. s vezes,

#acho que a Beth mistura o que v, com o que imagina. Ela tem uma imaginao muito frtil. Com uma das mos, Joo virou o rosto de Ivy de frente para o dele e olhou 
intensamente para ela.  Acho que importa, sim, porque isso a deixou chateada. Mas voc pode me contar quando estiver pronta  ento, ele soltou o brao dela e disse: 
 Olha s isto! Ele se lanou sobre a gua at a altura da coxa, depois virou-se para ela e sorriu, deixando uma onda passar sobre ele.  Est impressionada?  ele 
perguntou.  Me diga que est impressionada.  Muito! Ela foi correndo em direo a ele, chutando a espuma das ondas. Ficaram de mos dadas, um de frente para o 
outro, deixando as ondas passarem sobre eles. Toda vez que a onda recuava, ela sentia que ele a segurava ainda com mais fora.  Voc no gosta quando a mar volta. 
 Assusta-me mais do que a onda quebrando  ele admitiu.  Parece que o mar quer me levar de volta para a escurido.  No vou deixar o mar levar voc  disse Ivy. 
 Nada vai me fazer solt-lo.  Como  que fui ter tanta sorte? Devo ter feito algo muito bom na vida.  Voc fez muitas coisas boas. Ele riu.  Srio, eu sei!  
ela insistiu. Ainda rindo, ele ergueu a mo esquerda de Ivy e a beijou.  E acredito em algo maior que sorte  ela disse.  Nos seus anjos  ele concluiu.  Voc 
quase me fez acreditar... Quase. Voltaram para a margem e seguiram suas prprias pegadas, voltando ao caminho das dunas. Na metade dos degraus de madeira, no ptio 
com os bancos, Joo pegou Ivy pelo cotovelo e perguntou:  Podemos parar? Quero dar uma olhada. Juntos, olharam para o mar e para o cu, uma eternidade negra e

#prateada.  Sinto como se estivssemos flutuando no ar  ele disse.  Na metade do caminho entre o cu e a terra  continuou Ivy. Joo virou-se para ela. Segurando 
seu rosto com as duas mos, inclinouse para beij-la ternamente no ombro. Sua boca moveu-se mais para frente no pescoo, fazendo uma suave presso  Eu te amo, Ivy. 
Ela recostou-se no peito dele e disse:  E eu amo voc  "Sempre amei", disse em sua mente.  Achei que tivesse perdido tudo o que era possvel perder  disse Joo. 
 Mas disse a mim mesmo que as coisas no poderiam ficar piores, sem uma identidade, no havia nada a perder. Estava errado. Estou morrendo de medo de perder voc. 
Se perder voc, Ivy...  Shh!  disse, dando uma batidinha no rosto dele.  Se eu perder voc, seria melhor que tivesse me afogado.  Voc no vai me perder. Ele 
balanou a cabea negativamente.  Mas se algo se colocar entre ns...  No vai  ela disse.  Prometo, nada no mundo vai se colocar entre ns. Eles viraram para 
terminar de subir o restante da escada e caminharam lentamente pela pousada, o brao dele ao redor da cintura dela. Ivy no queria pensar no que tinha acontecido 
no passado ou no que o futuro reservava. Tristan havia voltado para ela. Viver no presente era tudo o que ela queria. Tudo o que ela sempre quis estava ali e agora. 
 Luke McKenna? Assustada pela voz profunda, Ivy olhou para cima e foi surpreendida ao ver dois policiais. Joo olhava para os lados, soltando o brao dela.  Voc 
est preso  disse o homem.  Voc tem o direito de... Joo saiu correndo, escondendo-se no meio das rvores. Os oficiais comearam a procurar por ele com as lanternas 
acesas, mas ele fugiu por entre os pinheiros no meio da escurido. A policial mais jovem, uma

#mulher, foi atrs dele. O homem corpulento ficou com Ivy, de braos cruzados, examinando-a. A mente dela viajava. "Luke", ela pensou. "O nome dele  Luke". E ele 
sabia, ela sentiu a reao dele quando o policial falou o nome. H quanto tempo ele sabia? Desde o festival ou antes disso? O policial virou-se para olhar por cima 
do ombro dela e Ivy o acompanhou com o olhar. Will estava de p na metade do caminho entre o chal e o celeiro.  Voc tem conscincia do enorme perigo que estava 
correndo?  o homem perguntou a Ivy.  Voc sabe o que Luke McKenna fez? Ela olhou para o policial e no disse nada. Uma brisa fresca veio do oceano, deixando-a 
com frio  Sorte a sua  continuou o policial  que seu amigo nos alertou. Ivy olhou para Will e fixou os olhos no policial.  Do que o Joo, o Luke, est sendo 
acusado? O homem tinha um queixo duplo que se apoiava no colarinho do uniforme dele. Ele parecia avaliar Ivy, como se achasse que ela pudesse estar fingindo no 
saber.  Voc no faz ideia?  No  disse, olhando diretamente nos olhos dele.  Assassinato.

#Captulo 25

I

vy inclinou-se como se tivesse levado um soco no estmago. Mal conseguia andar at  porta do chal e, quando finalmente chegou, jogou-se no primeiro degrau. Alguns 
minutos mais tarde, a policial voltou, exausta.  No consegui alcan-lo  relatou, ofegante.  Ele est em boa forma e conhece a rea melhor do que eu.  claro 
que, com um pouco de ajuda, teria conseguido. O policial mais velho disse:  No ouvi a moto dele ser ligada. E sei onde ele est morando. Vamos peg-lo  ento, 
virou-se para Ivy e disse:  Quero lev-la para pegar o depoimento dela. No parece que ela no sabe de nada.  Quantos anos voc tem?  a mulher perguntou.  Dezoito 
 disse Ivy, supondo que isso evitaria que entrassem em contato com sua me.

# No estamos acusando voc de nada, s queremos fazer algumas perguntas. Mesmo assim, voc tem direito a ter um advogado presente.  No preciso de advogado.  
Quer trazer um amigo?  sugeriu a mulher, apontando para Will, que se aproximava deles. "Will ao resgate", pensou Ivy, "Will ao resgate mais uma vez".  Obrigada, 
prefiro ir sozinha. Will parou no meio do caminho.  Certo, meu carro est no estacionamento. O carro do policial mais velho ficou atrs, esperando ajuda para pegar 
a motocicleta. Ivy seguiu o carro da polcia. Na pequena delegacia, foi levada a uma sala que tinha cheiro de caf queimado e pipoca feita no microondas.  Voc 
quer alguma coisa: gua, caf, ch?  a policial perguntou, servindo-se de um caf lamacento, misturando-o com punhados de creme. Ivy balanou a cabea negativamente. 
 Meu nome  Donovan  disse a oficial, sentando-se de frente para Ivy.  Rosemary Donovan  disse, dando a Ivy um carto com o seu nome, nmero da insgnia e do 
telefone. Depois, abriu uma pasta.  Tenho algumas perguntas. Lenta e dolorosamente, Ivy respondeu a todas as perguntas: como e quando conheceu Luke, como ele saiu 
do hospital e o que ele havia contado sobre seu passado: nada. A pergunta final foi a mais difcil para ela: o que ela havia observado nele quando estavam juntos? 
Ivy ficava olhando para o caf na mesa entre elas. O que ela poderia dizer? Que havia observado ternura com um gato de rua? Que quando Joo, Luke, a beijava, ela 
quase chorava por sentir tanto amor? Como algum que parecia ser to adorvel poderia ser um assassino? Como ele poderia ter agido de forma to convincente? "Gregory 
est aqui." Lembrando-se da mensagem do tabuleiro Ouija, Ivy sentiu um calafrio

#pelo corpo: Gregory havia voltado, exatamente como Beth disse. E Lacey estava certa: ao entrar na mente de Joo, Gregory poderia facilmente persuadi-lo, influenci-lo. 
Depois de um longo silncio, Donovan perguntou:  Voc est apaixonada pelo Luke? Ivy sentiu que iria passar mal. Como ela poderia ter se apaixonado por um corao 
assombrado por Gregory? Apoiou a cabea nas mos.  H alguma coisa que voc queira falar comigo?  perguntou a policial, baixinho.  No.  Talvez voc queira fazer 
algumas perguntas  sugeriu a policial. Ivy olhou para cima e perguntou:  Quem foi assassinado? Por que voc acha que  ela hesitou, depois esforou-se determinada 
a usar o nome verdadeiro dele  Luke fez isso? Como Will sabia que Luke era procurado por assassinato?  Will O'Leary?  Donovan verificou o arquivo.  Ele entrou 
em contato com o hospital em Hyannis, falando-lhes sobre um paciente que tinha fugido. O'Leary deu o primeiro nome do paciente e o policial entrou em contato com 
a polcia local, que entrou em contato com outros municpios. Fizemos uma comparao e percebemos que estvamos investigando uma pessoa que tinha muito mais do que 
contas mdicas no pagas em seu histrico. Quanto  vtima  ela mostrou uma fotografia que estava sobre a mesa. Ivy viu uma garota de cabelos e olhos negros, seus 
olhos tinham um ar travesso.  O nome dela  Corinne Santori.  Qual a idade dela?  Ivy perguntou.  Dezenove. Era uma ex-namorada de Luke. Uma amiga disse que 
ficaram noivos em segredo. Ela terminou e ele ficou furioso.  Como ele... fez isso?  Ele a estrangulou.

#Ivy fechou os olhos, lembrando-se, na metade do caminho entre o cu e a terra, da ternura com que havia beijado seu pescoo.  Voc est bem?  a mulher perguntou. 
 Sim  Ivy suspirou profundamente, depois descreveu a garota que viu conversando com ele no festival. Ela no escondeu o fato de que ele havia mentido, negando 
que a garota o tivesse chamado de Luke. "Mentindo, negando, fingindo no se importar", Ivy pensou. "Por que eu no vi Gregory na presena de Joo?" Quando terminaram, 
a policial se ofereceu para acompanhar Ivy de volta  pousada.  Est tudo bem  Ivy insistiu.  Ento, vou pedir ao meu parceiro para esperar voc chegar. Ivy concordou 
com a cabea.  Tome cuidado, Ivy. Tome muito cuidado. No queremos que haja outra garota morta.

#Captulo 26

Q

uando Ivy voltou para a pousada, viu uma caminhonete guinchar a moto de Luke e sair do estacionamento. O policial mais velho foi seguindo o carro. Tia Cindy ainda 
no havia voltado, mas Ivy sabia que algum hspede deveria ter notado o carro da polcia e perguntaria a ela o que havia acontecido. Ivy pegou um papel e uma caneta 
na cozinha e os levou ao balano para escrever uma nota explicando o ocorrido. Anotou os fatos mais bsicos: havia descoberto que o nome de Joo era Luke McKenna, 
que ele era procurado pela polcia e que, quando tentaram prend-lo, ele fugiu. A polcia a interrogou, mas ela no sabia nada sobre a vida anterior de Luke. Ivy 
sentiu-se estranhamente calma ao escrever. Era como se o seu corao e a sua mente tivessem se fechado, antes que ela pudesse digerir o horror das aes de Luke 
totalmente. Estava assinando a mensagem quando

#ouviu a porta de tela do chal se abrir. Beth ficou parada na porta, olhando para Ivy e perguntou:  Como voc est? O tom de Beth tinha a doura de sempre, e a 
cor forte em suas bochechas haviam desaparecido; se ela no tivesse testemunhado a sesso de Ouija mais cedo, naquela noite, nem teria imaginado que aquilo havia 
acontecido.  Estou bem  ela respondeu, imaginando que Will j tinha dado todos os detalhes srdidos a Beth.  Voc quer ficar sozinha?  No, estou feliz por voc 
estar aqui, Beth. Quando Ivy mostrou a ela o bilhete, Beth apoiou a mo na de Ivy e disse:  Sinto muito. Sinto muito mesmo. Eram palavras to simples. Ivy comeou 
a chorar. A dor era to forte que sentia que no conseguia respirar. Beth colocou a mo delicadamente nas costas de Ivy.  Como pude ser to cega?  disse Ivy, soluando 
em meio s lgrimas.  Voc estava certa, Beth. Voc estava certa o tempo todo. Como pude imaginar que Joo era Tristan?  Posso entender como  Beth respondeu. 
 Voc ainda sente a falta de Tristan. A ferida ainda est cicatrizando. Seu corao queria tanto que fosse ele, que voc se convenceu.  Mas voc e Will me avisaram. 
E eu me recusei a escutar. Sinto tanto. Beth ficou em silncio.  Ultimamente, vinha me perguntando: "O que est acontecendo com a Beth?" Mas era eu quem estava 
agindo de forma estranha. E voc, voc me via cometendo os mesmos erros que cometi antes, confiando na pessoa errada  Ivy deu um suspiro profundo, exalando bem 
devagar.  Foi na noite da sesso esprita, no foi? Que deixamos Gregory voltar ao nosso mundo? Beth concordou com a cabea deixando os cabelos carem na frente 
do rosto.

# Ano passado  disse Ivy -, quando Tristan voltou, era fcil para ele entrar na mente de Will. Will no era mdium como voc, nem acreditava em anjos como Philip, 
mas Tristan tinha acesso porque ele e Will tinham pensamentos comuns. Da mesma forma  ponderou -, ficaria fcil para Gregory entrar na mente de um assassino.  
Especialmente sendo algum da mesma idade que ele, como Luke  disse Beth. Ivy deu de ombros e disse:  Quando voc estava consultando o Ouija, hoje  tarde, a palheta 
soletrou "Gregory est aqui".  Achei que, se pudesse entrar em contato com ele...  Beth comeou a explicar.  E quando desci e abri a porta  Ivy continuou -, 
l estava ele.  Ele vai voltar  disse Beth.  Em algum momento, Luke vai voltar  ela disse, apertando a mo de Ivy.  No se afaste de mim, Ivy. No agora. Precisamos 
tomar conta uma da outra. Por favor, no se afaste. Ivy abraou Beth e disse:  Nunca. Jamais. Ivy deixou o bilhete na caixa de entrada da tia Cindy. Ao voltar para 
o chal, olhou para o celeiro. A ferida ainda doa muito para tentar uma aproximao com Will e reparar a situao com ele. Se havia uma coisa que tinha aprendido 
nas ltimas semanas,  que no amava Will da forma que havia amado Tristan, de corpo e alma, e da forma como havia comeado a amar Luke. No podia ignorar esse fato, 
fingindo que o amava assim. Quando Ivy saiu do banho, Beth j estava na cama.  Voc est bem?  Ivy perguntou.  Sim, e voc?  Vou ficar  Ivy respondeu com determinao. 
 Contanto que fiquemos juntas  disse Beth -, tudo vai ficar bem. Ivy ficou deitada na cama por um tempo, olhando para o teto. Beth dormiu rapidamente, e Dhanya 
e Kelsey chegaram em casa uma hora mais tarde. Ivy ficou quieta at ter certeza de que todas estavam dormindo, ento se levantou e desceu a escada na ponta dos ps. 
Quando acendeu o abajur

#ao lado do sof da sala de estar, foi acolhida por um delicado miado.  Dusty! Voc tinha de estar l fora protegendo o jardim de ratos e outros roedores. O gato 
rolou no sof, ficando de barriga para cima para ser acariciado, depois saiu do sof e foi at a porta. Ao deix-lo sair, Ivy olhou para a fechadura quebrada da 
porta de tela. Em um lugar em que as portas geralmente ficam destrancadas, no havia motivo para arrum-la. Por um momento, Ivy pensou em fechar a porta principal 
com a trava, mas voltou ao sof sem fazer isso. Luke era um fugitivo da polcia e no voltaria a um lugar em que todos sabiam sua identidade. Quanto a Gregory, portas 
trancadas no iriam impedi-lo. Ivy comeou a montar um quebra-cabea e quase terminou antes de sentir o sono voltar. Apagou a luz e se deitou no sof, olhando para 
a porta de tela, observando as sombras feitas pela lua e pela escurido. Depois, virou para o outro lado do sof e dormiu.

Um pouco mais tarde, foi acordada de sbito. Ao olhar para o tecido listrado do sof, Ivy no sabia onde estava a princpio e no sabia o que a havia acordado. A 
sala estava escura, a casa silenciosa. De repente, sentia a mo de algum tampando sua boca. "Luke", pensou, e tentou se livrar dele, chutando as pernas para frente, 
mas o agressor obviamente tinha muito mais fora fsica, pois nem foi preciso muito esforo para control-la.  Ivy, shhh! shhh!  disse Luke. Ela lutou com fora, 
movendo a cabea para os lados, tentando morder a mo dele para afast-lo. "Tristan, me ajude! Tristan, por favor!", ela rezou. Luke a segurou bem forte de costas 
contra o peito dele, mas soltou a boca. Antes que ela pudesse gritar, ele segurou em sua frente uma pequena moeda brilhante  Ivy, eu me lembro  disse baixinho.

# Se lembra? Se lembra de qu? De ter matado Corinne? Ele colocou a moeda na mo dela e disse:  Da primeira vez que nos beijamos, voc estava mergulhando para 
procurar uma moeda. Vi voc no fundo da piscina e achei que tivesse se afogado. Pulei e fui atrs de voc. Por um momento, Ivy ficou sem fala, sem respirao. Ele 
ps a mo sobre a dela, depois entrelaou os dedos e disse:  Eles me chamam de Luke, mas meu nome...  Tristan. O corao dela bateu forte como na noite do acidente. 
Ela se virou de frente para ele, deixando a moeda cair no cho. Ele acariciou o rosto dela e o rosto dele se iluminou de admirao ao olhar para ela. Beijou-a, depois 
ficou de rosto colado com ela. Dava para sentir as lgrimas quentes dele em seu rosto.  Tristan, achava que fosse voc, mas depois deixei de acreditar.  No deixe! 
Se voc deixar de acreditar, no haver nada alm de escurido para mim. Ela o abraou com muita fora e disse:  Eu te amo, Tristan. Eu sempre amarei voc.  Sempre, 
Ivy  ele sussurrou, como tinha feito naquela noite.  No vou suportar deix-lo partir novamente  disse, sentindo o profundo suspiro dele.  Ivy, tem alguma coisa 
errada. No sei o que aconteceu entre o momento em que disse adeus a voc como Tristan e o dia em que ganhei conscincia como Joo, como Luke  ele se corrigiu. 
 Mas tem alguma coisa terrvel acontecendo. Sinto isso do fundo da minha alma.  O que voc ?  Ivy perguntou.  Anjo ou humano?  como antes, quando voc falava 
por Will e Beth?  No  ele deu um passo para trs, mas continuou segurando a mo dela.  O rosto de Luke  o meu rosto agora, as mos dele so as minhas, e s 
minhas. No sei onde est o esprito de Luke. A mente e a alma dele no esto neste corpo, e no sei nada sobre a vida dele, alm do que me dizem. As coisas das 
quais estou me lembrando aos poucos so da minha vida como

#Tristan.  Voc se lembra de Gregory?  ela perguntou.  Digo, alm do que contamos outro dia?  Lembro-me de como era ficar cara a cara com ele. Lembro-me dos 
olhos acinzentados. s vezes eram tranquilos e distantes, em outras, quando pego de surpresa, queimavam de raiva.  Gregory voltou.  Voltou?  Tristan repetiu. 
 Ivy, se isso for verdade, voc est correndo perigo.  Hoje, mais cedo, Beth estava tentando se comunicar com ele atravs do tabuleiro Ouija. A palheta soletrou 
"Gregory est aqui". E quando eu desci a escada  Ivy parou, sentindo o calafrio que percorria sua coluna.  Voc abriu a porta e me viu. Logo depois descobriu que 
eu tinha sido acusado de assassinato e acreditou que Gregory estava dentro de mim. Ivy concordou.  Quem mais estava na casa, ento?  Tristan perguntou. Ela no 
respondeu.  Ivy, quem mais? Ela olhou por cima do ombro, depois virou-se para a porta de tela, ouvindo vozes l fora. Os feixes de luz das lanternas corriam pelo 
jardim.  A polcia voltou  disse Ivy, segurando firme o brao de Tristan.  Suspeitaram que voc fosse voltar. A voz de tia Cindy era mais alta que a dos demais. 
 Isto  uma pousada. H hspedes dormindo. No podem invadir uma propriedade particular assim... Tristan envolveu Ivy em seus braos e disse:  No posso deixar 
voc com...  Eles s o conhecem como Luke  ela disse.  Pensam que voc  um assassino. Voc precisa ir.  Quem mais alm de Beth estava aqui ? disse Tristan 
em um tom imperativo.

# V  implorou Ivy, arrastando-o para a porta da cozinha.  V, Tristan. Por favor, v!  Voc est correndo muito perigo, Ivy.  Da cadeia voc no poder me 
ajudar. V! Ele aproximou seu rosto do dela, beijando-a uma ltima vez, e ento saiu pela porta. Ivy sabia que, se a polcia a visse l embaixo, entenderia que ele 
teria passado por ali. Subiu a escada correndo. "Anjos, protejam-no. Anjos, me protejam", ela rezou. Depois, olhou de frente para sua cama. Beth, sua melhor amiga, 
dormia, o rosto sereno e plido, os cabelos castanho-claros espalhados pelo travesseiro. Engolindo a seco, Ivy admitiu para si mesma o que no foi capaz de admitir 
em voz alta para Tristan: a nica pessoa que estava na casa quando o tabuleiro Ouija soletrou a mensagem assustadora era Beth. Beth, sendo mdium natural, tinha 
a mente mais fcil de penetrar quando Tristan tentou se comunicar com Ivy no vero passado. Na noite da sesso esprita, Gregory provavelmente descobriu o mesmo 
portal na mente de Beth. Ivy tinha atribudo as dores de cabea de Beth ao acidente, mas, pensando bem, percebeu que haviam comeado, imediatamente, aps a sesso. 
Desde ento, o comportamento de Beth foi ficando cada vez mais estranho. Ivy sabia o que isso significava. A cada momento que se passava, Gregory estava ganhando 
fora dentro dela.  Ivy Lyons!  gritou a polcia, batendo na porta do chal. Ivy quase soltou uma gargalhada. A lei e as armas eram inteis contra um demnio que 
queria somente uma coisa: Ivy

Continua em Revelaes

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